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	<title>Arquivos Carla Diaz - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 15:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lançados simultaneamente no catálogo do Amazon Prime Video em 2021, A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou meus Pais dramatizavam os eventos que culminaram com o chocante assassinato do casal von Richtofen em São Paulo arquitetado pela própria filha e pelo genro em 2002. Os longas de Maurício Eça narravam as versões de Suzane e de Daniel para o crime e resultaram em obras de gosto duvidoso que flertavam com a reconstituição barata do assassinato. Com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Lançados simultaneamente no catálogo do Amazon Prime Video em 2021, <em>A Menina que Matou os Pais</em> e <em>O Menino que Matou meus Pais</em> dramatizavam os eventos que culminaram com o chocante assassinato do casal von Richtofen em São Paulo arquitetado pela própria filha e pelo genro em 2002. Os longas de Maurício Eça narravam as versões de Suzane e de Daniel para o crime e resultaram em obras de gosto duvidoso que flertavam com a reconstituição barata do assassinato.</p>
<p>Com o sucesso do projeto, <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> retoma o caso para abordar eventos que ficaram de fora da narrativa anterior, especificamente, o período que compreendeu o crime e a confissão de Suzane e dos Cravinhos. Maurício Eça retorna para a direção, assim como os atores Carla Diaz, Leonardo Bittencourt e Allan Souza Lima, além dos escritores Ilana Casoy e Raphael Montes, que depois de pesquisarem e escreverem livros sobre o assunto se dedicaram ao roteiro desse projeto.</p>
<p>O resultado de <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> consegue ser pior que as empreitadas anteriores de Eça. Além de passar a sensação de que o realizador tenta tirar &#8220;leite de pedra&#8221; com o caso, dedicando uma hora e quarenta minutos de história para episódios que já estão mais do que esclarecidos para o grande público e que não justificam um retorno ao tema, A Confissão é um filme extremamente mal executado em diversas frentes.</p>
<p>Nos longas anteriores, os atores contavam com a justificativa das perspectivas para exagerarem nos traços negativos e positivos dos personagens, sobretudo de Suzane von Richtofen. Assim, ainda que soasse estranho o exagero com que Carla Diaz, por exemplo, retratava Suzane como uma menina ingênua em O Menino que Matou meus Pais (o ponto de vista dela para o caso) ou como uma psicopata em <em>A Menina que matou os Pais</em> (a versão de Daniel para o crime) a decisão de composição da personagem se justificava porque o projeto era centrado na disputa de narrativas entre Suzane e os Cravinhos durante o julgamento do crime.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17451" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Menina que Matou os Pais - A Confissão" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/2761925.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A Confissão não traz o mesmo background dos anteriores, não existem perspectivas a serem contrapostas. Há uma única versão, aquilo que de fato ocorreu. Contudo, estranhamente Diaz investe pesado no retrato de Suzane como uma vilã de novela mexicana, enfatizando caras e bocas e trejeitos de perturbação mental que apesar de a denunciarem como autora do crime a fazem passar despercebida pelos demais personagens da história. Suzane está sempre alterada em cena, com um tom acima do passável para alguém que quer disfarçar uma &#8220;culpa no cartório&#8221;, com olheiras profundas e tratando com rispidez ou ironia os demais personagens.</p>
<p>Talvez atriz, diretor e roteiristas tenham optado por esse caminho em A Confissão a fim de descartarem qualquer tipo de dubiedade acerca do caráter da personagem, algo que levantou polêmicas no projeto anterior com a necessidade de abordar o crime através das &#8220;perspectivas&#8221; dos seus agentes. No entanto, a decisão aqui faz o filme extrapolar os limites do risível. No esforço de enfatizar que não corroboram com uma visão que suaviza a culpa de Suzane, os envolvidos em A Confissão parecem apelar para um tratamento raso da personagem, subestimando a capacidade do público de ver nas telas um retrato mais complexo e crível dessa figura e não necessariamente aderir a suas ações através dessa experiência espectatorial. Enfatizar o &#8220;lugar&#8221; de Suzane no assassinato dos pais não significa necessariamente apelar para a representação mais superficial e estereotipada possível da sua personalidade. Falta nuances à interpretação de Diaz, que ofusca todos os demais parceiros de cena, inclusive Leonardo Bittencourt, que não faz muito dessa vez, com uma abordagem extremamente over.</p>
<p>O tom da performance de Diaz é acompanhado por uma direção que não economiza recursos repletos de canastrice, como os movimentos de câmera usados em momentos de intensa dramaticidade, a exemplo dos surtos de Suzane na cama ou quando o pai dos Cravinhos toma consciência da culpa dos filhos, talvez uma das cenas mais constrangedoras do filme. Essa roupagem da dramatização do caso como um produto barato e exagerado reforça e amplifica problemas já sentidos nos dois títulos anteriores, mas que, de alguma forma, ali eram represados. Talvez um dos poucos pontos passíveis de elogios do filme é o desempenho da atriz Bárbara Colen que interpreta a delegada responsável pela investigação, a única que parece dar algum tipo de credibilidade ao projeto e que surge sóbria em cena.</p>
<p>Se <em>A Menina que Matou os Pais</em> e <em>O Menino que Matou meus Pais</em> ainda geravam alguns pontos de dúvida sobre a natureza do projeto, com todo o seu tom exagerado, <strong><em>A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</em></strong> faz a iniciativa flertar abertamente com a exploração escancarada de um crime que legou tantas dores a vítimas ainda vivas, entre elas, o irmão de Suzane. O tratamento over do assunto, disposto a querer dar fôlego à protagonista como uma grande vilã de uma pretensa franquia (um true crime pop?), não é respeitoso com a seriedade que o caso exige. <strong><em>A Confissão</em></strong> transforma o crime dos von Richtofen em um folhetim barato com o que existe de pior nas possibilidades de exploração de um tema como este.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Mauricio Eça</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Carla Diaz, Leonardo Bittencourt, Allan Souza Lima</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-menina-que-matou-os-pais-a-confissao/">Crítica: A Menina que Matou os Pais &#8211; A Confissão</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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