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	<title>Arquivos Ana Flavia Cavalcanti - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Ana Flavia Cavalcanti - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>XX Panorama Internacional Coisa de Cinema: O Deserto de Akin</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 21:55:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O que temos de mais bonito e profundo em O Deserto de Akin são as construções de relações. Por mais que o novo longa-metragem de Bernard Lessa seja um tanto ingênuo e se perca em saídas fáceis, a sua sessão emociona e engaja. Isto se dá tanto pela discussão política, por discutir a importância do Programa Mais Médicos, quanto pelo estabelecimento dos relacionamentos afetivos entre as personagens. É satisfatório acompanhar a rotina de Akin (Reynier Morales), médico cubano, em sua jornada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que temos de mais bonito e profundo em <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> são as construções de relações. Por mais que o novo longa-metragem de Bernard Lessa seja um tanto ingênuo e se perca em saídas fáceis, a sua sessão emociona e engaja.</p>
<p>Isto se dá tanto pela discussão política, por discutir a importância do Programa Mais Médicos, quanto pelo estabelecimento dos relacionamentos afetivos entre as personagens. É satisfatório acompanhar a rotina de Akin (Reynier Morales), médico cubano, em sua jornada profissional no Brasil.</p>
<p>A maneira como o protagonista é construído &#8211; permeado de uma doçura tímida, mas direta e cuidadosa &#8211; eleva a conexão do espectador com a trama. A forma como o roteiro, escrito por Lessa, insere progressivamente o perigo que Bolsonaro representa também é bastante efetivo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O público é convocado a se apegar ao universo de Akin, ao seu deserto particular, cheio de areia que invade as casas, de romances, de amigos, de amor ao ofício da medicina e de contemplação da vida. Por isso que quando a ameaça da vitória de Bolsonaro chega, quem assiste fica arrasado junto com Akin.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro deste contexto, ele acaba por ser uma personagem bastante complexa, mesmo que a princípio ele soe como confuso, aos poucos, fica nítido que na verdade é a situação que ele vive que o torna reticente. Por isso que a atuação de Morales funciona bastante aqui.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O intérprete imprime uma aura de mistério e essa dúvida sobre o que segura Akin vai sendo desvendada: ele tem medo de se entregar e se decepcionar. Mas, aos poucos, seu corpo e seu olhar vão relaxando e o rapaz vai mergulhando neste bem estar que o Brasil e o trabalho que ele desempenha no país lhe proporcionam. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em termos de direção, Lessa vai no seguro, com uma decupagem e uma encenação bem tradicionais. Alguns momentos pediam mais risco, mais movimento ou efeito de câmera, para fomentar as tensões e sensações que estão presentes no roteiro. Talvez, o desenho de som também decepcione um tanto. </span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19363" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1.png" alt="O Deserto de Akin" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image-1-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Há uma história grandiosa sendo contada em <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> e a equipe parece se segurar e se valer somente do talento e da coragem do elenco, que é a parte da produção que faz decisões mais arriscadas. Um grande destaque neste sentido é Ana Flávia Cavalcanti, que se entrega profundamente ao seu papel.</p>
<p>A atriz constrói uma fisicalidade marcante para sua Érica. Assim, Cavalcanti revela uma consciência de elaboração de personagem nesse corpo estruturalmente pensado, mas que fica, ao mesmo tempo, orgânico. As intenções das falas são também importantes aqui.</p>
<p>Ana Flávia capta a dicotomia de Érica, e cria complexidade entre a suavidade da voz e o corpo imponente. No entanto, apesar do longa-metragem apresentar majoritariamente um bom resultado, a partir da sua metade, a sua qualidade começa a cair e não para de se perder até seu desfecho.</p>
<p>O triângulo amoroso, formado por Akin, Érica e Sérgio (Guga Patriota), não leva a lugar algum. Não chega a ser um ponto de tensão e nem de relaxamento dentro do enredo. Ficando no meio do caminho, essa parte da história faz com que a projeção fique um tanto arrastada.</p>
<p>Além disso, a partir da sequência do aeroporto, todas as soluções do roteiro soam como as mais fáceis possíveis. Bernard talvez estivesse com receio de trazer um encerramento triste. Mas, ainda que Akin terminasse o filme bem, era possível sim selecionar caminhos mais sólidos para finalizar o longa.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Após Akin aceitar a proposta de Érica, todas as sequências passam a sensação de que poderiam ser cortadas. Por isso, quando a projeção acaba, fica um desânimo e um cansaço. De toda maneira, ainda que a totalidade seja comprometida pelos seus encaminhamentos derradeiros, <strong><em>O Deserto de Akin</em></strong> é uma obra relevante para cinema nacional, por sua temática. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ela também é uma produção que conta com personagens bem elaborados e que agrada na maior parte do tempo, por tornar seu universo ficcional interessante e aproximar quem assiste do protagonista e de todos que o cercam.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Bernard Lessa</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Reynier Morales, Ana Flávia Cavalcanti, Guga Patriota</span></p>
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		<title>Crítica: Casa de Antiguidades</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Jul 2022 20:18:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ana Flavia Cavalcanti]]></category>
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		<category><![CDATA[João Paulo Miranda Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Louwyck]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dados seus últimos passos, o Brasil é um país que, infelizmente, inspira seus cineastas a colocarem nas telas uma sociedade em estado de putrefação. Não é à toa que, nos últimos anos, tivemos obras tão corrosivas quanto aos problemas nevrálgicos da sociedade brasileira, como Bacurau, Carro Rei etc. Casa de Antiguidades de João Paulo Miranda Maria segue a leva da nossa atual filmografia ao fazer um inventário das sequelas do racismo estrutural brasileiro. O longa selecionado para o Festival de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dados seus últimos passos, o Brasil é um país que, infelizmente, inspira seus cineastas a colocarem nas telas uma sociedade em estado de putrefação. Não é à toa que, nos últimos anos, tivemos obras tão corrosivas quanto aos problemas nevrálgicos da sociedade brasileira, como Bacurau, Carro Rei etc. <em><strong>Casa de Antiguidades</strong></em> de João Paulo Miranda Maria segue a leva da nossa atual filmografia ao fazer um inventário das sequelas do racismo estrutural brasileiro.</p>
<p>O longa selecionado para o Festival de Cannes de 2020 e que só estreia agora em circuito comercial conta a história de Cristóvão, papel de Antônio Pitanga, um homem mais velho que trabalha em uma fábrica de laticínios no Sul do Brasil separatista. Cristovão vive apartado da sociedade em sua casa repleta de objetos e depredada pelos vizinhos racistas (dizeres inscritos em sua parede como &#8220;Deus &#8216;assima&#8217; de todos&#8221; não são por acaso). Conforme tem contato com sua ancestralidade naquele local, Cristóvão desperta e inicia um movimento a fim de se rebelar daquelas condições.</p>
<p>É interessante como, apesar de aderir às &#8220;tendências&#8221; temáticas da filmografia do seu tempo,<strong><em> Casa de Antiguidades</em></strong> consegue se apartar daquele que se transformou no totem dessa geração, Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dorneles. Ambos denunciam um modelo de sociedade brasileira em estado de putrefação, facista, consumido por ideias de segregação, retrocessos e submissão aos colonizadores do passado. No entanto, enquanto Bacurau tem como resposta a resistência e leva para as telas personagens oprimidos que se empoderam e vão à forra, <strong><em>Casa de Antiguidades</em></strong> faz seu protagonista se insurgir, mas finca seus pés no pessimismo. No longa, a estrutura social do país está cimentada por tantos anos e qualquer ato revolucionário não consegue ter tanta força diante do avanço das ideias extremistas que o corroem.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15735" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1.jpg" alt="Casa de Antiguidades" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A despeito de toda a inspirada simbologia empregada, <em><strong>Casa de Antiguidades</strong></em> sofre o mal de produzir tensão atrás de tensão, gerando muitas expectativas no espectador, mas oferecendo muito pouco como resposta. O protagonista surge sempre como uma figura que parece hipnotizada pelas aparições e convocações sobrenaturais para esquecê-las no momento seguinte. É interessante como próximo do seu final, o personagem de Antônio Pitanga busca inspirações em um cowboy a la Clint Eastwood, uma clássica representação de masculinidade que se mostrou falida (o próprio diretor estadunidense a tem revisitado de forma bem interessante em filmes como Gran Torino, A Mula e Cry Macho), para em seguida perceber que as referências apropriadas são outras, a fantasia festiva de um touro preto que logo se transforma em uma espécie de justiceiro. Contudo, isso é oferecido ao público somente no fim de Casa de Antiguidades e até lá o espectador é &#8220;cozido&#8221; por uma séries de eventos macabros marcados não fazem o filme avançar do ponto de vista narrativo.</p>
<p>Um ponto alto do longa de João Paulo Miranda Maria é seu elenco. À frente da história, temos um Antônio Pitanga no protagonismo que lhe é merecido, trazendo para seu Cristóvão um semblante de cansaço, anestesiado pela realidade macabra que se esconde por trás do verniz de naturalidade conferido por seus cínicos e violentos patrões e vizinhos brancos. Ao mesmo tempo, o veterano conta com um elenco de coadjuvantes muito bom cujo destaque é Aline Marta Maia, intérprete da independente e segura colega de trabalho de Cristóvão que logo vira sua namorada por breves momentos do filme.</p>
<p>Há ideias muito boas e execuções isoladamente inspiradas em <em><strong>Casa de Antiguidade</strong></em>s. Infelizmente, é um longa que emperra exageradamente sua comunicação com o público pelo seu excesso de esmero na construção de uma atmosfera soturna que convoca seu protagonista à ação. Ao longo do filme, falta uma atenção na resposta desse protagonista às manifestações que tomam conta do seu cotidiano como um chamado. Assim, <em><strong>Casa de Antiguidades</strong></em> demora para oferecer algum tipo de recompensa à curiosidade que fomenta no seu espectador.</p>
<p><strong>Direção:</strong> João Paulo Miranda Maria</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Antonio Pitanga, Sam Louwyck, Ana Flavia Cavalcanti</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-de-antiguidades/">Crítica: Casa de Antiguidades</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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