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	<title>Arquivos Apresentando os Ricardos - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Apresentando os Ricardos (Prime Video)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 20:29:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Procurando apresentar uma fase crítica na vida dos intérpretes Lucille Ball e Desi Arnaz, do seriado I Love Lucy, Aaron Sorkin (A Grande Jogada) traz uma produção com um potencial forte, mas que desperdiça seu rico material. Com um roteiro confuso e uma direção que vai se perdendo, à medida que Apresentando os Ricardos avança, o longa-metragem, além de cansativo, é falho em contar a história de Lucille (Nicole Kidman, O Escândalo) e Desi (Javier Bardem, Duna). A grande questão [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Procurando apresentar uma fase crítica na vida dos intérpretes Lucille Ball e Desi Arnaz, do seriado <em>I Love Lucy</em>, Aaron Sorkin (<em>A Grande Jogada</em>) traz uma produção com um potencial forte, mas que desperdiça seu rico material. Com um roteiro confuso e uma direção que vai se perdendo, à medida que <strong><em>Apresentando os Ricardos </em></strong>avança, o longa-metragem, além de cansativo, é falho em contar a história de Lucille (Nicole Kidman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>) e Desi (Javier Bardem, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><em>Duna</em></a>).</p>
<p>A grande questão é que Sorkin foi ambicioso em querer mostrar diversos conflitos presentes na jornada do casal, seja em termos de intimidades ou de trabalho deles. Para realizar tal intento, o enredo possui algumas idas e vindas temporais, que não conseguem ser colocadas de forma amarrada. Falta ligação imagética, textual e/ou de ação para que os acontecimentos surjam e se estabeleçam de maneira fluida.</p>
<p>Dentro de tantos <em>subplots</em>, fica complicado saber qual é, de fato, a premissa central, o arco principal da narrativa. Desta maneira, Sorkin não consegue sair da primeira camada que é a própria introdução dos conflitos das personagens, deixando impossível existir espaço para aprofundá-los. Neste sentido, o único acerto aqui são os instantes nos quais o espectador acompanha o processo criativo de Lucille.</p>
<p>As transições do mundo “real” com o da série de TV acontecem com organicidade. O público enxerga, através desta estratégia de universo dual – o da mente de Lucille e o da sua rotina –, a inteligência e a sensibilidade da personagem, algo que falta em outros momentos do longa. A atuação de Nicole Kidman fomenta estes instantes prazerosos da exibição.</p>
<p>Kidman entrega um trabalho sólido, inclusive. Em muitos casos de projetos nos quais figuras notáveis e históricas são mostradas uma mimese é estabelecida, o que não é o caso da Lucy de <strong><em>Apresentando os Ricardos</em></strong>. Nicole realmente interpreta aqui, pois marcas e traços estilísticos seus estão presentes na tela, mas, ao mesmo tempo, também os de Lucille. Em seus gestos, movimentações e tom de voz, é notável que aquele olhar sobre Lucille Ball é o de Nicole Kidman.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14982" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1.jpg" alt="APRESENTANDO OS RICARDOS" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nicole-kidman-being-the-ricardos-amazon-foto-reproducao-1200x900-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Esta é uma grande diferença entre atrizes boas e excelentes. Quando alguém consegue colocar a sua perspectiva de uma personagem, mantém as suas bases de composição e ainda não perde de vista as características fundamentais daquela persona – sobretudo quando se faz uma pessoa célebre –, pode-se dizer que aquela construção foi feita com sucesso. Infelizmente, a produção não faz jus ao esforço e talento de Kidman.</p>
<p>Ainda assim, outros membros do elenco se destacam ao seu lado. Alia Shawkat (<em>Arrested Development</em>) e Tony Hale (<em>Veep</em>), mais conhecidos por seus papéis cômicos na televisão, equilibram os tons das cenas, através de seus papéis. Durante a exibição, a direção exagera em movimentos de câmera e os diálogos contêm intensidades desmedidas, sem que houvesse sido construído um caminho para tal instalação.</p>
<p>Alia e Tony convocam sobriedade para os seus Madelyn e Jess, respectivamente. Neste jogo de tonalidades, a direção de Aaron Sorkin tem pontos positivos e negativos. No início da sessão, é empolgante observar a sua decupagem. Há uma sensação de que uma atmosfera está sendo construída. Entre <em>travelings in</em> e <em>out</em> e a seleção de enquadramentos, um grande destaque é a extensa discussão na mesa de ensaio.</p>
<p>Com uma quantidade alta de personagens envolvidas, além do desafio que é filmar este tipo de cena, os planos deixam que as emoções das personagens sejam nítidas e uma compreensão da dinâmica da equipe de <em>I Love Lucy</em> ocorra rapidamente. No entanto, Sorkin não consegue manter o fôlego de suas ideias. A partir da segunda metade da obra, a sua direção fica menos inventiva.</p>
<p>De todo modo, os recursos usados pelo cineasta no início da produção ficam repetitivos, perdendo a força. Assim, talvez, todas as fichas tenham sido gastas logo de cara, criando uma lógica inversa, na qual o começo do filme é mais elaborado e todo o restante é embolado e entediante. As ideias de Aaron Sorkin não são desenvolvidas em <strong><em>Apresentando os Ricardos</em></strong>, a vida e a relação de Lucille e Desi não são aprofundadas e poucos elementos se destacam positivamente. Faltou um entendimento do que contar, como contar e o que escolher da linguagem cinematográfica para narrar esta história.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Aaron Sorkin</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Nicole Kidman, Javier Bardem, Alia Shawkat</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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