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	<title>Arquivos Ariana Grande - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Ariana Grande - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Wicked: Parte II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 21:04:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há em Wicked: Parte II tudo que mais assola de ruim no audiovisual da contemporaneidade. A primeira e a que mais incômoda é vontade exacerbada de criar momentos impactantes, mas sem que exista uma construção de narrativa ou de progressão para que tal efeito seja causado. Se um estúdio decide dividir um longa-metragem em dois, cada um deles será julgado separadamente e uma apoteose de 2h18 se torna exaustiva e vazia. Assim, o longa-metragem anterior não pode funcionar como uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há em <em>Wicked: Parte II</em> tudo que mais assola de ruim no audiovisual da contemporaneidade. A primeira e a que mais incômoda é vontade exacerbada de criar momentos impactantes, mas sem que exista uma construção de narrativa ou de progressão para que tal efeito seja causado. Se um estúdio decide dividir um longa-metragem em dois, cada um deles será julgado separadamente e uma apoteose de 2h18 se torna exaustiva e vazia. Assim, o longa-metragem anterior não pode funcionar como uma alavanca para 138 minutos de uma continuação onde tudo parece ser um grande clímax.</p>
<p>Além disso, o protagonismo de uma mulher forte, corajosa, protagonista e heroína se esvai e toda a resolução fica, mais uma vez, para a fada loira branca e angelical &#8211; que aqui é a Glinda da Ariana Grande, mas que poderia ser qualquer loira branca e magra de Hollywood. Mas, caso o espectador acredite que todo esse incômodo com o escanteamento de Elphaba (Cynthia Erivo, fantástica, como sempre) é um papo muito &#8220;<em>woke</em>&#8220;, pode-se olhar para os elementos técnicos com frieza e ainda assim se sentir frustrado com o resultado da segunda parte de <em>Wicked</em>. O trabalho de decupagem de Jon M. Chu (<em>Podres de ricos</em>) e da montagem de Myron Kerstein (<em>tick, tick&#8230;BOOM!</em>) parecem perdidos.</p>
<p>É difícil de acompanhar as ações e fruí-las, com tantos rodopios com a câmera. A vontade de ser grandioso fez com que o trabalho de Chu ficasse confuso e sem personalidade. Um exemplo é a sequência do anúncio do casamento de Glinda e Fiyero (Jonathan Bailey). Com diversos shots ao redor do casal e da plateia, a emoção do momento se dilui, porque não há instante de intimidade criado, nem em relação à alegria de Glinda, nem sobre a insatisfação de Fiyero. O tom da cena é genérico e os quadros velozes, assim como todo resto. Sem nuance, nada se destaca e todo a projeção é um grande eco desesperado por atenção. Com uma única exceção: a canção <em>Wicked for good</em>, que dá nome ao título original.</p>
<p>Durante esta música, a produção faz sentido outra vez, como em sua primeira parte. A encenação cresce com os gestos e expressões faciais de Cynthia e Ariana. Os planos fazem sentido, porque estão à serviço da narrativa, incluindo o quadro geral dos dois lados de uma parede, que permite o público ver as reações e emoções das duas personagens. Outro ponto positivo é como Chu escolhe retratar a figura de Dorothy e todos os elementos de <em>O Mágico de Oz</em>. Com descrição, mas sem protagonismo, está tudo ali, porém pela perspectiva do mundo ficcional de <em>Wicked</em>, nisso a equipe foi fiel à sua própria história.</p>
<p>Mas, falando sobre protagonismo, quem realmente manda no destino da trama é Glinda. Quem vence a vilania de Madame Morrible (Michelle Yeoh) é ela, quem resolve um conflito que durou anos dentro do enredo, é ela, tudo passa por Glinda e Elphaba perde tempo de tela e de ação dentro do conflito. Durante a exibição, a questão racial não foge da mente, porque tudo que uma heroína talentosa, poderosa e forte procura fazer e ter é destruído e somente pode ser conquistado pela loira branca e magra. E é um problema aqui por Glinda não deveria centralizar a história e usurpar o protagonismo.</p>
<p>E ainda que muitos dos problemas sejam da dramaturgia original, a adaptação não honra a figura de Elphaba e, além de não melhorar as versões anteriores desta ficção, não honra o que já havia sido feito. Desta maneira, Elphaba passa a ser refém das atitudes de Glinda, mudando a sua posição actancial na história, modificando na base do enredo a sua função narrativa. Nesta perspectiva de personagem somente quem se mantém ocupando o mesmo lugar e, ao mesmo tempo, atua bem, é o Oz (Jeff Goldblum, brilhante). Michelle Yeoh entrou em uma espiral histriônica e se perdeu em seus gestos e sua voz. Cada expressão facial da atriz é uma tortura, porque é coberta de artificialidade.</p>
<p>Yeoh quer ser malvada e mostrar para a plateia isso. No entanto, no cinema é necessário compreender que o público está vendo a personagem. A fluidez e a organicidade são as melhores respostas para uma boa atuação. Dentro dessa lógica, Bailey quase chega lá, mas o ponto divergente é como Fiyero é escrito. Falta espaço no roteiro para que o ator consiga encontrar motivações para ficar com Glinda e, depois, preferir a Elphaba e estar disposto a morrer por ela. Todas as ações que o levam a passar pela transformação em espantalho parecem aleatórias e repentinas. Isto porque não houve construção dramatúrgica, com camadas, com progressão, com justificativas (mesmo que fossem internas, melhor ainda se fossem internas e sutis, inclusive).</p>
<p>Com esses elementos frágeis, <em>Wicked: Parte II</em> soa como uma vitrine para a construção de teasers impressionantes, que levarão as pessoas para o cinema. Não há, em seu texto ou imagens, espaço para respiros e, consequentemente, criação de ritmo. Tudo é fugaz nesta obra, é rodopiante e raso, e retira todas as camadas criadas em seu primeiro longa. Apesar de uma equipe que demonstra querer entregar um bom resultado e que são conectados para além do trabalho em si, talvez tenha faltado um distanciamento entre uma obra e outra, ao invés de gravarem tudo de uma vez só. Ainda assim, o carisma e a talentosa performance de Cynthia engrandecem a produção e diminuem um pouco do caos que o filme se tornou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Direção: John M. Chu</p>
<p>Elenco: Cynthia Erivo, Ariana Grande, Michelle Yeoh</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="Wicked: Parte 2 | Trailer Legendado" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/SM0XcBRq5eA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Wicked</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Nov 2024 00:56:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sucesso na Broadway desde 2003 quando teve a sua primeira montagem, o musical Wicked conta a história dos anos que antecederam os eventos do clássico O Mágico de Oz de 1939, quando a Bruxa Má do Oeste e a Bruxa Boa do Sul, Elphaba e Glinda, respectivamente, eram grandes amigas de juventude. O musical é uma das maiores bilheterias da Broadway até hoje e já ganhou versões nos palcos mundo afora, inclusive no Brasil. Em Wicked, Elphaba é rejeitada pela cor [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Sucesso na Broadway desde 2003 quando teve a sua primeira montagem, o musical <strong><em>Wicked</em> </strong>conta a história dos anos que antecederam os eventos do clássico O Mágico de Oz de 1939, quando a Bruxa Má do Oeste e a Bruxa Boa do Sul, Elphaba e Glinda, respectivamente, eram grandes amigas de juventude. O musical é uma das maiores bilheterias da Broadway até hoje e já ganhou versões nos palcos mundo afora, inclusive no Brasil.</p>
<p>Em <strong><em>Wicked</em></strong>, Elphaba é rejeitada pela cor verde da sua pele e Glinda é uma jovem popular um tanto quanto narcisista. A princípio, a personalidade distinta das duas personagens cria uma certa animosidade entre elas, mas logo elas criam um laço muito forte na universidade quando viram colegas de quarto. Nessa primeira parte do musical, a segunda parte só será lançada nos cinemas no ano que vem, a gente acompanha o desabrochar de Elphaba. A bruxa verde tem o arco que é o grande destaque do filme. <strong><em>Wicked</em></strong>: Parte 1 é uma história sobre a sua ascensão e amadurecimento.</p>
<p>A adaptação cinematográfica de <strong><em>Wicked</em> </strong>esteve em desenvolvimento desde 2012 em Hollywood. Inicialmente, Stephen Daldry assumiria a direção Depois da pandemia, Jon M Chu, diretor de Podres de Ricos e do musical Em um Bairro de Nova York, passa a ser o grande chefe do projeto que enfim vemos nas telas.</p>
<p>A primeira parte de <strong><em>Wicked</em> </strong>é um deleite. Centrado em duas personagens femininas muito bem construídas, com jornadas envolventes, o longa é uma experiência narrativa e visual muito satisfatória. Jon M. Chu tem em mãos um material riquíssimo a ser explorado, ampliando o universo de Oz sem soar como um produto derivativo barato de um clássico do cinema. <strong><em>Wicked</em> </strong>tem relevância própria.</p>
<p>Os números musicais são muito bem executados, com coreografias desafiadoras para o elenco e canções que fazem a história caminhar, além de explorar a psicologia das suas personagens. <strong><em>Wicked</em> </strong>também tem ótimos cenários. Eficientes na composição de um universo com uma arquitetura muito singular, cada ambiente é muito bonito e muito crível, com pouquíssimo uso de CGI, contribuindo na imersão do espectador em toda a sua mitologia.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18941" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-3.png" alt="Wicked" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-3.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-1-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>Para quem está preocupado com o gênero. Sim, <strong><em>Wicked</em> </strong>é muito musical, mas acredito que dá para ter uma apreciação do filme superando qualquer desdém que parte do público costuma ter com o gênero porque nesse caso o longa flerta bastante com a fantasia.</p>
<p>O elenco do longa é um dos maiores acertos do projeto. Cynthia Erivo é espetacular como Elphaba, dando a densidade necessária para uma heroína que tem um background bastante triste e que atravessa muitas mudanças ao longo da história. O grande acerto da atriz, no entanto, é  dar credibilidade a esta jornada e evitar que o drama da personagem confira um tom melancólico a um material que é essencialmente solar. Erivo é a protagonista absoluta dessa primeira parte. Todo o plot gira em torno da jornada dessa personagem e a atriz tem muitas oportunidades para explorar a dramaticidade da história de Elphaba, alguém que é rejeitada em Oz pelas suas características físicas e que acabou encontrando suas próprias estratégias para lidar com isso, a principal delas é controlar os seus poderes, reprimindo sua própria expressão. Há momentos comoventes no desempenho de Erivo como a apresentação da sua personagem em um baile enquanto é caçoada pelos colegas.</p>
<p>Do outro lado, Ariana Grande tem uma interpretação solar como Glinda. Particularmente, explorando de forma impecável seu timing cômico e trafegando por uma vilania sem colocar o público contra sua personagem, ainda que Glinda seja capaz de atos bem questionáveis em virtude do seu narcisismo.  Ariana enche esta interpretação de detalhes, como o trejeito da Glinda com seus cabelo e executa de forma excepcional coreografias muito complexas. Além das duas, o filme conta com a presença de Jonathan Bailey, capaz de seduzir uma pedra se ele quiser como um príncipe e também impecável no número musical que protagoniza, tão complexo coreograficamente quanto o de Grande. Michelle Yeoh e Jeff Goldblum tem seus momentos como a diretora da universidade e o mágico de Oz, respectivamente, mas não tem material o suficiente para entregar, ao menos nessa primeira parte do musical, ainda que ambos tenham bons momentos aqui e ali.</p>
<p><strong><em>Wicked</em></strong>: Parte 1 é um deleite: enche os olhos, entretém, emociona e conta com duas forças dramáticas nas performances de Cynthia Erivo e Ariana Grande. Jon M. Chu dá vida a um universo fascinante cumprindo com êxito a difícil missão de levar para as telas algo que já vinha coberto de expectativas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jon M. Chu</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Ethan Slater, Bowen Yang, Marissa Bode, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/T4h72s490HU?si=A55FpRj7gf_NfFN4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Não Olhe para Cima (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 20:54:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali. Vindo da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali.</p>
<p>Vindo da comédia, o roteirista e diretor, sabe como jogar com a dinâmica da suspensão, do absurdo e do timing cômico. O resultado, geralmente, é um nó na garganta. Talvez, o título que havia chegado mais perto de alcançar este efeito com êxito, anteriormente, tenha sido o seu <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a>. Agora, com <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, Adam McKay aumenta o seu potencial de contar histórias e dosa com uma habilidade mais intensa os efeitos colocados na tela, seja em sua direção ou nos encaminhamentos da sua narrativa.</p>
<p>A inserção e retirada de diálogos e a maneira como os textos podem chegar entrecortados são os maiores ganhos do enredo. Há toda uma gama de sentidos criados entre o não dito e o que é explicitado verbalmente, inclusive com gritos. Esta estrutura revela a compreensão de McKay sobre a própria condição humana, seja por sua tolice e egoísmo, ou por seu caráter forte, mesclado ao desejo de sacudir o mundo e clamar para ser escutado de uma vez só.</p>
<p>Além disso, é curioso de observar como, ainda que não realize uma progressão linear de ações nítidas – existem idas e vindas de intensidade nos acontecimentos da trama –, a obra vai se tornando cada vez mais angustiante para quem assiste. Aqui, novamente, pode-se abordar a consciência sobre o uso da comicidade. Gradativamente e sutilmente, a graça se transforma em riso nervoso para, em seguida, virar melancolia e pânico.</p>
<p>Mesmo rindo de si e da humanidade, o desprezo por uma parte da sociedade e o respeito por outra, ganha espaço e não há retorno dentro da história. É notável – e até óbvio – o que McKay deseja convocar em seu longa-metragem. Este é sim um retrato de um país tolo e autocentrado, que enxergou um pouco da verdade sobre si, a partir de 2016. Ao invés dos grandes heróis, salvadores do Planeta, este é um reduto de diversos tolos, ignorantes políticos, preconceituosos e egocêntricos.</p>
<p>O que McKay desconhece é que esta realidade se assemelha a de múltiplos locais da Terra, incluindo o Brasil, com seu presidente genocida e seus apoiadores cruéis e desonestos. Ao se deparar com a sessão de<i> <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong></i>, seu público pode sim se identificar com todo aquele conteúdo, por mais insano que seja o <em>plot</em>, seu desenvolvimento e desfecho. É justamente isto que Adam faz em sua produção: toma posse do impossível para retratar as pessoas da contemporaneidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14991" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg" alt="Não Olhe para Cima" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, o que falta nele é uma visão menos “estadunidense centrada”, por assim dizer. Com um olhar tão voltado para si, ainda que seja para abordar seu país com um olhar cheio de ironia, a salvação de todos os seres humanos continua nas mãos de um único lugar: os Estados Unidos. Nenhum outro local foi capaz de encontrar uma solução eficaz para a catástrofe anunciada.</p>
<p>Além disso, ainda que a tragédia afete a humanidade inteira, somente uma nação é retratada. Este é um incômodo intenso em <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, visto que este umbiguismo é recorrente no audiovisual hollywoodiano, desde a sua criação. No entanto, apesar deste engasgo, vale ressaltar outras qualidades presentes no longa. A direção de McKay fomenta a qualidade do projeto.</p>
<p>A decupagem serve ao que está sendo contado com precisão e provoca sensações precisas no público, como na escolha em fechar mais certos planos e utilizar câmera na mão, nos instantes nos quais Kate (Jennifer Lawrence) e Randall (Leonardo Di Caprio) se sentem pressionados ou em pânico. Os enquadramentos e movimentos, juntamente com uma mise-en-scène – que mistura uma marcação caótica e desorganizada, com extremamente limpa ou diversos objetos, com pouquíssimos elementos de cena – contribuem para as interpretações.</p>
<p>As atuações de Meryl Streep (<em>Mamma Mia!</em>) e Di Caprio (<em>Titanic</em>) – que vinham pesando a mão nas suas construções, nos últimos tempos –, chegam aqui firmes e sutis. O jogo de câmera, bem como a montagem de Hank Corwin (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>), barram certos exageros que a dupla poderia cometer. Neste sentido, também é necessário dar créditos para Streep e Di Caprio, veteranos talentosos, ainda que passem do ponto em alguns de seus papéis. Aqui, ambos imprimem tônus no corpo e na voz, se pôr peso ou sujeira em seus movimentos.</p>
<p>Ambos captam com segurança as intenções do roteiro e criam nuances e camadas para suas personagens. Talvez, este destaque seja tão visível por estas serem as figuras mais complicadas no filme, por possuírem características um tanto estereotipadas, mas que são bem conduzidas, suavizando estes tipos: o cientista estressado e a política egocêntrica. Contudo, Cate Blanchett (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/"><em>Carol</em></a>) e Jennifer Lawrence (<em>Jogos Vorazes</em>) também trazem boas performances, que geram repulsa ou empatia, a depender da personalidade de cada uma delas.</p>
<p>Em seu resultado geral, <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong> é eficiente em registrar e analisar a contemporaneidade, em todo o seu ilogismo, suas compulsões, suas vaidades. Com uma equipe talentosa, quase nada de seu potencial é desperdiçado. Para ser completo, de verdade, bastava apenas erradicar o pensamento tão alto centrado dos EUA.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Adam McKay</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Leonardo Di Caprio, Meryl Streep, Jonah Hill, Cate Blanchett, Mark Rylance, Tyler Perry, Ariana Grande, Rob Morgan, Timothée Chalamet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/c1nToClX_3w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/">Crítica: Não Olhe para Cima (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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