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	<title>Arquivos Benny Safdie - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Benny Safdie - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Crescendo Juntas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Nov 2023 18:57:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Narrativas sobre ritos de passagem existem aos montes na história recente do cinema, mas ainda são poucas aquelas que dedicam esse tipo de conto a protagonistas femininas e abordagens mais leves, conseguindo conciliar uma ótica humana para o assunto, mas divertida. Crescendo Juntas preenche esses requisitos e revela-se como uma história que pode ser apreciada por pais e filhas, contemplando todos os dilemas possíveis que surgem na pré-adolescência de uma garota. O longa dirigido e roteirizado por Kelly Fremon Craig [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Narrativas sobre ritos de passagem existem aos montes na história recente do cinema, mas ainda são poucas aquelas que dedicam esse tipo de conto a protagonistas femininas e abordagens mais leves, conseguindo conciliar uma ótica humana para o assunto, mas divertida. <em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> preenche esses requisitos e revela-se como uma história que pode ser apreciada por pais e filhas, contemplando todos os dilemas possíveis que surgem na pré-adolescência de uma garota.</p>
<p>O longa dirigido e roteirizado por Kelly Fremon Craig a partir do livro de Judy Blume conta a história de uma menina de 11 anos que se muda com os pais de Nova York passando a morar no subúrbio de Nova Jersey, bem longe da avó judia. É nesse momento que Margaret passa por um processo de adaptação, mas adequar-se à nova escola e aos novos colegas passa a ser o menor dos seus problemas diante das diversas questões que lhe surgem como desafios.</p>
<p><em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> aborda temas como o primeiro sutiã, os primeiros amores, menstruação e intolerância através da trajetória de uma protagonista construída com sensibilidade e doçura por Kelly Fremon Craig. O mérito do trabalho da cineasta é jamais subestimar os dilemas da sua personagem principal, ainda que trate todas essas questões com aquela ótica ingênua da infância.</p>
<p>A menina Margaret está sempre se dirigindo a um Deus que nunca fez parte da sua vida, já que seus pais (um judeu e uma católica) decidiram que a filha só optaria por uma religião quando fosse adulta em virtude dos conflitos severos que o assunto legou ao núcleo familiar. A cineasta utiliza esse recurso não como uma muleta para construir uma narrativa religiosa, mas como um mecanismo bem humorado e que reforça a inocência da protagonista, ampliando ainda mais nossa compreensão sobre o estado de ebulição de emoções de Margaret. A garota vive um momento tão limítrofe que recorre a uma intervenção divina nunca antes aventada.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17486" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1.jpg" alt="Crescendo Juntas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Crescendo-Juntas-filme-HBO-Max-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Além do círculo de transformação enfrentado pela personagem principal, o longa aborda as mudanças vivenciadas pela mãe da protagonista na medida em que esta toma contato com o processo da própria filha. A personagem em questão é interpretada com sensibilidade por Rachel McAdams. Como a filha Margaret, a mãe interpretada por McAdams encontra um ponto de independência e se desvencilha de ideias socialmente impostas sobre &#8220;mães de família&#8221; na década de 1970.</p>
<p>É claro que, além de McAdams, outros atores têm momentos muito bons na história como Kathy Bates, cuja avó judia cheia de vida (e roupas e joias exuberantes) enche o filme de alegria e ironia quando surge na tela, ou Benny Safdie, intérprete do pai carinhoso de Margaret, mas o elenco infantil do longa é quem tem grande destaque. O filme é encabeçado por Abby Ryder Fortson, uma jovem atriz que dá cadência e personalidade a todos os dilemas de Margaret, passando ainda pelo grupo de amigas da protagonista liderado Nancy Wheeler, interpretada de maneira extremamente inteligente por Elle Wheeler. Wheeler dá vida a uma garota insegura, mas com espírito de liderança e lealdade.</p>
<p>Kelly Fremon Craig fez de <em><strong>Crescendo Juntas</strong></em> um filme leve e sensível sobre uma fase complicada da vida de qualquer pessoa, procurando universalidade e empatia no tratamento dessa história, mas evitando qualquer tipo de estereotipia na construção das suas personagens. É um longa perfeitamente recomendável para adultos e pré-adolescentes que certamente encontrarão pontos de entendimentos para dilemas que são recorrentes nessa fase de transição para a a vida adulta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kelly Fremon Craig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel McAdams, Kathy Bates, Benny Safdie, Abby Ryder Fortson, Elle GrahamJecobi, SwainKaren Aruj</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eSm3S9-3Fg4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Oppenheimer</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Jul 2023 17:07:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor Christopher Nolan é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De Amnésia (2000) até Tenet (2020) – passando pelo ‘queridinho’ Interstellar (2014) –, as produções [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor, roteirista e produtor <strong>Christopher Nolan</strong> é uma das personalidades do cinema mais influentes da atualidade. Com uma carreira de grandes sucessos de público e crítica desde o início dos anos 2000, o cineasta costuma seguir uma mesma linha de produção em seus projetos: grandes histórias, uma equipe técnica potente e um roteiro que é bom, mas não consegue ultrapassar a barreira do sensível. De <em>Amnésia (2000)</em> até <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tenet/"><em>Tenet (2020)</em></a> – passando pelo ‘queridinho’ <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-interestelar/"><em>Interstellar (2014)</em></a> –, as produções encabeçadas por Nolan costumam ter dificuldade em se mostrar mais humanas. Elas lutam para chegar no sensível e ir além da dureza de uma produção industrial – ainda que essa tenha espaço para belas imagens, montagens e sons. No entanto, durante duas décadas, o resultado era o mesmo – qualidade técnica, mas nada de palpável no quesito emocional.</p>
<p>Até antes de assistir o mais novo trabalho do diretor, Nolan nunca havia furado essa bolha. Tudo sempre teve qualidade, uma maestria na execução dos processos, resultados belíssimos e maravilhosamente bem administrados. Mas nunca senti sensibilidade. Até então, tudo parecia uma linda embalagem de presente de Natal onde, dentro dela, não havia nada. A superficialidade das emoções humanas e das sensações mais intrínsecas não tinham sido exploradas até a chegada de <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Esse pode ser o filme que mudará a trajetória da carreira do cineasta.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (20), é um passo além do diretor em sua forma de fazer cinema. Não se enganem, a produção continua sendo bem administrada e rodeada por uma equipe técnica sublime – a prova disso está na montagem, fotografia, edição de som e trilha sonora. Contudo, é finalmente possível sentir algo, ainda que de forma sutil. Mesmo que Nolan tenha muito o que explorar sobre a densidade das emoções humanas daqui para frente, ele enfim furou a bolha com <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. O boneco de madeira se tornou um garoto de verdade e entregou o seu mais belo trabalho da carreira.</p>
<p>Na cinebiografia, o público embarca na vida de J. Robert Oppenheimer (Cillian Murphy), o físico teórico que ficaria conhecido como pai da bomba atômica. A história descreve desde os primeiros anos do cientista e seus contatos com figuras proeminentes do mundo da física até o início do Projeto Manhattan, seu resultado e os dilemas científico/éticos no pós Segunda Guerra. Em meio aos louros, os relacionamentos, a política e a vaidade, Oppenheimer marcou a história da humanidade como o Prometeu moderno, dando ao povo o poder de se destruir com o início da corrida nuclear.</p>
<p>A partir de uma história como essa, o filme poderia ser muitas coisas, inclusive só mais uma cinebiografia que cairia no esquecimento em pouco tempo. A virada de chave, no entanto, está no <em>timing</em> que o projeto é lançado. Ainda que fale de um acontecimento histórico de décadas atrás, a perspectiva de discutir a relação entre avanço da ciência, guerra e ética não poderia ser mais atual. Com dilemas da inteligência artificial e as atrocidades da guerra na Ucrânia acontecendo, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> chega aos cinemas pronto para pontuar o que precisa ser discutido no momento sobre esses assuntos – e, desta vez, com camadas e profundidade.</p>
<p>Baseado no livro ‘Prometeu Americano’, de Kai Bird e Martin J. Sherwin, o roteiro consegue tornar central a discussão da vaidade do personagem e o dilema que a sua invenção gerou para a humanidade e para si. Esse pano de fundo, unido com uma montagem brilhante de Jennifer Lame (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>, de 2019, e <em>Pantera Negra: Wakanda Para Sempre</em>, de 2022) e as performances de um elenco potente faz as três horas de duração passarem despercebidas. <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é um dos melhores trabalhos de Nolan também como roteirista – o qual, possivelmente, estará como um dos favoritos na corrida pela estatueta no Oscar de 2024.</p>
<figure id="attachment_16943" aria-describedby="caption-attachment-16943" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16943" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg" alt="Oppenheimer (2023)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/Oppenheimer-2.jpg 1169w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16943" class="wp-caption-text">Cillian Murphy em cena de &#8216;Oppenheimer&#8217; (2023)</figcaption></figure>
<p>Outro ponto de destaque na técnica do filme é a fotografia. Como a narrativa se divide em duas tramas – a trajetória de Oppenheimer e a audiência de decisão da entrada de Lewis Strauss como secretário na Casa Branca -, o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema (<em>Tenet</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-nao-olhe/"><em>Não! Não Olhe!</em></a>, de 2022) teve a oportunidade de brincar com cores, sombras e formas da imagem em <em><strong>Oppenheimer</strong></em>. Sendo uma das frentes narrativas colorida e a outra em preto e preto, Hoyte entrega um espetáculo visual de tirar o fôlego.</p>
<p>E para permitir que o diretor de fotografia gerasse imagens ainda mais espetaculares, o departamento de arte, especificamente a equipe de efeitos práticos, teve que trabalhar muito. As cenas de recriação da explosão da bomba atômica são algumas das mais belas de se assistir ao longo do filme – e, possivelmente, da filmografia de Christopher Nolan. O trabalho da equipe supervisionada por Scott R. Fisher é fundamental para gerar a humanidade que <em><strong>Oppenheimer</strong></em> necessitava – e que Nolan precisava trazer há anos para suas produções.</p>
<p>Além dos destaques e das possíveis indicações pelo roteiro, montagem e edição, fotografia e efeitos visuais, a edição de som, a trilha sonora e o figurino são outros fortes nomes para indicações aos maiores prêmios de cinema do ano. Falando especificamente do som, ele é, ao lado da fotografia, um dos principais aliados para impulsionar a narrativa. Se <em><strong>Oppenheimer</strong></em> é capaz de alcançar voos ainda mais altos é porque o santíssimo quinteto direção-roteiro-fotografia-som-trilha está operando de forma coesa e eficaz. E o trabalho de composição de Ludwig Göransson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/"><em>Pantera Negra</em></a>, de 2018) é impressionante, potente e completa este pentágono criativo.</p>
<p>Por fim, e não menos importante, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> alcança o que alcança por mais duas razões, seu elenco estelar e a direção de Christopher Nolan. Desta vez, diferente da maioria de seus trabalhos, o cineasta pareceu sair de sua função de administrador de uma produção e mergulhou de cabeça como criador, se permitindo sentir e se sensibilizar pela história que estava construindo. Essa dedicação diferenciada para o projeto é claramente sentida desde os primeiros minutos do filme. Nolan terá uma dura concorrência na temporada do Oscar – como por exemplo o forte nome da brilhante Greta Gerwig por <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/"><em>Barbie (2023)</em></a> -, mas, desta vez, o nome do diretor estar entre os indicados é mais do que merecido.</p>
<p>Para encerrar a composição de potência da produção, <em><strong>Oppenheimer</strong></em> conta com um grande elenco. Seja na extensão ou em qualidade, os atores e as atrizes envolvidos nesse processo são um reforço da coesão do projeto e dão razão ao adjetivo. Evidentemente existe um destaque maior para três pessoas: Cillian Murphy, Robert Downey Jr. e Emily Blunt. Os três são as apostas para o Oscar, podendo até, quem sabe, render uma estatueta para o eterno Homem de Ferro, mostrando à Hollywood que ele pode e é mais do que ator de um só personagem.</p>
<p>Regada de dúvidas, delírios e vaidades, a jornada pessoal e ética do físico J. Robert Oppenheimer é, sem sombra de dúvidas, um dos filmes do ano e marcará a temporada de premiações por sua qualidade e poderio técnico. Além de, como pontuado algumas vezes ao longo do texto, ser, quem sabe, uma nova fase para Christopher Nolan. Se <strong><em>Oppenheimer</em></strong> representar o início de uma nova era de produções com mais profundidade e sensibilidade do cineasta britânico, então o futuro do cinema guarda algo inspirador. Caso tenha sido apenas um flerte momentâneo com esse lado mais denso e humano do diretor, pelo menos o mundo terá a oportunidade de vivenciar a experiência cinematográfica que é assistir ao filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Nolan</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr., Florence Pugh, Josh Hartnett, Casey Affleck, Rami Malek, Kenneth Branagh, Benny Safdie e Jack Quaid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/F3OxA9Cz17A?si=t_qYi7N4cEY9hHD9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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