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	<title>Arquivos Bo Hopkins - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Era uma Vez um Sonho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2020 13:31:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado no livro de J.D. Vance, Era uma Vez um Sonho: A História de uma Família da Classe Operária e da Crise da Sociedade Americana, o novo filme da Netflix é sofrível. Retratando a típica família branca, integrante da classe de trabalhadores dos Estados Unidos, o longa parece desejar mostrar sofrimentos, lutas e conquistas destas personagens tão tipicamente “americanas”. Além da antipatia causada de cara pelos estereótipos de pessoas desta região, a produção falha em construir uma narrativa firme. A [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado no livro de J.D. Vance, <em>Era uma Vez um Sonho: A História de uma Família da Classe Operária e da Crise da Sociedade Americana</em>, o novo filme da Netflix é sofrível. Retratando a típica família branca, integrante da classe de trabalhadores dos Estados Unidos, o longa parece desejar mostrar sofrimentos, lutas e conquistas destas personagens tão tipicamente “americanas”.</p>
<p>Além da antipatia causada de cara pelos estereótipos de pessoas desta região, a produção falha em construir uma narrativa firme. A grande questão aqui é que a escolha em não seguir a cronologia de fatos, atrapalha no estabelecimento da trama e da conexão com a história. Antes mesmo que o espectador possa adentrar naquela atmosfera, momentos de peso dramático – aqui, no sentido do gênero – são colocados na tela, como na cena do enterro do avô de J.D.</p>
<p>Não há nem como falar em progressão quando não se tem construção alguma. Os erros aqui são, de fato, do roteiro, que tenta ser audacioso, misturando temporalidades e emoções do protagonista. Contudo, ele não só traz um enredo embolado e que distancia o espectador, mas interfere nos outros trabalhos dentro do longa. A começar pelas atuações. A possibilidade de se conectar com as construções dos intérpretes é destruída, quando o tom das cenas não condizem com o tempo de projeção.</p>
<p>Assim, a sensação que fica é a de que um exagero habita as atuações. Mesmo sendo notável o esforço de Glenn Close (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-esposa/"><em>A Esposa</em></a>) e Amy Adams (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>), a organicidade escapa delas, justamente porque as motivações são turvas. A representação toma conta de suas criações, o que reitera o afastamento de quem assiste. Alguns truques também se tornam repetitivos, enquanto a exibição avança. Parece que as duas estão mais tentando reproduzir as figuras da vida real do que passar as emoções que as cenas pedem.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13552" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1694452.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Era uma Vez um Sonho" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1694452.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1694452.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1694452.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1694452.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda assim, Close e Adams são um bálsamo neste contexto. As suas interações com o jovem ator Owen Asztalos (Paterson) também fazem a obra crescer e render. Inclusive, existe uma pequena crescente no final do segundo ato da produção, quando as contracenas entre Close e Asztalos são mais recorrentes. Há algo de genuíno ali e isto vem também da direção de Ron Howard (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-inferno/"><em>Inferno</em></a>), que demonstra certo cuidado em seu olhar. Seja na decupagem ou na <em>mise-en-scène</em>, os espaços e as movimentações revelam essa conexão de J.D. com a sua avó e as marcas de seus cotidianos, cheios de altos e baixos.</p>
<p>Contudo, o trabalho de Howard não vai muito longe. Não há nada de inventivo. Não que isto seja um problema, mas o cineasta se põe em um lugar confortável de imprimir uma técnica formulaica, com toques de pieguismos. Planos fechados em cenas de crianças que sofrem, foco e desfoco em momentos em que há um desejo forte em revelar a dor daquelas personagens que ele precisa mostrar ambos ao mesmo tempo, estes são alguns exemplos do que Howard faz para tocar e acaba gerando tédio.</p>
<p>A vontade de <strong><em>Era Uma Vez um Sonho</em></strong> é de emocionar e trazer um enredo de superação. O que ele entrega é uma grande colagem de esquetes sem costura, onde problemas sérios da sociedade &#8211; como a dependência química &#8211; são colocados aleatoriamente, sem humanização, sem contar quem são aqueles indivíduos, além de seus percalços. A cereja do bolo é um discurso sobre superação, sem mencionar por um segundo todos os privilégios de J.D. Vence, sendo que ele é, na sociedade em que vive.</p>
<p>Se no livro não existe uma visão crítica sobre Vence o mínimo que se poderia fazer aqui era uma adaptação mais distanciada e crítica. Algo que passa longe de acontecer e, pior, de ser ser bem realizado. Talvez, uma boa ideia teria sido avaliar a sua realização, em primeiro lugar. Principalmente, pelo fato da quantidade de controvérsia que Vence trouxe, em 2016, no período de eleições presidenciais, pelo o que ele diz e representa. No final das contas, é melhor pensar que existem muitos filmes que merecem ser vistos e escolher assisti-los ao invés de gastar quase duas horas com <strong>Era uma Vez um Sonho</strong>.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Ron Howard</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Amy Adams, Glenn Close, Owen Asztalos, Gabriel Basso, Haley Bennett, Freida Pinto, Bo Hopkins, Sunny Mabrey</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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