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	<title>Arquivos Asghar Farhadi - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Asghar Farhadi - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Todos Já Sabem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Feb 2019 18:20:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 21 de fevereiro, o longa Todos Já Sabem, de Asghar Farhadi. O diretor iraniano foi responsável por grandes filmes como O Apartamento e A Separação, ambos vencedores de diversos prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Neste novo longa, ele traz a história de Laura, uma mãe dedicada que mora na Argentina e vai visitar a família na Espanha, para o casamento de uma das irmãs. Durante a festa, sua filha mais velha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 21 de fevereiro, o longa <em><strong>Todos Já Sabem</strong></em>, de Asghar Farhadi. O diretor iraniano foi responsável por grandes filmes como <em>O Apartamento</em> e <em>A Separação</em>, ambos vencedores de diversos prêmios, incluindo o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Neste novo longa, ele traz a história de Laura, uma mãe dedicada que mora na Argentina e vai visitar a família na Espanha, para o casamento de uma das irmãs. Durante a festa, sua filha mais velha é sequestrada e o transtorno começa a partir daí, com a busca da garota e as desconfianças que vão surgindo ao longo da trama.</p>
<p>O filme tem uma narrativa expositiva e lenta, com poucos fatos acontecendo. Trata-se de uma crônica em tela. No primeiro ato, antes do sequestro, o espectador é apresentado ao cenário e a realidade que aquela família está inserida. Alguns fios vão ficando no caminho justamente para deixar o público intrigado e ansioso para entender o que está acontecendo. Ao mesmo tempo, questões de moral, relacionamento e aceitação vão sendo travadas cuidadosamente nas arestas da trama.</p>
<p>No protagonismo, temos a dupla e casal na vida real Penélope Cruz e Javier Bardem. Ambos falando em suas línguas originais, estão visivelmente à vontade com os personagens e entregues naqueles momentos. A química dos dois e a naturalidade com que contracenam é impressionante e gostoso de se ver. Para além deles, o marido da protagonista é vivido por Ricardo Darín, outro excelente ator, que dá ainda mais força às cenas. Todos os coadjuvantes também funcionam muito bem para dar suporte aos sentimentos que são experienciados. Impressionante como conseguiram encontrar mulheres tão parecidas com Penélope para interpretar suas irmãs.</p>
<p><em><strong>Todos Já Sabem</strong></em> trabalha com a dúvida o tempo todo. O espectador fica se questionando quem está falando a verdade e quem está apenas manipulando a situação. Enquanto vemos um sofrimento real por parte da mãe da menina sequestrada, o pai se mostra muito calmo e indiferente em alguns momentos. Para além disso, o amigo da família e ex-namorado de Laura, se dedica &#8220;demais&#8221; na busca pela garota, deixando todos com uma pulga atrás da orelha sobre o seu real interesse.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9998" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/02/4990321.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Todos Já Sabem" width="610" height="348" /></p>
<p>A trama vai se desdobrando e se revelando como uma jogada de interesses. O personagem mais desconectado, inicialmente, da história, é o que mais se envolve e sofre com as consequências do sequestro. Paralelo a isso, questões de dinheiro e dívidas passadas são retomadas, colocando em voga questões sociais que pareciam inexistir no começo de tudo. Aquela fachada de família perfeita e equilibrada que é mostrada no começo vai sendo desmontada ao longo do roteiro, mostrando que muitos ali usam máscaras permanentes.</p>
<p>O drama de suspense faz uso de diversos artifícios para dar ao espectador a ferramenta de analisar e &#8220;julgar&#8221; os personagens. Todos ali possuem seu lado sombra e seu lado luz, mas cabe a nós decidir em quem acreditar. O final do longa, por sinal, deixa margem para muitas dúvidas e tantas outras interpretações. Mas ainda assim, com um desfecho honesto com o espectador e tão bom quanto a condução da trama.</p>
<p>Embora o clima de suspense esteja presente a maior parte do tempo, com apelo para a criação de um cenário onde todos são possíveis culpados, o foco de <strong><em>Todos Já Sabem</em></strong> não é exatamente esse. Isso funciona como palco para um drama muito mais denso do que a &#8220;simples&#8221; tragédia que nos é posta. Relações emocionais são colocadas a prova o tempo todo, em uma narrativa bem costurada em todos os momentos.</p>
<p>Este é um longa muito eficaz e contundente que vai se desdobrando em muitas camadas ao longo do roteiro. Unido à um elenco de ouro, definitivamente é um filme que merece a atenção do público, que será presenteado com uma ótima história e excelentes atuações.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/wILdh91gpYU" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Passado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 May 2014 22:28:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Asghar Farhadi]]></category>
		<category><![CDATA[Bérénice Bejo]]></category>
		<category><![CDATA[O Passado]]></category>
		<category><![CDATA[Tahar Rahim]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Durante uma discussão, Marie (Bérénice Bejo) e Samir (Tahar Rahim) acabam confessando um ao outro a verdadeira natureza do relacionamento que estabeleceram ao longo de oito meses. Ambos são parceiros substitutos, escolhidos para suprir amores mal resolvidos no passado. No entanto, por mais que se esforcem para refazer as suas próprias trajetórias, acabam não percebendo que sustentam no presente seus respectivos passados na esperança de que um dia as coisas retornem a ser como antes. Ilusão&#8230; O Passado, novo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_882" aria-describedby="caption-attachment-882" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/image_6720.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-882 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/image_6720-620x344.jpg" alt="image_6720" width="620" height="344" /></a><figcaption id="caption-attachment-882" class="wp-caption-text">Parceiros substitutos: Marie (Bérénice Bejo) e Samir (Tahar Rahim) se unem para superar o desgosto de relacionamentos fracassados.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Durante uma discussão, Marie (Bérénice Bejo) e Samir (Tahar Rahim) acabam confessando um ao outro a verdadeira natureza do relacionamento que estabeleceram ao longo de oito meses. Ambos são parceiros substitutos, escolhidos para suprir amores mal resolvidos no passado. No entanto, por mais que se esforcem para refazer as suas próprias trajetórias, acabam não percebendo que sustentam no presente seus respectivos passados na esperança de que um dia as coisas retornem a ser como antes. Ilusão&#8230; <em>O Passado</em>, novo filme do iraniano Asghar Farhadi, que em 2012 venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro por <em>A Separação</em>, traz temas recorrentes na carreira do diretor: famílias disfuncionais tragadas por situações que escapam às suas próprias vontades, desgastando e dissolvendo todos pólos desse núcleo familiar. Em todos eles, o amor não é o suficiente para manter uma família unida, pelo contrário, torna as tentativas de resolução dos conflitos ainda mais dolorosas e traumáticas.</p>
<p><em>O Passado </em>começa com o retorno do iraniano Ahmad (Ali Mosaffa) a Paris para assinar os papéis do divórcio com Marie (Bérénice Bejo). No momento, Marie planeja se casar com Samir (Tahar Rahim), com quem vive desde que sua esposa entrou em coma após atentar contra a própria vida. O casal recebe Ahmad na sua casa, onde vivem também as filhas dela e o único filho de Samir, Fouad (Elyes Aguis). Quando era casado com Marie, Ahmad estabeleceu um elo de amizade muito forte com a filha mais velha dela, Lucie (Pauline Burlet), que, por sua vez, guarda uma raiva profunda da mãe pela instabilidade de sua vida amorosa e pelas idas e vindas do seu padrasto mais amado a Paris.</p>
<figure id="attachment_830" aria-describedby="caption-attachment-830" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-830 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/528f55f4addcc-620x338.jpg" alt="528f55f4addcc" width="620" height="338" /><figcaption id="caption-attachment-830" class="wp-caption-text">O pequeno Fouad (Elyes Aguis) é o que mais sofre no meio do caos provocado pelos adultos: desempenho notável do garoto.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essa teia de relacionamentos truncados faz toda a engrenagem de <em>O Passado </em>funcionar com muita fluidez e humanidade. Todos os dramas e perspectivas apresentadas são próximos da realidade de qualquer espectador. Com essa mesma destreza, Asghar Farhadi conduziu <em>A Separação </em>e <em>À Procura de Elly</em>, demonstrando firmeza na condução dos seus personagens e na compreensão de suas motivações a cada novo desdobramento da trama. Evitando sobrepor-se a sua própria história com qualquer subterfúgio visual, Farhadi concentra seus esforços no elemento humano, o seu forte e o enfoque da sua narrativa.</p>
<p>O diretor ainda encontra apoio no seu afiado elenco. Bérénice Bejo mostra-se uma atriz interessante ao compor uma personagem tensa que parece ter perdido todo o viço tamanho o cansaço com a inconstância de sua vida afetiva. O desempenho de Tahar Rahim vai por um caminho bem parecido, mantendo discretamente a expectativa, ainda que remota, de uma reviravolta na sua história. Contudo, o personagem mais interessante do triângulo pertence a Ali Mosaffa, Ahmed parece não querer cortar o elo que o ligou a Marie por tantos anos. Mosaffa preenche o seu personagem com uma dignidade que transborda cada cena e torna crível a razão pela qual Marie não conseguiu superar os entraves do casamento dos dois. Para completar, ainda somos agraciados com o desempenho surpreendentemente maduro do garoto Elyes Aguis que reage com rebeldia e incompreensão a tamanha confusão amorosa que se estabelece entre os adultos que fazem parte da sua vida.</p>
<figure id="attachment_832" aria-describedby="caption-attachment-832" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/the-past2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-832 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/05/the-past2-620x334.jpg" alt="the past2" width="620" height="334" /></a><figcaption id="caption-attachment-832" class="wp-caption-text">Bem diferente da Peppy Miller de &#8220;O Artista&#8221;, Bejo oferece uma performance dramática que lhe rendeu a Palma de Ouro em Cannes (2013).</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Conferindo dinamicidade e vivacidade a esses personagens tão vulneráveis e falhos, o elenco dá vida e transforma o roteiro muito bem desenhado pelo próprio realizador em um filme sensível e próximo das platéias. <em>O Passado </em>não cria empatia com o espectador através de artifícios visuais, o que não seria condenável caso fosse essa a sua proposta, mas por intermédio de histórias à flor da pele sobre indivíduos que sofrem de um mal comum que assola a contemporaneidade, a dificuldade de amar ou de fazer um sentimento nobre sobreviver em meio a tantos estímulos negativos e empecilhos do mundo material, físico. Se Asghar Farhadi continuar fazendo histórias como essa, com esse elevado fator humano e que tanto fazem falta no cinema contemporâneo, onde quer que venha filmar, já terá seus seguidores e admiradores fiéis.</p>
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