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	<title>Arquivos Apple TV - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Apple TV - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Ônibus Perdido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 12:35:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Paul Greengrass é um bom diretor, de verdade. A trilogia Bourne, Voo United 93, Capitão Phillips, Relatos do mundo etc. podem não ser os melhores longas-metragens do mundo, porém são bem dirigidos. O que acontece com O Ônibus Perdido é que, além da produção conter falhas em diversos setores, não foi o melhor momento da carreira de Greengrass na direção. Em um drama de ação, é árduo para o espectador acompanhar o que acontece ao redor das personagens. A decupagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Paul Greengrass é um bom diretor, de verdade. A trilogia <em>Bourne</em>, <em>Voo United 93</em>,<em> Capitão Phillips</em>, <em>Relatos do mundo</em> etc. podem não ser os melhores longas-metragens do mundo, porém são bem dirigidos. O que acontece com<em> O Ônibus Perdido</em> é que, além da produção conter falhas em diversos setores, não foi o melhor momento da carreira de Greengrass na direção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um drama de ação, é árduo para o espectador acompanhar o que acontece ao redor das personagens. A decupagem não fomenta a atmosfera de tensão e não deixa nítido para quem assiste o que está de fato se passando. Há uma questão grave, dentro de toda a lógica qualitativa do filme: a ausência da possibilidade de fruição verdadeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens centrais, Kevin McKay (Matthew McConaughey) e Mary Ludwig (America Ferrera), ficam preocupados com o fogo os cercam, mas o público não compreende o perigo, porque não é posto em cena, através do trabalho de Paul, onde estão os pontos de medo e tensão. No entanto, os problemas parecem já vir do roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptação do livro <em>Paradise: One Town&#8217;s Struggle to Survive an American Wildfire</em>, da escritora Lizzie Johnson, essa é uma história inspirada no que foi, de acordo com a Time, o maior incêndio florestal da Califórnia. Uma das narrativas presentes no material de Johnson é o resgate que o motorista de ônibus Kevin McKay fez de 22 crianças, ao lado da professora Mary Ludwig.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante fazer uma ode aos heróis do cotidiano, que não possuem super poderes e fazem coisas incríveis. Todavia, o longa novo do Greengrass não celebra bem a dupla central. Apesar da rotina intensa de Kevin ser mostrada, ela é reforçada demais e um tempo extenso para a criação de camadas de sua personalidade é perdida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mary existe na trama quase sem nuance. America tem dificuldade de inserir gradações em um texto que dá chances ínfimas da intérprete ser criativa. As frases da sua personagem são repetitivas e sem espaço para uma performance mais eficiente dentro do ônibus. Kevin até tem vislumbres de complexidade, porém a investigação de sua jornada fica apenas flertando com o profundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O seu relacionamento com o filho, com a mãe e com a ex-mulher são superficiais. Os seus desejos e sonhos não são revelados. É por isso que tanto McConaughey quanto Ferrera apresentam atuações limitadas, porque eles não têm nem de onde tirar material suficiente para construir algo bom. E para além dos diálogos rasos, a mise-en-scène pouco colabora para essa expansão que poderia acontecer na construção de papel dos dois, caso Greengrass tivesse executado melhor sua função.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso poderia vir de outros posicionamentos de câmera, de escolha de enquadramento ou, até mesmo, de movimentação de câmera. Mas, para além do diretor, a montagem também ficou aquém. Talvez, a equipe de edição(Peter Dudgeon, William Goldenberg, Paul Rubell) estivesse com um produto bruto muito ruim nas mãos, porém fica difícil saber quem foi o grande culpado (cineasta ou editores).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que fica nitidamente perceptível é que os cortes também dificultam o acompanhamento das sequências, principalmente as que são filmadas dentro do coletivo. Desta maneira, por mais que o ato de Mary e Kevin seja belo e honroso, <em>O Ônibus Perdido</em> é uma obra que peca por não saber transformar um enredo forte e relevante em imagem. O resultado final é uma sessão cansativa e confusa.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Paul Greengrass</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Matthew McConaughey, America Ferrera, Yul Vazquez</p>
<p><strong>Assista o trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="O Ônibus Perdido — Trailer oficial | Apple TV+" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/sayWniZT6wA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Blitz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 18:35:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV]]></category>
		<category><![CDATA[Benjamin Clementine]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos anos, o diretor britânico Steve McQueen (vencedor do Oscar de melhor filme por 12 Anos de Escravidão) tem se dedicado bastante ao tema da ocupação nazista na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Em 2023, o cineasta dirigiu o documentário Occupied City sobre os ecos dessa experiência em Amsterdã (atualmente, disponível no Mubi) e agora, em 2024, o público pode conferir o drama Blitz, uma produção original da Apple TV+ que chega com exclusividade a este serviço de streaming. O longa acompanha o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos anos, o diretor britânico Steve McQueen (vencedor do Oscar de melhor filme por 12 Anos de Escravidão) tem se dedicado bastante ao tema da ocupação nazista na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Em 2023, o cineasta dirigiu o documentário Occupied City sobre os ecos dessa experiência em Amsterdã (atualmente, disponível no Mubi) e agora, em 2024, o público pode conferir o drama <em><strong>Blitz</strong></em>, uma produção original da Apple TV+ que chega com exclusividade a este serviço de streaming.</p>
<p>O longa acompanha o bombardeio a Londres durante a Segunda Guerra Mundial promovido pela Alemanha nazista. Tudo isso é visto pelo espectador a partir da experiência de George, um garoto de 9 anos enviado a um campo inglês de segurança por sua mãe Rita, interpretada por Saoirse Ronan (Lady Bird e Adoráveis Mulheres). No caminho para o local, George foge e empreende uma jornada tortuosa de retorno para sua família na qual testemunhará situações potencialmente traumáticas para uma criança.</p>
<p>Com uma produção caprichada &#8211; a direção de arte, o figurino e o trabalho técnico com som e efeitos especiais desse longa de época são exemplares -, <em><strong>Blitz </strong></em>é alicerçado, durante boa parte do tempo, no drama familiar vivido por George e Rita. Além disso, o drama de guerra pincela algumas discussões raciais sobre a época, afinal o garoto passar a ter uma dimensão sobre sua identidade a partir do momento em que sai da proteção da sua mãe e do seu avô brancos.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19002" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-3.png" alt="Blitz" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-3.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-3-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-3-3-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Sobre o aspecto da discussão racial, há um certo ineditismo em <em><strong>Blitz </strong></em>já que poucas são as obras audiovisuais que de fato se dedicam a abordar a experiência de personagens negros durante a Segunda Guerra Mundial. Sobre o primeiro ponto, a tragédia pessoal envolvendo o garoto e sua mãe, <em><strong>Blitz </strong></em>encontra o seu principal &#8220;calcanhar de Aquiles&#8221;: a jornada de retorno do pequeno George para os braços de Rita é a mais genérica possível para filmes do gênero, com um drama esquemático e com poucos traços de originalidade no desenvolvimento das emoções dos principais personagens envolvidos nesse plot.</p>
<p>O longa de Steve McQueen tem seus melhores momentos mesmo quando o diretor explora o bombardeio a Londres, trazendo com realismo a sensação de perigo e caos que toma conta de uma cidade cujo cotidiano é irrompido pelo horror dos ataques aéreos nazistas. Guardadas as devidas proporções, McQueen toma como exemplo o registro de James Cameron na segunda parte de Titanic quando diretor exibe os passageiros do transatlântico em uma situação limítrofe encontrando formas desesperadas de saírem vivos daquela situação. Apesar de tudo ser testemunhado pelo garoto George, a história dele e da sua mãe Rita vira algo secundário para a experiência do espectador diante da constatação de que todo aquele estado de deterioração da condição humana está sendo visto por uma criança de 9 anos.</p>
<p>McQueen capta os extremos da situação e consegue dimensionar o horror da experiência de ver o cotidiano de uma cidade ser arrasado por bombardeios que destroem toda uma &#8220;normalidade&#8221; em razão de segundos. Há duas experiências com <em><strong>Blitz</strong></em>: a do melodrama familiar da Segunda Guerra Mundial e a simulação de uma experiência in loco do bombardeio. A segunda é certamente mais bem-sucedida que a primeira fazendo valer a direção de Steve McQueen.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Steve McQueen</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Saoirse Ronan, Harris Dickinson, Benjamin Clementine</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/iZwykQK9aZo?si=VNrLXskv0RSK3GVx" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Rito da Dança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jul 2024 00:51:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Na carreira da recém indicada ao Oscar de melhor atriz Lily Gladstone, O Rito da Dança representa aquele pequeno drama indie lançado logo depois da temporada de premiações em um esforço de conseguir aproveitar o momentum na carreira da artista. No entanto, apesar de ser um projeto visivelmente mais modesto do que o drama monumental Assassinos da Lua das Flores, O Rito da Dança é um projeto completamente coerente com a trajetória de Gladstone, tento semelhante força política e dialogando [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na carreira da recém indicada ao Oscar de melhor atriz Lily Gladstone, <strong><em>O Rito da Dança</em></strong> representa aquele pequeno drama indie lançado logo depois da temporada de premiações em um esforço de conseguir aproveitar o momentum na carreira da artista. No entanto, apesar de ser um projeto visivelmente mais modesto do que o drama monumental <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-assassinos-da-lua-das-flores/"><em>Assassinos da Lua das Flores</em></a>, <em>O Rito da Dança</em> é um projeto completamente coerente com a trajetória de Gladstone, tento semelhante força política e dialogando com as raízes da atriz tanto quanto a super-produção dirigida por Martin Scorsese. Não é à toa que Lily Gladstone tentou encontrar um jeito de rodá-lo paralelamente às gravações de Assassinos da Lua das Flores e co-assina a sua produção executiva.</p>
<p>Em <strong><em>O Rito da Dança</em></strong>, Lily Gladstone interpreta Jax, uma jovem à procura da irmã desaparecida e que assume a responsabilidade de cuidar da sobrinha adolescente Roki. Até o momento, Jax vive de algumas contravenções e quando o seu drama familiar se intensifica ela passa a ser o centro de diversas pressões do seu pai distante e da polícia. Em meio a todo esse turbilhão, Roki está fazendo a delicada transição da adolescência para a vida adulta, tentando, junto com a tia, preservar as raízes da sua cultura, o que inclui os preparativos para o powwow, uma manifestação da sua etnia indígena vista com menosprezo por brancos.</p>
<p><strong><em>O Rito da Dança</em></strong> é um filme que tem muita força política. Toda a trama do longa da diretora Erica Tremblay é dedicada a dimensionar para as plateias os inúmeros obstáculos sofridos por indígenas nos EUA, incluindo aqui uma observação certeira a respeito de uma estrutura institucional e social que marginaliza essas pessoas e tenta apagar os seus traços culturais. Há também uma preocupação do longa em frisar a experiência feminina nesses contextos, abordando a triste falta de perspectiva de ascensão social de muitas mulheres, que muitas vezes não encontram meios de sobrevivência distintos de uma marginalidade do comércio de drogas e do sexo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18453" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-2.png" alt="O Rito da Dança" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/07/image-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É uma pena que o longa de Tremblay se perca no redundante plot da irmã desaparecida da personagem de Lily Gladstone, algo que traz para o filme uma ideia fixa improdutiva. Aqui, o roteiro faz a história do longa perder o fôlego e gera no espectador um gradual desinteresse pelo arco das suas personagens, o que é uma pena pois novamente Lily Gladstone está brilhante em cena. Como exibido em Assassinos da Lua das Flores, mas em uma &#8220;chave&#8221; de comunicação diferente, já que estamos falando de outro projeto e de outra personagem, a atriz tem uma precisão invejável na maneira como modula os sentimentos intensos de Jax ao longo da história: do seu desespero pela falta de respostas a respeito do desaparecimento da irmã à força com que se impõe diante de uma estrutura machista e racista extremamente opressora.</p>
<p>Em meio ao mistério sobre a personagem desaparecida, até mesmo um dos elementos mais interessantes de <strong><em>O Rito da Dança</em></strong> perde o fôlego. O uso dramático do powwow concomitantemente com a jornada de amadurecimento de jovem Roki e a ideia de ancestralidade representada na relação de sororidade entre tia e sobrinha também não é explorado com muita veemência pelo filme. É um longa que, de maneira geral, deixa boas oportunidades para trás na medida em que insiste naquele que vem a ser o elemento mais banal da sua sinopse: o mistério sobre o sumiço de um personagem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Erica Tremblay</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lily Gladstone, Isabel Deroy-Olson, Michael Rowe</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/zwdvjHwqOFc?si=NG96hEMLv_GOUz_J" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Flora e Filho &#8211; Música em Família</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Nov 2023 19:23:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Eve Hewson]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Responsável por filmes como Apenas uma Vez, Mesmo se nada der certo e Sing Street, o irlandês John Carney sabe como aliar suas tramas à música. Seus filmes são sempre obras singelas, que conseguem proporcionar conforto e &#8220;aquecer o coração&#8221; do espectador, tornando a experiência de assisti-los e de conviver com seus personagens afetivamente recompensadora. Flora e Filho &#8211; Música em Família não seria diferente. O mais recente trabalho de Carney traz como protagonista uma jovem que se torna mãe [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Responsável por filmes como Apenas uma Vez, Mesmo se nada der certo e Sing Street, o irlandês John Carney sabe como aliar suas tramas à música. Seus filmes são sempre obras singelas, que conseguem proporcionar conforto e &#8220;aquecer o coração&#8221; do espectador, tornando a experiência de assisti-los e de conviver com seus personagens afetivamente recompensadora. <em><strong>Flora e Filho &#8211; Música em Família</strong></em> não seria diferente.</p>
<p>O mais recente trabalho de Carney traz como protagonista uma jovem que se torna mãe muito cedo na vida aos 17 anos. Apesar de compartilhar a guarda do filho com o pai e ter com ele uma relação amistosa, todo o trabalho duro fica sob a responsabilidade dela. Flora deixou para trás uma série de sonhos e expectativas da juventude, atendendo a demandas mecânicas da sobrevivência (trabalhar, cuidar da casa, dar suporte ao filho Max etc.). As coisas mudam quando a personagem passa a ter aulas online via vídeo-chamada com um professor de violão dos EUA, uma experiência que lhe dá uma injeção de ânimo.</p>
<p>Em <em><strong>Flora e Filho</strong></em>, Carney fala de uma juventude cujas perspectivas foram castradas pela responsabilidade que tiveram que arcar muito cedo. A relação entre Flora e o filho Max é bem interessante. A dinâmica entre os personagens é mais próxima daquela que se estabelece na maioria das vezes entre irmãos e não são típicas daquelas que percebemos entre mães e filhos: eles se implicam o tempo todo e exibem até mesmo uma aspereza no tratamento, que, nesse caso, jamais pode ser sinônimo de falta de afeto. A questão é que a maternidade em Flora e Filho está longe de corresponder a visões romantizadas sobre o tema, a protagonista ama o filho, é evidente, mas o garoto não deixa de ser uma espécie de atestado dos pontos mais problemáticos da sua vida, uma lembrança de que talvez algo não tenha dado muito certo no meio do caminho.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17520" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large.jpg" alt="Flora e Filho - Música em Família" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/Flora_and_Son_Photo_0102.jpg.photo_modal_show_home_large-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A música surge na vida de Flora e, por tabela, do seu filho, como uma espécie de restaurador de elos, recobrando uma humanidade e esperança sempre ameaçadas de se dissolver pelas provas de resistência diárias da vida. É muito sensível a maneira como Carney insere a música em suas tramas e aqui não seria diferente. A expressão artística em <em><strong>Flora e Filho</strong></em> resgata os seus personagens não para oferecer qualquer jornada de fama e sucesso na indústria do entretenimento, mas no significado elementar da arte em nossas vidas: ela é elemento de socialização, de humanização, agregador e até um recurso para nos reconectarmos conosco. No caso de Flora e Max, a música fortalece laços de afeto sempre testados, mas nunca rompidos.</p>
<p>A sensibilidade de Carney para tratar esse tema já torna <strong><em>Flora e Filho</em></strong> um filme que merece a atenção do espectador. O diretor conduz tudo de maneira extremamente delicada, sem apelar para o dramalhão fácil, mas construindo personagens carismáticos e admiráveis através de atores que conseguem sustentar esse aproach do diretor, da protagonista Eve Hewson ao menino Orén Kinlan, passando ainda por Jack Reynor que interpreta o ex de Flora e pai da Max até Joseph Gordon-Levitt que vive o professor de música.</p>
<p><strong>Direção:</strong> John Carney</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Eve Hewson, Joseph Gordon-Levitt, Orén Kinlan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/YWMZU_d1GQI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Passagem (Apple TV+)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 14:55:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em Passagem tudo é sobre camadas progressivamente sendo reveladas. Há uma jornada do espectador em descobrir o que há no passado da protagonista do filme, Lynsey (Jennifer Lawrence, Não Olhe Para Cima) e aqueles que a cercam. Já nos primeiros minutos de exibição é possível compreender que nem o roteiro e nem a direção irão entregar todo o contexto da trama imediatamente e isto funciona, inicialmente, pois há um processo de surpresas e envolvimento gradativo com a história, mas este [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em <strong><em>Passagem</em> </strong>tudo é sobre camadas progressivamente sendo reveladas. Há uma jornada do espectador em descobrir o que há no passado da protagonista do filme, Lynsey (Jennifer Lawrence, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/"><em>Não Olhe Para Cima</em></a>) e aqueles que a cercam. Já nos primeiros minutos de exibição é possível compreender que nem o roteiro e nem a direção irão entregar todo o contexto da trama imediatamente e isto funciona, inicialmente, pois há um processo de surpresas e envolvimento gradativo com a história, mas este recurso acaba se esgotando nele mesmo, pois uma sensação de repetição se alastra e resta uma impressão de que o desenrolar de cada situação acaba por se alongar demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, no início da sessão esta característica funciona, sendo que o tempo para contar os detalhes sobre Lynsey é mais forte no primeiro ato, pois é quando se tem menos diálogos e quando as imagens são um tanto misteriosas, em sua decupagem e montagem. </span><span style="font-weight: 400;">Um exemplo é o começo da produção, quando o público vê apenas o rosto de Lawrence lateralmente. Aos poucos, a situação na qual ela se encontra vai sendo desvendada, tanto o aconteceu com ela quanto quem são as pessoas perto dela é contado pouco a pouco. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Este caminho é também percorrido pela trajetória da própria personagem principal, que entende mais sobre ela mesma, enquanto a narrativa se desenvolve. </span><span style="font-weight: 400;">Entre tons de melancolia e oscilações qualitativas, o que há de mais especial no longa-metragem, no entanto, é a construção da relação entre Lynsey e o seu novo conhecido James (Brian Tyree Henry). Existem dois pontos principais para que a interação desta dupla funcione tanto. O primeiro elemento basilar para que o sucesso da dinâmica de Lynsey e James aconteça está nos diálogos entre eles que, assim como a obra inteira, possuem revelações lentamente convocadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, eles vão se conhecendo, aproximando-se, afastando-se etc. </span><span style="font-weight: 400;">A lógica de contenção de informação versus compartilhamento exagerado delas traz um tom realista, que gera uma espécie de empatia, principalmente para quem já vivenciou algum momento muito difícil e doloroso e encontrou algum interlocutor com tantas semelhanças de experiências. E são nestas dualidades individuais e do próprio relacionamento deles que camadas elaboradas são colocadas, conectando quem assiste ainda mais com o enredo.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16517" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4.jpg" alt="Passagem" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/03/causeway-4-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, as atuações de Jennifer e Brian ajudam a fomentar esta química dos intérpretes na tela, que não é sobre um estabelecimento de romance, porém de uma cumplicidade intensa. </span><span style="font-weight: 400;">Essa característica trazida pelos atores está nos jogos cênicos dos dois, nos silêncios, nas movimentações corporais, que jogam com a dúvida sobre qual é, de fato, o envolvimento entre Lynsey e James. No entanto, faz-se necessário apontar que é justamente neste desejo de focar nesta dubiedade que o filme se perde. Existiam, na verdade, algumas opções de encaminhamento narrativo aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Explorar mais o passado de James ou investigar melhor a razão da obsessão principal de Lynsey (voltar para a guerra) seria uma forma de tornar o longa mais coeso, talvez. </span><span style="font-weight: 400;">O tom da dúvida, até o confronto derradeiro entre eles, acrescenta complexidade para as personagens, porém a questão é o tempo gasto nesta confusão de Lynsey. A metade da sessão também parece um tanto truncada, quando o comportamento obsessivo dela não consegue ser tão justificável, porque não há um investimento em tratar sobre as verdadeiras tensões de sua vida, como a razão da casa dela ser tão opressiva ao ponto de a colocar neste lugar de desespero interno tão forte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> O enfoque passa a ser apenas até onde Lynsey vai no seu jogo com James, por isso f</span><span style="font-weight: 400;">alta ao roteiro uma compreensão de quais os reais problemas da jovem e qual é o conflito central da trama. Todavia, essas dispersões não atrapalham de forma tão profunda o resultado geral. A direção de Lila Neugebauer (<em>Room 104</em>) ajuda a equilibrar estas quedas de qualidade presente na história, pois a cineasta consegue ampliar os sentidos interpretativos do filme, criando um paralelo do que é mostrado nos enquadramentos com o que Lynsey e James querem mostrar um para outro de quem eles são e vivenciaram antes de se conhecerem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho da equipe de arte e da fotografia também ajudam nesta ampliação de transcrição dos significados, porém há certo exagero em alguns signos, como a cor azul, que aparece exageradamente nas roupas e ao redor de Lynsey, reforçando uma melancolia presente nela e essa saudade que ela possui do seu trabalho anterior, que já é intensa em toda a projeção: nos diálogos, nos planos, nas músicas e na arte. Mas, dentro de alguns exageros, <em><strong>Passagem</strong> </em>consegue emocionar e prender a atenção na maior de sua duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Lili Neugebauer</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Brian Tyree Henry, Jayne Houdyshell</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/9nnvSJupn2E" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Operação Cerveja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Oct 2022 18:49:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV]]></category>
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		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
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		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de vencer um Oscar controverso de melhor filme com Green Book em 2018, um longa que rendeu inúmeras discussões sobre a ideia do white savior (o herói branco), Peter Farrelly poderia ter a chance de se redimir com o público em Operação Cerveja, seu filme seguinte que está disponível no Apple TV +. O longa tem muitas qualidades, mas não consegue enxergar as potencialidades da sua narrativa e, sobretudo, do seu protagonista, o ator Zac Efron (Baywatch), em momento [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de vencer um Oscar controverso de melhor filme com Green Book em 2018, um longa que rendeu inúmeras discussões sobre a ideia do white savior (o herói branco), Peter Farrelly poderia ter a chance de se redimir com o público em <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, seu filme seguinte que está disponível no Apple TV +. O longa tem muitas qualidades, mas não consegue enxergar as potencialidades da sua narrativa e, sobretudo, do seu protagonista, o ator Zac Efron (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baywatch-s-o-s-malibu/"><em>Baywatch</em></a>), em momento inspirado. No saldo, esse novo longa do diretor apresenta até mais prós do que contras em comparação com seu filme anterior, mas nem por isso deixa menos evidente os tropeços da condução do realizador com suas histórias, sobretudo quando ele se leva a sério demais.</p>
<p><em><strong>Operação Cerveja</strong></em> conta a história de Chickie Donohue (Zac Efron), um jovem estadunidense que viaja para o Vietnã em plena guerra no final da década de 1960, com um projeto bem-intencionado, mas obviamente estúpido: oferecer cervejas aos soldados do seu país, a maioria amigos de vizinhança de Chickie, como forma de agradecimento e apoio à sua bravura. Quando chega na zona de guerra, o rapaz percebe que a realidade do conflito não é como ele imaginava e que os governantes do seu país, que ele tanto defendia e em quem tanto acreditava, estão mentindo para a população sobre a situação no Vietnã.</p>
<p>No âmago, <em><strong>Operação Cerveja</strong></em> apresenta Chickie Donohue como um sujeito fora da realidade, alienado, do tipo que acredita piamente no seu presidente sem contestar, excluindo a realidade que o cerca como parâmetro para avaliar as falas e ações do governo do seu país. Em dada discussão com o jornalista de guerra interpretado por Russell Crowe (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-thor-amor-e-trovao/"><em>Thor: Amor e Trovão</em></a>), o personagem chega a dizer que a imprensa não deveria propagar notícias ruins sobre o conflito pois estas deixam o povo estadunidense desesperançoso, ou seja, lobotomizado pela retórica do seu presidente, Chickie acredita piamente que esconder a realidade engendra algum tipo de força motora no bem-estar da população. Acredito que até aqui o leitor já tenha identificado esse perfil de figura na atual realidade do nosso país, fazendo com que algumas ideias de <em>Operação Cerveja</em> sobre a sociedade da desinformação, a pós-verdade das fake news de whatsapp, sejam atemporais na condução de governos autoritários e manipuladores.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15966" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Operação Cerveja" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/10/3349402.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Zac Efron interpreta muito bem o protagonista de<em><strong> Operação Cerveja</strong></em>, o típico estadunidense médio. Efron sabe lidar com o comportamento absurdo desse sujeito bitolado por ideias nacionalistas que acredita nas teorias da conspiração mais sem fundamento possíveis, ao mesmo tempo que compreende que o humor aqui surge como efeito colateral e não como força-motora desse personagem. Com isso, Efron consegue tornar Chickie Donohue uma figura muito crível e não uma caricatura, uma armadilha fácil na composição desse tipo de sujeito. Mesmo dando humanidade a esse sujeito, o ator não afasta essa composição de uma crítica social e política que flerta com a ironia na representação do extrato social que ele representa. Há decisões muito inteligentes no trabalho de Efron em <em>Operação Cerveja</em>.</p>
<p>O problema do longa é que Peter Farrelly parece colocar o filme o tempo todo em conflito. O diretor e roteirista não sabe se olha com simpatia para esse protagonista, que muda de percepção sobre a guerra na medida em que vivencia a violência do conflito, ou se ironiza aquele sujeito. O filme parece se colocar no fogo cruzado entre a crítica e a necessidade de construir uma jornada de redenção cheia de momentos piegas e inorgânicos para seu protagonista.</p>
<p>Nos minutos finais de <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, a inconsequência de Chickie Donohue assume ares heroicos com sua regeneração. Farrelly prefere fincar as raízes do seu filme no drama fácil do que no teor irônico que sua história parece sugerir pontualmente e que a transformaria em uma obra bem mais interessante do que é. O longa até peca na forma ingênua como constrói a jornada de regeneração de Chickie com direito até a discursos inflamados do mesmo quando ele retorna aos EUA.</p>
<p>Esta já é a segunda empreitada de Farrelly em temáticas mais sérias. Egresso de comédias como <em>Quem vai ficar com Mary?, Debi e Lóide, Eu, Eu Mesmo e Irene e O Amor é Cego</em>, talvez fizesse melhor ao diretor pensar no seu retorno à comédia. Dado o resultado de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-green-book-o-guia/"><em>Green Book</em></a> e agora em <em><strong>Operação Cerveja</strong></em>, filmes que soam como um apelo de um diretor para ser levado à sério, se moldando a fórmulas dramaturgicamente anacrônicas, é o momento de Farrelly dar vazão ao seu lado mais ácido e assumidamente cômico. Os momentos em que <em>Operação Cerveja</em> brilha são quando o diretor explora a falta de noção latente em Chickie Donohue através do desempenho certeiro de Efron. O resto do filme parece ruído e resultado da necessidade de um diretor que parece ainda buscar aprovação da crítica e dos prêmios.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Peter Farrelly</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zac Efron, Russell Crowe, Bill Murray, Kyle Allen</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/FT9vaIdGTbg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Red Rocket</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2022 21:13:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Prime Video]]></category>
		<category><![CDATA[Red Rocket]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Da safra atual de realizadores estadunidenses, sem dúvidas, Sean Baker é um dos mais interessantes expoentes. Com títulos como Tangerine e Projeto Flórida no currículo, o diretor tem um apreço especial por protagonistas que estão à margem da sociedade, afastando-se de cenários glamourizados dos EUA na medida em que privilegia classes mais baixas em suas histórias, apresentando suas realidades duras, mas também evitando qualquer estigmatização a partir de inserções pontuais de ludicidade em suas vidas. Red Rocket mantém a assinatura [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Da safra atual de realizadores estadunidenses, sem dúvidas, Sean Baker é um dos mais interessantes expoentes. Com títulos como <em>Tangerine</em> e <em>Projeto Flórida</em> no currículo, o diretor tem um apreço especial por protagonistas que estão à margem da sociedade, afastando-se de cenários glamourizados dos EUA na medida em que privilegia classes mais baixas em suas histórias, apresentando suas realidades duras, mas também evitando qualquer estigmatização a partir de inserções pontuais de ludicidade em suas vidas. <em><strong>Red Rocket</strong></em> mantém a assinatura do diretor nesse sentido.</p>
<p>O longa apresentado no Festival de Cannes do ano passado traz como centro da sua narrativa o ex-ator pornô Mikey Saber, papel vivido por Simon Rex. Quando somos apresentados ao personagem em <em><strong>Red Rocket</strong></em>, ele &#8220;não tem onde cair morto&#8221; e vai parar na casa da ex-esposa e da sogra em sua antiga cidade natal no Texas. Sem experiência profissional no currículo além do conteúdo de entretenimento adulto, o personagem passa a se manter como traficante de drogas até que conhece a atendente de uma loja de donuts e vislumbra na moça um talento para atuar na indústria pornô. Agenciar a carreira dessa promissora estrela da indústria passa a ser a saída para Mikey sair do &#8220;fundo do poço&#8221;.</p>
<p>Na comparação com <em>Tangerine</em> e <em>Projeto Flórida</em>, <em><strong>Red Rocket</strong></em> sofre com o fato de que, apesar de ter um protagonista bastante curioso, ele não desperta tanta empatia no espectador. Mikey Saber tem aquele ar de vigarista charmoso, um sujeito egocêntrico que sempre conta a vantagem dos seus supostos feitos na indústria pornô e vive se safando de situações com seu repertório de mentiras. Simon Rex, escolhido propositalmente por Baker em função da sua conhecida passagem pelo entretenimento adulto no início dos anos 2000, faz muito pelo personagem, conferindo uma comicidade no seu decadente estilo de vida e na sua completa falta de noção da realidade. No entanto, o personagem perde quando paramos para pensar nas outras protagonistas de Baker, a menina Moonee de <em>Projeto Flórida</em> e as garotas de programa Alexandra e Sin-Dee de <em>Tangerine</em>, personagens que facilmente torcíamos por um desfecho mais favorável que suas respectivas realidades anunciavam. Mikey Saber é uma figura simpática, mas não é de todo gostável &#8211; e, nesse sentido, é até interessante perceber como Sean Baker trafega com uma personagem que exige dele uma outra chave de comunicação com o público.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15914" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/68b1fc65-3c65-4980-8f4e-fb90af3e2abc.jpg" alt="Red Rocket" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/68b1fc65-3c65-4980-8f4e-fb90af3e2abc.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/68b1fc65-3c65-4980-8f4e-fb90af3e2abc-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/68b1fc65-3c65-4980-8f4e-fb90af3e2abc-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/09/68b1fc65-3c65-4980-8f4e-fb90af3e2abc-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ao som de Bye Bye Bye do &#8216;N Sync, hit dos anos 2000, período de glória do protagonista de <strong><em>Red Rocket</em></strong>, Baker conta a história de um homem próximo dos 40 anos que não amadureceu. O diretor lança uma crítica à própria indústria pornô ao abordar, no fim das contas, quem fatura de verdade com o negócio e quem é descartado. A Mikey Saber resta viver dos seus números no Pornhub, da quantidade de prêmios que levou no &#8220;Oscar do pornô&#8221;, se alimentando de qualquer mísera atenção ou interesse que personagens como a garota do donuts ou seu vizinho mais jovem têm por sua biografia. Baker constrói uma jornada tragicômica para esse sujeito. Fruto de um sistema perverso, Mikey acabou ficando no meio do caminho na sua construção como sujeito.</p>
<p>Como estudo de personagem,<em><strong> Red Rocket</strong> </em>confirma a vocação de Sean Baker para construir jornadas complexas e repletas de subtextos para os protagonistas das suas histórias. No comparativo com os filmes anteriores do realizador, infelizmente, <em>Red Rocket</em> sai na desvantagem, mais pelas características do seu protagonista e do tipo de relação que ele constrói com o público do que pela execução do cineasta, que, mais uma vez, parece bem acertada. Enquanto em <em>Tangerine</em> e <em>Projeto Flórida</em>, torcíamos pelas protagonistas e era comovente perceber as formas como elas conseguiam driblar a aspereza de suas vidas, em <em>Red Rocket</em>, a trajetória de Mikey Saber desperta outro tipo de relação com o espectador, talvez menos engajada do ponto de vista afetivo. Nesse sentido, ainda que bem interessante, o mais recente trabalho do cineasta tem uma certa desvantagem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sean Baker</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Simon Rex, Suzanna Son</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/UPMAumx8iYc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Tragédia de Macbeth (Apple TV+)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 13:45:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[A Tragédia de Macbeth]]></category>
		<category><![CDATA[Apple TV]]></category>
		<category><![CDATA[Denzel Washington]]></category>
		<category><![CDATA[Frances McDormand]]></category>
		<category><![CDATA[Joel Coen]]></category>
		<category><![CDATA[Macbeth]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Macbeth é uma das tragédias mais famosas do mundo inteiro. Escrita por William Shakespeare, no período do teatro elisabetano, a peça já foi remontada incontáveis vezes e, obviamente, adaptada para o cinema também. Diretores como Orson Welles (1948), Akira Kurosawa (1957) e Roman Polanski (1971) entregaram as suas intensas versões da obra, no século XX. Agora, é a vez de Joel Coen (Bravura Indômita) – que dirige e roteiriza A Tragédia de Macbeth – trazer a sua visão sobre uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Macbeth</strong> é uma das tragédias mais famosas do mundo inteiro. Escrita por William Shakespeare, no período do teatro elisabetano, a peça já foi remontada incontáveis vezes e, obviamente, adaptada para o cinema também. Diretores como Orson Welles (1948), Akira Kurosawa (1957) e Roman Polanski (1971) entregaram as suas intensas versões da obra, no século XX. Agora, é a vez de Joel Coen (<em>Bravura Indômita</em>) – que dirige e roteiriza <em><strong>A Tragédia de Macbeth</strong></em> – trazer a sua visão sobre uma história tão emblemática e forte.</p>
<p>Com tanto peso e vigor que parece sair das páginas de Shakespeare, é curioso observar a leveza que Coen imprime na tela. Em preto e branco e com uma névoa presente quase a projeção inteira, são as personagens e o que elas têm a dizer que ganham destaque aqui.  A direção é assertiva e está ali a serviço dos intérpretes que, com suas caminhadas e gestos meticulosamente marcados, são quem criam a maioria das movimentações. Um exemplo é a sequência na qual Lady Macbeth (Frances McDormand) está no fundo do quadro, em um plano geral.</p>
<p>Enquanto McDormand caminha, é como se o quadro fosse fechando, até ficar em close. Esta estratégia não é nova, porém neste contexto é destacável, pois se trata de uma produção shakesperiana, que consegue, assim, englobar a teatralidade, juntamente com a técnica cinematográfica. Isto porque o foco é o texto e a atuação em cima dele. A câmera de Coen parece observar atentamente as ações filmadas, deixando que a seleção do tamanho dos quadros e que a mise-en-scène sejam pensadas para dar destaque ao que precisa ser mostrado: as emoções das personagens, a sordidez de seus atos e o grau de intimidade que possuem.</p>
<p>Desta maneira, o cenário contribui para fomentar a forma como esta narrativa será transmitida. Existem dois aspectos marcantes neste sentido. O primeiro é o fato da cenografia remeter ao que se é feito em um palco teatral, pois, novamente, direciona o foco para as interpretações e para outras sensações presentes na dramaturgia de <em>Macbeth</em>, como a fragilidade e artificialidade das relações. A segunda é a escolha de se pautar na geometria para pensar todo o espaço cênico.</p>
<p>A lógica da perspectiva joga com a profundidade dos locais, principalmente nas sequências de encontros entre o Macbeth (Denzel Washington) e a Lady. É como se o espectador de <em><strong>A Tragédia de Macbeth </strong></em>conseguisse ir fundo na trama, no que a dupla esconde e planeja a cada ato escuso. Ao mesmo tempo, ao redor deles e todos os coadjuvantes que os cercam, estão as formas geométricas literalmente. Quadrados, retângulos e arcos fazem os sentidos borbulharem na tela e aumentam as possibilidades de construção dos papéis dentro do longa-metragem.</p>
<p>Quem está em posição de fragilidade? E de poder? Quem mente ou quem está cercado? Ao tempo, o recurso também configura a clausura ainda mais intensificada de alguma figura dramática* ou um destaque para ela. Com a razão de aspecto mais restrita (4&#215;3), quando os quadrados surgem no ecrã, eles se sobressaem ainda mais, como na última aparição das três bruxas, num contra-plongée. Macbeth, aqui, já está esmagado por suas ações e quase sem escapatória, ainda que sem notar a proximidade de sua derrota.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15136" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito.jpg" alt="A Tragédia de Macbeth" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/01/A-Tragedia-de-Macbeth-O-Rei-Duncan-e-o-seu-sequito-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>São nestes caminhos que Joel e seu diretor de fotografia, Bruno Delbonnel (<em>Eterno Amor</em>), conseguem ampliar os significados transmitidos no filme. Bruno, ainda, trabalha a iluminação com sagacidade, também investido na investigação dos sentimentos e intenções das personagens, bem como na conferência de poder e a sua ausência. Onde a luminosidade estará alocada é uma pista do quão perdido, bem ou mal estão todes.</p>
<p>Por fim, mas não menos relevante, pode-se apontar as interpretações de Frances McDormand (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nomadland/"><em>Nomadland</em></a>) e Denzel Washington (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-limite-entre-nos/"><em>Um Limite entre Nós</em></a>) em <em><strong>A Tragédia de Macbeth</strong></em>. Ambos demonstram uma consciência espacial e corporal ao tensionar os músculos corretos e ao se deslocarem com bastante precisão. O corpo trágico possui as suas especificidades e o tônus da cintura para cima é uma delas.</p>
<p>Com as tensões postas nos lugares exatos, com olhares que mal piscam e uma tonalidade na fala, que mescla imponência e pavor, a dupla capta a complexidade do casal Macbeth. Há um jogo de velocidades na forma de dizer o texto, que diversas vezes está quase “cuspido”, juntamente com os passos lentos, corpo retilíneo e teso que os deixam com mais camadas.</p>
<p>É neste trabalho de Frances e Denzel que o público pode captar o caráter dos Macbeth e como eles são pérfidos e cruéis. O que eles sentem não combina com o que eles expõem para os inimigos, nem mesmo na morte, nem mesmo na loucura derradeira. Ainda assim, falta um pouco de tempo para que a dinâmica entre o casal ganhe um contorno maior. Talvez, este seja um dos poucos defeitos do longa, a presença menor da Macbeth e da Lady arquitetando na serenidade e menos no caos.</p>
<p>A loucura dos Macbeth é progressiva, bem como o desespero que vai se instalando na trajetória dele. Aqui não, ela está constante, desde o início da exibição e poderia ganhar uma subida, porque da forma como Joel a adapta em seu texto, a derrota deles já está anunciada e o triunfo soa passageiro demais. Além disso, na metade de <em><strong>A Tragédia de Macbeth</strong></em>, alguns efeitos ficam repetitivos, como as caminhadas para a mudança do enquadramento. Contudo, estas questões não comprometem a totalidade da produção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joel Coen</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Denzel Washington, Frances McDormand, Brendan Gleeson.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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<p>*Dramático aqui no sentido aristotélico.</p>
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