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	<title>Arquivos Anthony Russo - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Anthony Russo - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Agente Oculto (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 21:19:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É tudo muito pop em Agente Oculto! Seja por seu elenco cheio de figurinhas comumente vistas em Hollywood &#8211; como Ryan Gosling, Chris Evans ou a Ana de Armas-, pela direção dos Irmãos Russo (Vingadores: Ultimato) ou por ser da Netflix, esta é uma produção que quer fazer honra ao seu estrelato e ser cool em cada minuto de sua projeção. Aí, é só chamar o Herry Jackman (Jumanji: Próxima Fase) para trazer uma junção de músicas eletrizantes, colocar menos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É tudo muito pop em <strong><em>Agente Oculto</em></strong>! Seja por seu elenco cheio de figurinhas comumente vistas em Hollywood &#8211; como Ryan Gosling, Chris Evans ou a Ana de Armas-, pela direção dos Irmãos Russo (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>) ou por ser da Netflix, esta é uma produção que quer fazer honra ao seu estrelato e ser cool em cada minuto de sua projeção. Aí, é só chamar o Herry Jackman (<em>Jumanji: Próxima Fase</em>) para trazer uma junção de músicas eletrizantes, colocar menos de um segundo para cada plano e transformar um elenco super expressivo fora dali em um nível Keanu Reeves de atuação e se tem o pacote completo deste filme.</p>
<p>E o que isso quer dizer? A primeira coisa que se pode falar é que a maior parte do elenco não consegue imprimir uma emoção na expressão facial. Os textos são ditos de forma mecânica, quase robótica. A única exceção, talvez, seja Wagner Moura (<em>Cidade Baixa</em>), que faz uma pequena participação como Laszlo. Mas, isto não quer dizer que ele estava bem, pelo contrário. Fugindo da neutralidade de sentimentos, Moura vai para a outra ponta e carrega nas tintas. Laszlo é cheio de trejeitos corporais e uma entonação exagerada. Essa característica do <em>casting</em> afasta uma conexão com o público, porém este não é o ponto mais difícil de lidar durante a projeção.</p>
<p>Algumas vezes, circula por aí uma ideia de que filmes de ação precisam ser cobertos de correria e adrenalina. Essa noção está impregnada neste longa-metragem. Não existem respiros aqui e isso acaba deixando a tarefa de torcer pelo protagonista Six (Gosling) muito mais complicada. Nesse sentido, as sequências mais intensas de suspense e luta são as que mais funcionam, justamente porque é onde o esmero e o talento dos envolvidos parecem estar. As movimentações de câmera, os efeitos especiais e as coreografias se juntam para causar uma sensação de falta de ar em que assiste.</p>
<p>Os movimentos corporais dos intérpretes, principalmente Gosling, são precisos e deixam que o público consiga fruir com atenção cada soco, chute, empurrão etc. No entanto, a tensão evapora se o público não se importar com a vida dos mocinhos. Se Gosling não consegue sustentar o seu carisma nesta personagem inexpressiva, de Armas menos ainda. É irritante como ela ocupa uma posição no cinema daquela mulher que quase consegue fazer alguma coisa. É como se ela sempre pudesse salvar o dia, mas ninguém vê isso acontecendo e ela acaba se tornando uma sidekick genérica.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15844" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1.jpg" alt="Agente Oculto" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em <strong><em>Agente Oculto</em></strong> não é diferente e ela se torna tão irrelevante para a trama que é possível esquecer dela em vários momentos da narrativa. Já os supostos vilões são Carmichael (Regé-Jean Page) e Llyod (Chris Evans). O primeiro não ganha espaço de tela o suficientemente para que possa desenvolver seu papel, mas, até onde é mostrado, também não apresenta camadas, é insosso e suas motivações são aleatórias. Já Llyod é o pior de todos. Evans conseguiu a proeza de ser caricato e inexpressivo ao mesmo tempo. Além disso, as atitudes de Llyod, mesmo ele sendo totalmente perturbado mentalmente, não fazem sentido algum.</p>
<p>Quem invadiria a cidade de Praga e mandaria todo mundo sair atirando? Até mesmo dentro da história esta ideia estapafúrdia é comentada, mas, mesmo assim, há um ponto contraditório neste ato, porque Llyod é introduzido como um louco, mas um louco que apresenta resultados. Inicialmente, ele parece minimamente esperto e sagaz, porém, ao passo em que a trama avança, ele vai piorando e, no final do longa, já não parece a mesma personagem. De assustador, ele começa a soar como um mero sanguinolento com ausência de inteligência. Isso só funcionaria se existe um arco dramático para que ele pudesse ir se transformando, mas não é o que ocorre aqui.</p>
<p>Desta forma, <strong><em>Agente Oculto</em></strong> é cansativo, contando apenas com alguns momentos de diversão, como toda a sequência com a ex-detetive Margaret (Alfre Woodard). Ela ganha poucas cenas, mas que é uma das poucas figuras que o público pode se sentir próximo. Esta é uma coisa curiosa, na verdade. Porque mesmo com breves minutos, há um impacto no sacrifício dela e somente duas coisas explicam esta força: a atuação de Woodard e um flashback dela, que é o único que funciona, porque consegue amarrar passado e presente de tal maneira que é emocionante acompanhar o que ocorre com Margaret.</p>
<p>No mais, a obra poderia ser, de repente, um videoclipe? Com takes cheios de movimentos absurdos de câmera e Ryan Gosling performando masculinidade tóxica, sem mexer uma sobrancelha, esta é produção esquecível.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joe e Anthony Russo</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ryan Gosling, Chris Evans, Ana de Armas, Regé-Jean Page</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/bsRwoMfiQI8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vingadores: Ultimato (SEM SPOILER)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Apr 2019 14:45:28 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. Vingadores: Ultimato chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de Guerra Infinita (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A jornada do herói tem seu fim. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> chega aos cinemas com o objetivo de impressionar os fãs do Universo Estendido da Marvel (MCU) a partir de uma narrativa cheia de surpresas e emoção. A grandiosidade do longa-metragem se apresenta desde a sua duração até as pomposas cenas de batalha. A produção tenta seguir a mesma linha de <em>Guerra Infinita</em> (2018) e trabalha a visualidade e a dinâmica dos acontecimentos de tal forma a prender o público desde seus primeiros minutos de tela.</p>
<p>A construção do MCU pode ser analisada através do conceito de Joseph Campbell de monomito – também conhecido como jornada do herói. O ciclo de Campbell é visto em cada uma das três fases do MCU – representando os três atos do caminho a ser trilhado pela figura heroica. A Fase Três da Marvel – iniciada em <em>Guerra Civil</em> (2016) – estabelece as mudanças significativas que desencadeariam os acontecimentos começados em <em>Infinity War</em> cuja conclusão só ocorre em <strong><em>Endgame</em></strong> (título original). O contraponto, a mudança e o confronto final são os focos desse último ato elaborado pela Marvel Studios. Todos os elementos criados até então foram pensados para que os Vingadores vivessem essa última tarefa.</p>
<p>Após Thanos (Josh Brolin) devastar metade da população do universo, os Vingadores encontram-se desmantelados. Os membros da equipe de super heróis que viveram ao estalo estão devastados com a perda da batalha. Mesmo com todo esse sentimento de culpa e dor e sem o Tony Stark (Robert Downey Jr.) – cujo está perdido no espaço com a Nebulosa (Karen Gillan) –, Capitão América (Chris Evans) e Viúva Negra (Scarlett Johansson) continuam a buscar pelo Titã louco para detê-lo e reverter o estrago feito pelas Joias do Infinito. Em meio a isso, a enigmática volta do Homem-Formiga (Paul Rudd) parece trazer uma nova solução para o problema e faz com que os Vingadores remanescentes se reúnam para uma tentativa final de consertar o erro.</p>
<p>No novo longa, o desenvolver do episódio final é dividido em dois momentos: a primeira parte é dinâmica, explicativa e chocante enquanto a segunda é lenta, emocional e cheia de reviravoltas. A narrativa se estabelece a partir da ideia de resolução das questões em aberto. Os primeiros 20 minutos de tela causam uma sensação de desnorteamento pela quantidade de incidentes ocorridos. Apesar do impacto positivo causado nessa espécie de prólogo, existem algumas saídas escolhidas para a história que são mal trabalhadas. O Homem-Formiga saindo do reino quântico e a salvação de Tony Stark e Nebulosa do espaço são exemplos de situações malfeitas. Os <em>plots twists</em>, contudo, conseguem superar esses defeitos da primeira parte do longa e podem acabar passando despercebidos para alguns.</p>
<p>Em seu segundo momento, a produção remonta a força de grandiosidade existente em <em>Guerra Infinita</em> e executa todas as soluções apresentadas pelas personagens. Com todos os percalços óbvios de uma jornada heroica, os Vingadores confrontam sua própria realidade. Existe uma preocupação do filme em amarrar e retomar todos os pontos subentendidos, mal resolvidos e esquecidos dos seus antecessores. A segunda parte do longa, portanto, se atenta com o esclarecimento dessas questões e com o tão esperado confronto final entre os heróis e seu maior inimigo.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10453" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Vingadores: Ultimato" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/04/3026181.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely (<em>Guerra Civil</em> e <em>Guerra Infinita</em>) peca em alguns momentos. Diferente do capítulo anterior, nem todas as personagens são bem aproveitadas. Mais uma vez a Marvel insiste na mudança de estilo de Thor – a qual foi sucesso entre alguns fãs em <em>Ragnarok</em> (2017) –, da mesma forma o estúdio, novamente, subaproveitou a Capitã Marvel. Apesar da super heroína ter sido vendida como a solução para os problemas do outro filme, ela foi pessimamente explorada durante a produção. Além disso, existem dúvidas quanto a alguns acontecimentos pontuais dessa produção que ficam sem explicação. Independente dos 181 minutos de duração, a obra conseguiu deixar o público confuso com algumas de suas saídas mal explicadas.</p>
<p>O ritmo da narrativa, contudo, faz do filme uma experiência prazerosa. Apesar das falhas e questões mal trabalhadas no roteiro, o longa-metragem imprime uma qualidade que segue a linha das outras produções. O capítulo final não deixa de cumprir sua função para o universo e tampouco decepcionará os fãs – seja dos filmes ou quadrinhos. Os co-roteiristas souberam usar muito bem os momentos de embate e os <em>plots</em> para criar esse apego a trama. A emoção é constante e bem executada, as personagens que eles se propõem a trabalhar de verdade são bem desenvolvidas e o momento ápice da história carrega a essência dos últimos 11 anos de trabalhos da Marvel Studios.</p>
<p>Mais uma vez os irmãos Russo emplacam o que será, provavelmente, seu maior sucesso. <em><strong>Endgame</strong></em> abrange ideias e caminhos surpreendentes. A condução dessa narrativa é bem regida por Anthony e Joe e proporciona aos fãs um último vislumbre ao que eles conhecem. Os diretores souberam criar uma boa despedida. Existe um clima nostálgico e saudosista do início ao fim da película. A sensibilidade reina durante as três horas de filme – seja pelo teor das cenas, seja pela representatividade que a produção tem para o MCU – e ela conduz o espectador. O público é pego pelo coração pela forma como os irmãos elaboram as cenas, o desencadeamento das ações e a própria emoção.</p>
<p>Apesar das falhas com figuras como Capitã Marvel e Thor, <strong><em>Ultimato</em></strong> tem uma presença de personas maior que seu antecessor. Mesmo com esse desafio, os irmãos Russo e os co-roteiristas Markus e McFeely decidem por criar mininarrativas dentro do conflito maior. É como se dentro da jornada do herói existisse um embate particular que cada um deles precisa resolver. Gavião Arqueiro, Viúva Negra, Homem de Ferro e Capitão América são algumas das personagens destaque da narrativa cujo aproveitamento foi correto. Cada uma de suas ações e vivências durante o conflito final são extremamente representativas para o universo e para o futuro do MCU e das personagens.</p>
<p>Em meio a toda essa batalha dentro e fora das telonas, a produção acerta com outro trabalho que terá uma vida longa nos multiplex e arrecadará montanhas de dólares. É inevitável pontuar e impossível de não perceber os erros cometidos quando se pensa sob uma perspectiva do que seria uma criação cinematográfica completa. <strong><em>Vingadores: Ultimato</em></strong> finaliza a jornada do herói com alguns tropeços, mas, ainda assim, marcará o gênero. O longa é, entretanto, tecnicamente inferior a <em>Guerra Infinita</em> por comportar uma mesma grandiosidade de tempo, personagens e narrativas paralelas, porém o fazendo com alguma – mesmo que pequena – dificuldade.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joe Russo, Anthony Russo<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Brie Larson, Paul Rudd, Don Cheadle, Karen Gillan, Josh Brolin, Gwyneth Paltrow, Jon Favreau, Chris Pratt, Elizabeth Olsen, Danai Gurira, Benedict Wong, Tessa Thompson, Anthony Mackie, Sebastian San, Chadwick Boseman, Dave Bautista, Evangeline Lilly, Tom Holland, Michelle Pfeiffer, Tilda Swinton, Letitia Wright, Linda Cardellini, Natalie Portman, Rene Russo, Zoe Saldana, Tom Hiddleston, Michael Douglas, Samuel L. Jackson, Stan Lee, Benedict Cumberbatch</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/4QRdB4RAQMs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Capitão América &#8211; Guerra Civil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Apr 2016 15:26:23 +0000</pubDate>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em um momento crucial de <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil</i>, sendo mais específico, o duelo final entre os dois personagens centrais desse filme (o Capitão América e o Homem de Ferro) parte da essência da clássica e cultuada série de HQs <i>Guerra Civil </i>da Marvel é transposta em um filme que não faz questão alguma de prestar obediência (e nem deveria ou teria a obrigação de fazer isso) aos quadrinhos. Existem dois modelos de condutas bem claros que são postos em conflito e, nesse ponto do texto, inevitavelmente, recorrerei a <b><u>SPOILERS</u></b>, portanto, <b>SE NÃO ASSISTIU AO FILME, NÃO CHEGUE AO FINAL <u>DESSE PARÁGRAFO INTRODUTÓRIO</u></b>. O Homem de Ferro questiona o <i>status </i>de herói do Capitão América, atribuindo a sua fama a uma simbólica indumentária e ao seu poderoso escudo, que, por sinal, fora feito com o dinheiro e a tecnologia do seu pai, afirma Stark. Imediatamente, Steve Rogers abandona o seu escudo e posteriormente, em uma carta, os próprios Vingadores (mesmo que momentaneamente, é verdade), deixando claro que o que o torna um herói não é o escudo, a roupa ou mesmo o reconhecimento público conferido pela simbologia em torno do Capitão América ou do <i>status </i>legal de líder dos Vingadores, mas sim a sua conduta ética. Esse talvez seja o ponto máximo em que <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil </i>consegue levar a Marvel Studios a um patamar um pouco acima do perfil burocrático que os seus filmes seguiram até então, permitindo discussões tão interessantes quanto aquelas que foram provocadas por <i>Guerra Civil </i>nas HQs.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><b>O FILME <u>SEM SPOILERS </u>AGORA</b>. E <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil </i>segue esse tom. O filme está longe de seguir a urgência das HQs <i>Guerra Civil</i>, que trazia discussões sobre a conduta dos EUA pós-11 de setembro em sua atuação contra o terrorismo numa oposição entre segurança (defendida pelo Homem de Ferro) e liberdade (Capitão América) &#8211; e desculpem as comparações, mas é inevitável, o próprio filme se submete a esse risco quando se intitula <i>Guerra Civil</i>. Essa corajosa discussão política, contudo, é diluída no longa, que não toma decisões tão enérgicas assim sobre o futuro dos seus personagens quanto seu vínculo prometera. No filme dos irmãos Russo, existe um conflito ideológico em &#8220;carne viva&#8221;, mas as motivações são muito mais de ordem pessoal, sobretudo pelo ponto de vista do Tony Stark.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>E antes que alguns comecem a virar o nariz para o que escrevo sobre o filme, problematizar esse aspecto da obra, que, na verdade, acaba externando um &#8220;calcanhar de Aquiles&#8221; de toda a produção da Marvel Studios nesse projeto <i>Vingadores </i>desde o longa <i>Homem de Ferro </i>em 2008, não implica que este que vos escreve não reconhece as qualidades desse longa em especial e de tudo a Marvel e seus produtores fizeram até aqui. Acontece que, o resultado de <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil</i>, ainda que consiga ser mais corajoso, maduro e com personalidade do que outros trabalhos da Marvel Studios, é obstacularizado pelo receio que os envolvidos sempre têm de produzir uma obra que desagrade um nicho do público. Os filmes são homogêneos e não tem muita coragem para tomar decisões extremas que, de fato, possam elevar o tom de urgência de seus temas e modificar drasticamente o curso dos seus personagens, levando-os a mudanças mais radicais. Mesmo em <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil</i>, talvez o longa que assuma as decisões mais enérgicas do estúdio com relação às dinâmicas dos seus personagens, qualquer movimento além do esperado para um filme Marvel Studios é inibido por alguma piada ou mesmo um <i>happy end</i>.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p> Manter esse tom é errado? Não necessariamente, e talvez essa reflexão particular que faço em formato de crítica seja uma questão de &#8220;paladar&#8221; cinematográfico do autor desse texto. Acontece que quando temos uma linha ascendente de longas que demonstraram desejar ir além do &#8220;feijão com arroz&#8221; da Marvel Studios (um &#8220;feijão com arroz&#8221; bom, mas que não deixa de ser um &#8220;feijão com arroz&#8221;) como <i>Capitão América 2 &#8211; Soldado Invernal </i>e, até mesmo, <i>Guardiões da Galáxia</i>, <i>Homem-Formiga </i>e <i>Capitão América &#8211; O Primeiro Vingador</i>, longas que permitiram, em diferentes tons, aos seus diretores irem além do manual Marvel de fazer filmes e imprimiram uma certa personalidade aos projetos, cria-se uma expectativa grande para um longa com a dimensão prometida em <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil</i>, que não deixa de esgarçar as possibilidades dramáticas do universo, mas que também é muito tímido em determinados momentos nos quais visivelmente poderia colocar a produção do estúdio em outro patamar. Acredito que essa problematização/ reflexão seja importante para que a gente possa sair dessa polarização pobre que costuma dominar a discussão sobre o cinema nos últimos tempos, simplificando as coisas entre o &#8220;gosto&#8221; ou &#8220;não gosto&#8221;, entre aqueles que odeiam e amam sem concessões os filmes. Esse tipo de exercício reflexivo, acredito, é interessante e bem-vindo, enriquece o debate e nossa percepção não apenas sobre a obra em si, mas sobre o que ela representa e traz do seu próprio modelo de produção.</p>
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<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-5952" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/04/13059445_10206665833941343_1172456252_n.jpg" alt="13059445_10206665833941343_1172456252_n" width="610" height="348" /></p>
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<p>Sobre o filme em si, <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil </i>é uma experiência bem divertida e é interessante notar como os irmãos Joe e Anthony Russo conseguem costurar a trama do longa e desenvolver as demandas requeridas pelo seu grupo numeroso de personagens sem deixar a desejar no tratamento de nenhum deles, mesmo aqueles que estão no filme como alívio cômico somente, como é o caso do Homem-Formiga de Paul Rudd. Claro que há um realce no tratamento que os realizadores dão ao Capitão América e ao Homem de Ferro (sobre esse último, talvez a contribuição seja muito benéfica, tendo em vista o estado automático que o personagem andava de uns tempos para cá), mas há um tratamento interessante para a Viúva Negra, o Soldado Invernal, o Falcão e até para os novatos Pantera Negra e Homem-Aranha, introduzido nesse quadro de personagens de maneira resumidamente brilhante. Os diretores, assim como fizeram em <i>Soldado Invernal</i>, também conduzem muito bem as sequências de ação do filme, fazendo o espectador compreender o movimento dos seus personagens em cenas dinâmicas e marcadas por uma forte interação entre eles, além de usarem com eficiência os recursos tecnológicos à disposição de um filme desse porte.</p>
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<p>Em suma, <i>Capitão América &#8211; Guerra Civil </i>é um filme que valeu a pena esperar. É certo que chega aos cinemas coberto de expectativas e com um boca-a-boca exagerado que o anuncia como &#8220;o melhor filme de super-heróis já feito&#8221;, &#8220;o melhor filme da Marvel Studios&#8221;, &#8220;o melhor filme do ano&#8221; etc. Particularmente, e em um primeiro contato (nenhuma palavra sobre obra alguma pode ser definitiva e está sempre sujeita a revisões), não vejo o filme se enquadrar em nenhum desses títulos. É um longa marcado pelos momentos mais dramáticos e pelas decisões mais extremas do estúdio com relação aos seus personagens, muito eficiente técnica e narrativamente, mas que também sofre por ser uma história que tem o potencial de ir além do que realmente foi e que não avança mais em prol de todo um manual de produção cinematográfica que é muito cômodo aos envolvidos. Tem infinitas qualidades, mas também é um filme cujos falhas são reflexo de uma política diplomática da Marvel Studios de atender a várias demandas ao mesmo tempo (às do público nerd, dos cinéfilos, do espectador esporádico de cinema etc.) que, curiosamente, é responsável pelos seus méritos. Entrega uma narrativa &#8220;basicona&#8221; que vai um pouco além do que a gente está acostumado a ver eles realizarem, mas que também não é marcada por tanta coragem assim quanto se esperava, sobretudo depois de um filme tão interessante quanto <i>Capitão América 2 &#8211; O Soldado Invernal. </i></p>
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