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	<title>Arquivos Andrea Riseborough - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Andrea Riseborough - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Adeus, June (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 19:19:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Kate Winslet (Titanic) é uma artista esforçada. Além de ser uma intérprete que sempre elevou seu potencial dramático (até agora), Winslet demonstra realmente se importar com os seus projetos, tanto em termos do que ela oferta como resultado de seu trabalho, como quando está dando entrevistas e participando de eventos de divulgação. No entanto, em Adeus, June, ela quis participar de funções demais e não deu conta de entregar um resultado de excelência, como se espera dela. Com um roteiro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Kate Winslet (<em>Titanic</em>) é uma artista esforçada. Além de ser uma intérprete que sempre elevou seu potencial dramático (até agora), Winslet demonstra realmente se importar com os seus projetos, tanto em termos do que ela oferta como resultado de seu trabalho, como quando está dando entrevistas e participando de eventos de divulgação. No entanto, em <em>Adeus, June</em>, ela quis participar de funções demais e não deu conta de entregar um resultado de excelência, como se espera dela.</p>
<p>Com um roteiro de seu filho, Joe Anders, além de atuar e produzir, Kate quis dirigir. No final das contas, o seu longa-metragem não é terrível e seu debut como diretora não é a pior coisa do mundo, porém falta coesão, narrativa e visualmente, na obra como um todo. June (Helen Mirren) não é conhecida para além da sua versão doente, por isso ela não é uma protagonista. As personalidades de seus quatro filhos, Julia (Winslet), Molly (Andrea Riseborough), Helen (Toni Collette) e Connor (Johnny Flynn) também não.</p>
<p>A centralidade da trama é evasiva, falta quem direciona o seu conteúdo e faça o público mergulhar naquele universo. O que a história foca, na realidade, é na degradação de June, a matriarca da família, a incompetência masculina de se responsabilizar por algo, do pai, Bernie (Timothy Spall) e os atritos das filhas, que brigam pela atenção da mãe acamada. Neste sentido, esse poderia ser somente um dos lados apresentados no enredo. Mas, falta aqui uma aparente consciência sobre trama e desenvolvimento narrativo e de personagem. Não tem tensão, reviravolta, transformação expressiva das figuras dramáticas*.</p>
<p>O que mais incomoda aqui, em termos de enredo, é que falta trama. Os conflitos soam superficiais, como se Joe tivesse medo de se aprofundar mais nas emoções expostas na tela. Este não é um roteiro realmente adaptado sobre a experiência de Kate e Joe com a mãe e a avó, respectivamente, porém é inspirado na vivência dos dois. Talvez, um desejo de proteger a imagem dela, ou qualquer questão delicada deste tipo, tenha tornado tudo tão planificado. Como as camadas não são investigadas, a sessão fica cheia de momentos feitos para emocionar, que não causam a sensação esperada.</p>
<p>Além disso, a atuação de Kate nunca esteve tão mal. O texto verbal estava completamente automático, como se sua mente não estivesse presente. Os seus colegas de cena, em sua maioria, não passam vergonha, mas também não entregam grandes performances. Quem mais se destaca qualitivamente é Spall que consegue criar em sua interpretação a profundidade que falta na escrita. Tanto em termos de movimentação quanto de uso das vocalidades. Isso ajuda o seu Bernie a parecer mais crível.</p>
<p>Porque, de fato, o grande problema de <em>Adeus, June</em> é ausência de contraste. Neste sentido, em termos de iluminação e enquadramentos, a produção também é repetitiva. O que salva a decupagem é justamente a noção de Kate sobre o trabalho de ator. Através de &#8220;olhares&#8221; laterais da câmera ou dos jogos de plongée e contra plongée, o público consegue ver aquelas personas sob outra ótica. Desta forma, ainda que o ecrã pareça sempre tomado de luz hospitalar, algumas dinâmicas da direção elevam a potencialidade das cenas.</p>
<p>Assim, o longa não é exatamente ruim. Contudo, devido ao fato de existir falta de risco e criatividade, tanto em termos formais quanto discursivos, a obra é um inexpressiva. Para completar, o título é subgênero natalino, o que é bem impressionante, já que do início ao fim da sessão é quase tudo bastante triste. Não há nada que link a exibição ao festejo natalino, sendo que todo seu conteúdo poderia se passar no Halloween ou no carnaval da Bahia e não faria diferença.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção</strong>: Kate Winslet</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Kate Winslet, Andrea Riseborough, Timothy Spall</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Dramáticas no sentido de dramatúrgicas</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Adeus, June | Trailer oficial | Netflix" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/7pnmXj2EQIk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Inverno em Nova York</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Apr 2021 18:21:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um Inverno em Nova York lança uma “tese” para o espectador no seu título original (The Kindness of Strangers, no português A Bondade de Estranhos) que será desenvolvida pela cineasta Lone Scherfig ao longo do filme. Para Scherfig, em metrópoles como Nova York, formada por recém-chegados em constante dificuldade para sobreviver, cada um desses indivíduos conta com ajuda uns dos outros. Integram a trama da diretora uma jovem fugindo com os filhos do marido agressor (Zoe Kazan, de Doentes de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>lança uma “tese” para o espectador no seu título original (<em>The Kindness of Strangers</em>, no português <em>A Bondade de Estranhos</em>) que será desenvolvida pela cineasta Lone Scherfig ao longo do filme. Para Scherfig, em metrópoles como Nova York, formada por recém-chegados em constante dificuldade para sobreviver, cada um desses indivíduos conta com ajuda uns dos outros. Integram a trama da diretora uma jovem fugindo com os filhos do marido agressor (Zoe Kazan, de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doentes-de-amor/"><em>Doentes de Amor</em></a>), uma enfermeira que se dedica a terapias em grupo (Andrea Riseborough, de <em>Mandy</em>), um imigrante que trabalha na cozinha de um hotel (Tahar Rahim, atualmente em <em>O Paraíso e a Serpente</em>) e um rapaz que vive de bicos após perder o emprego (Caleb Landry Jones, de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tres-anuncios-para-um-crime/"><em>Três Anúncios para um Crime</em></a>).</p>
<p>A diretora propõe uma história multitrama nos moldes de Robert Altman com uma narrativa sem um grande protagonista e com tramas que se conectam impulsionadas pela grande temática do longa. Trata-se de uma novidade na carreira de Scherfig, que oscila entre obras inspiradas como <em>Educação</em>, longa que revelou em 2009 a atriz Carey Mulligan, e títulos medianos como o romance <em>Um Dia </em>de 2011 com Anne Hathaway no elenco. Talvez, <em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>seja o ponto mais baixo do seu currículo.</p>
<p>O longa aborda temas delicados como a situação da população sem-teto da maior cidade dos Estados Unidos, além da violência doméstica, motivo o suficiente para potencializar na obra uma atmosfera pesada. Scherfig procura suavizar a tensão desse contexto, o que é uma intenção até positiva da realizadora. No entanto, a maneira como ela faz isso em <strong><em>Um Inverno em Nova York </em></strong>soa como se Scherfig quisesse colocar para “debaixo do tapete” todas essas questões sérias que inevitavelmente acabam submergindo na história.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14053" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1.jpg" alt="Um Inverno em Nova York" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/04/FILME-THE-KINDNESS-OF-STRANGERS-117-1.jpg-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A perversidade do ser humano, seu lado violento e egoísta, que contrariam a “tese” da realizadora de que “há pessoas boas no mundo”, por mais que ela tente sufocar, uma hora surge e traz ruídos para uma história que convoca esse traço sombrio da nossa existência mas quer preenche-la de positividade. Essa tensão está presente nas telas na maneira como, por exemplo, Scherfig pasteuriza a relação abusiva e marcada pela violência doméstica sofrida pela personagem de Zoe Kazan ou mesmo sua experiência como sem-teto entrando de penetra em grandes eventos para roubar o <em>buffet </em>e alimentar seus filhos.</p>
<p>Além do que já fora apontado, algo que incomoda bastante em <em><strong>Um Inverno em Nova York</strong> </em>é a maneira estranha com que seus personagens se relacionam. Não há química alguma em um elenco que supostamente deveria inspirar sinergia, isso é ainda mais severo quando o encontro amoroso passa a ser uma pauta da história com a completa falta de sintonia entre Zoe Kazan e Tahar Rahim ou entre Andrea Riseborough e Jay Baruchel. É também estranho como essas mesmas figuras, que passaram por maus bocados em suas biografias sejam construídas na obra como figuras que são indiferentes às suas próprias dores, resultado da maneira atabalhoada com que o filme lida com o aspecto sombrio de suas existências, conforme traçamos anteriormente.</p>
<p>Com frieza e distanciamento, ao mesmo tempo em que estranhamente convoca um certo sentimentalismo, <strong><em>Um Inverno em Nova York </em></strong>se apresenta para o espectador como um filme sem “sangue nas veias”. É daquele tipo de filme cujas boas intenções colidem com a execução das suas ideias.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Lone Scherfig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zoe Kazan, Tahar Rahim, Andrea Riseborough, Bill Nighy, Caleb Landry Jones</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/TeH9-3gmOEM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Grito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Feb 2020 02:41:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os estúdios americanos insistem em criar novas versões de filmes que foram, originalmente, produzidos em outros países. Esse é o caso de O Grito. O longa japonês de 2004 fez um grande sucesso na época, reunindo fãs de terror. O diretor Takashi Shimizu soube orientar o elenco de forma a criar uma tensão constante no espectador, assim como não se furtava de dar sustos. Nesta versão de 2020, a cautela parece ter tomado conta das cenas, nos apresentando um produto [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os estúdios americanos insistem em criar novas versões de filmes que foram, originalmente, produzidos em outros países. Esse é o caso de <em><strong>O Grito</strong></em>. O longa japonês de 2004 fez um grande sucesso na época, reunindo fãs de terror. O diretor Takashi Shimizu soube orientar o elenco de forma a criar uma tensão constante no espectador, assim como não se furtava de dar sustos. Nesta versão de 2020, a cautela parece ter tomado conta das cenas, nos apresentando um produto raso e sem propósito.</p>
<p>Começamos o longa com uma mulher fugindo do Japão depois de presenciar movimentações estranhas dentro da casa onde morava. Dá-se início então a uma sucessiva mixagem de períodos. O filme não é linear e nos apresenta anos diferentes e histórias paralelas. O objetivo é que elas se cruzem em algum momento, embora isso não se dê de forma satisfatória.</p>
<p>A ideia dos paralelos de tempo seria criar uma tensão no espectador para o que poderia acontecer mais adiante. Como uma previsão de um futuro que nós já sabemos qual é. O que acontece, no entanto, é uma imensa confusão sem propósito. As mudanças de tempo não são bem feitas, assim como as ambientações de cada ano. Vemos em 2001 carros antigos demais, como se fossem da década de 1980. Para além desses detalhes, as histórias parecem que nunca vão se cruzar. É como se o filme estivesse o tempo todo ensaiando para começar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-12442 size-full" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4260283.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="O Grito" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4260283.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4260283.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/02/4260283.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Surge aí um grande problema. <em><strong>O Grito</strong></em> tem apenas 90 minutos de projeção e passa praticamente 70 criando o enrendo de uma história, que no final das contas, não é tão interessante assim. É angustiante para o espectador saber que o filme está perto de acabar, quando temos a sensação de que ele nem começou. Personagens vazios, sem carisma, que não causam impacto no público. Para além disso, a sucessão de clichês mal trabalhados prejudica ainda mais a experiência.</p>
<p>Esta é uma temática que está cansada e foi exaurida até onde podia. Para trazer mais um longa, a proposta teria que ser bem inovadora e trazer uma nova roupagem. O que vemos, no entanto, é um filme que tenta se espelhar totalmente no primeiro que fez sucesso, adicionando elementos que não conversam com os demais e deixam o roteiro ainda mais pobre e vazio. Falta, sobretudo, susto e medo. O que é no mínimo estranho, visto que falamos de um filme de &#8220;<a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-filmes-de-terror/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">terror</a>&#8220;<a href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-227834/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">.</a></p>
<p><strong>Direção:</strong> Nicolas Pesce<br />
<strong>Elenco:</strong> Andrea Riseborough, Demian Bichir, John Cho, Betty Gilpin, Lin Shaye, Jacki Weaver, Frankie Faison</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EnAJ99Q77DY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2015 12:41:03 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/02/birdman_lullydeverdade_02.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2687 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/02/birdman_lullydeverdade_02.jpg" alt="birdman_lullydeverdade_02" width="610" height="348" /></a></p>
<p>Birdman é uma das apostas mais fortes do Oscar deste ano, concorrendo a nada menos que 9 estatuetas em categorias principais como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. O longa, no entanto, ganhou pouco espaço nas salas de cinema brasileiras, já que tivemos uma avalanche de estreias nas últimas semanas. Uma pena é verdade, já que existe uma grande chance de que ele seja colocado de lado por muitos espectadores mais desavisados.</p>
<p>O filme narra a história de Riggan Thomson, um ator que fez muito sucesso no passado ao atuar em um filme de super-herói, como o personagem Birdman. Desde então, ele não consegue se desvencilhar do ícone e resolve recusar participação no quarto longa da série. A partir daí, sua carreira começa a cair, fazendo com que Riggan retorne para os palcos da Broadway, se esforçando como diretor, ator e produtor para fazer sucesso com uma peça.</p>
<p>O estilo de gravação escolhido pelo diretor Alejandro González Iñárritu é um dos primeiros pontos que chama a atenção do espectador. Com aproximações de câmera, closes nas reações dos personagens e a utilização da ferramenta como olhar do protagonista, a técnica faz com que o espectador se sinta muito mais inserido na narrativa e perceba de perto o sentimento dos atores. Além disso, o plano sequência, onde o cineasta opta por poucos cortes durante as cenas, traz mais veracidade à composição. Aliás, Iñárritu mostra toda sua capacidade profissional neste filme, quando sai de dramas como Babel e Biutiful, para fazer uma comédia dramática no melhor estilo, trazendo pontos importantes de discussão, como a fama e o declínio dela.</p>
<p>Bom, esse é o lado irônico e sarcástico do diretor. Ele mostra um ator que teve fama e sucesso, mas que ficou estigmatizado por um personagem de quadrinhos e agora tem dificuldade de desvincular a imagem e fazer outros papéis de relevância. O fato é extremamente comum na indústria cinematográfica americana, o que serve de alfinetada para ela e para os próprios críticos que rotulam um ator por conta de papéis específicos que ele realiza, às vezes em momentos iniciais de sua carreira. A escolha do ator principal foi propositalmente pensada (ou não). Mas o fato é de Michael Keaton foi (e ainda é) por muito tempo lembrado por seu papel em Batman, perdendo algumas oportunidades e deixando de ser escalado em tantos outros papéis relevantes.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Michael-Keaton-and-Edward-Norton-in-Birdman.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2688 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Michael-Keaton-and-Edward-Norton-in-Birdman.jpg" alt="Michael-Keaton-and-Edward-Norton-in-Birdman" width="610" height="348" /></a></p>
<p>Outro aspecto que merece muito destaque é a trilha sonora do filme. Todas as cenas são acompanhadas de batidas fortes e contundentes, como uma representação da angústia e ansiedade dos personagens. Além disso, em muitos momentos bandas são inseridas nas cenas, como plano de fundo para a narrativa, destacando ainda mais o detalhamento da trilha sonora. Não é à toa que o filme foi indicado em duas categorias por conta disso (Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som).</p>
<p>No entanto, embora tecnicamente o filme seja muito bom, as atuações é que são as cerejas do bolo. A começar por Emma Stone. Ela interpreta a filha do protagonista que acabou de sair de uma clínica de reabilitação por conta do abuso de bebidas alcóolicas e drogas. Ainda revoltada com tudo que aconteceu e distante do pai pelas ausências dele na infância, ela é a personificação da garota problemática. Assim como a maioria dos personagens principais, Emma tem um solo de interpretação fantástico, onde mostra toda sua revolta contra o pai. Simplesmente excelente, o que vale sua indicação como Melhor Atriz Coadjuvante ao Oscar.</p>
<p>Os atores que mais contracenam são Michael Keaton e Edward Norton. Devo dizer, inclusive, que quando estão juntos, o espectador tem dificuldade em dissociar quem é o principal e quem é o coadjuvante. Como protagonista, Keaton consegue levar o espectador do amor ao ódio em poucos minutos na busca incessante de Riggan pela fama perdida, em uma mistura constante de ilusão e realidade. Um aspecto que compõe o background do personagem é o fato dele ter “poderes mágicos”. Uma relação precisa e acertada com o fato dele tentar superar um super-herói, mas ao mesmo tempo aproveitando de sua principal característica. Já Norton atrai a atenção de qualquer pessoa com uma interpretação impecável. Seguindo um padrão desnorteado, de um cara que é excelente profissional e péssimo como pessoa, ele varia o humor conforme toca a música (referência não por acaso à trilha sonora). Quando a dupla se une, o resultado é apenas espetacular.</p>
<p>Com um trabalho meticuloso e detalhista, onde cada peça se encaixa com perfeição e a construção de cenas e personagens vai muito além do que seu resultado, o diretor Iñárritu nos oferece um filme repleto de aspectos detalhados, com um elenco integrado e equilibrado, e discussões importantes sobre a relação da sociedade com as questões emocionais de analogia com a fama, a percepção do seu redor e a tomada de decisões. Com um ritmo frenético e envolvente, Birdman se apresenta como uma excelente opção e forte concorrente ao Oscar, mostrando que a comédia também é capaz de sair do comum e trazer excelência digna de indicação pela Academia.</p>
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