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	<title>Arquivos America Ferrera - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos America Ferrera - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica O Ônibus Perdido</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 12:35:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paul Greengrass é um bom diretor, de verdade. A trilogia Bourne, Voo United 93, Capitão Phillips, Relatos do mundo etc. podem não ser os melhores longas-metragens do mundo, porém são bem dirigidos. O que acontece com O Ônibus Perdido é que, além da produção conter falhas em diversos setores, não foi o melhor momento da carreira de Greengrass na direção. Em um drama de ação, é árduo para o espectador acompanhar o que acontece ao redor das personagens. A decupagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Paul Greengrass é um bom diretor, de verdade. A trilogia <em>Bourne</em>, <em>Voo United 93</em>,<em> Capitão Phillips</em>, <em>Relatos do mundo</em> etc. podem não ser os melhores longas-metragens do mundo, porém são bem dirigidos. O que acontece com<em> O Ônibus Perdido</em> é que, além da produção conter falhas em diversos setores, não foi o melhor momento da carreira de Greengrass na direção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um drama de ação, é árduo para o espectador acompanhar o que acontece ao redor das personagens. A decupagem não fomenta a atmosfera de tensão e não deixa nítido para quem assiste o que está de fato se passando. Há uma questão grave, dentro de toda a lógica qualitativa do filme: a ausência da possibilidade de fruição verdadeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens centrais, Kevin McKay (Matthew McConaughey) e Mary Ludwig (America Ferrera), ficam preocupados com o fogo os cercam, mas o público não compreende o perigo, porque não é posto em cena, através do trabalho de Paul, onde estão os pontos de medo e tensão. No entanto, os problemas parecem já vir do roteiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptação do livro <em>Paradise: One Town&#8217;s Struggle to Survive an American Wildfire</em>, da escritora Lizzie Johnson, essa é uma história inspirada no que foi, de acordo com a Time, o maior incêndio florestal da Califórnia. Uma das narrativas presentes no material de Johnson é o resgate que o motorista de ônibus Kevin McKay fez de 22 crianças, ao lado da professora Mary Ludwig.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante fazer uma ode aos heróis do cotidiano, que não possuem super poderes e fazem coisas incríveis. Todavia, o longa novo do Greengrass não celebra bem a dupla central. Apesar da rotina intensa de Kevin ser mostrada, ela é reforçada demais e um tempo extenso para a criação de camadas de sua personalidade é perdida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mary existe na trama quase sem nuance. America tem dificuldade de inserir gradações em um texto que dá chances ínfimas da intérprete ser criativa. As frases da sua personagem são repetitivas e sem espaço para uma performance mais eficiente dentro do ônibus. Kevin até tem vislumbres de complexidade, porém a investigação de sua jornada fica apenas flertando com o profundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O seu relacionamento com o filho, com a mãe e com a ex-mulher são superficiais. Os seus desejos e sonhos não são revelados. É por isso que tanto McConaughey quanto Ferrera apresentam atuações limitadas, porque eles não têm nem de onde tirar material suficiente para construir algo bom. E para além dos diálogos rasos, a mise-en-scène pouco colabora para essa expansão que poderia acontecer na construção de papel dos dois, caso Greengrass tivesse executado melhor sua função.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso poderia vir de outros posicionamentos de câmera, de escolha de enquadramento ou, até mesmo, de movimentação de câmera. Mas, para além do diretor, a montagem também ficou aquém. Talvez, a equipe de edição(Peter Dudgeon, William Goldenberg, Paul Rubell) estivesse com um produto bruto muito ruim nas mãos, porém fica difícil saber quem foi o grande culpado (cineasta ou editores).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que fica nitidamente perceptível é que os cortes também dificultam o acompanhamento das sequências, principalmente as que são filmadas dentro do coletivo. Desta maneira, por mais que o ato de Mary e Kevin seja belo e honroso, <em>O Ônibus Perdido</em> é uma obra que peca por não saber transformar um enredo forte e relevante em imagem. O resultado final é uma sessão cansativa e confusa.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Paul Greengrass</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Matthew McConaughey, America Ferrera, Yul Vazquez</p>
<p><strong>Assista o trailer!</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe title="O Ônibus Perdido — Trailer oficial | Apple TV+" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/sayWniZT6wA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Barbie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jul 2023 20:34:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Barbie finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Barbie</strong> </em>finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por algo que não sabiam nem exatamente o que esperar. Só sabíamos do roteiro de maneira mais ampla.</p>
<p>Fico profundamente feliz em dizer que <em><strong>Barbie</strong> </em>vale toda a expectativa que foi criada. O filme é simplesmente primoroso em todos os detalhes. Começamos com o mundo encantado da Barbielândia, onde todas as bonecas vivem harmoniosamente, como num conto de fadas. Lá são as mulheres que dominam, como um grande matriarcado utópico. Elas têm a certeza de que inspiraram meninas e mulheres do mundo real a serem mais fortes e lutarem por seus objetivos.</p>
<p>As coisas começam a dar errado quando a Barbie Estereotipada (Margot Robbie, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-babilonia/"><em>Babilônia</em></a>) começa a apresentar alguns defeitos. No desespero, ela recorre à Barbie Esquisita (Kate McKinnon, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>), que sugere que ela faça uma viagem para o mundo real e resolva o problema diretamente com a sua humana responsável. No meio do caminho, o Ken (Ryan Gosling, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049</em></a>) se esconde em seu carro e decide ir junto com ela.</p>
<p>Uma premissa muito simples que vai sendo bem trabalhada desde o início. As nuances dos detalhes mostram como a boneca funciona num mundo imaginário, não apenas porque ela toma banho em um chuveiro que não cai água ou sai flutuando de seu quarto até o carro (como acontece nas brincadeiras com a boneca na vida real), mas também porque a distopia de um mundo que não oprime as mulheres é tão surreal quanto parece.</p>
<p>O roteiro, que conta não apenas com a diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>), como também com Noah Baumbach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>) traz uma melancolia discreta sobre o quão incríveis as mulheres poderiam ser num mundo onde o patriarcado não minasse suas expectativas e possibilidades. Rimos muito ao longo de todo o filme, mas sempre ficamos na dúvida se é uma risada nervosa ou despretensiosa. O tom de acidez é na dosagem certeza, trazendo sempre aquele amargor adocicado da realidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16931" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg" alt="Barbie" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Lidar com o mundo real foi um grande choque para a Barbie, descobrindo que as mulheres não são respeitadas nem ouvidas. Isso a faz sucumbir em emoções e sentimentos que nunca vivenciou anteriormente, fazendo-se questionamentos sobre o propósito da vida e qual seria o seu papel ali. Em meio a essa crise existencial profunda, o Ken, que é apenas o acessório em Barbielândia e vive em função da sua boneca, começa a usufruir daquele patriarcado onde qualquer homem sem qualidades consegue se destacar. Ele, que é um nada, vê naquilo uma esperança.</p>
<p>O filme mostra constantemente como a vida é extremamente fácil e benevolente para os homens, enquanto as mulheres precisam se desdobrar em mil e não ter nem o espaço ou reconhecimento pelo esforço. A boneca Barbie entra como uma possibilidade que foi completamente deturpada pela empresa que a detém, a Mattel (muito criticada no longa). A criadora original Ruth fala sobre a sua intenção por trás da boneca e como as coisas não saíram como esperado, justamente por conta dos homens.</p>
<p><strong><em>Barbie</em> </strong>é um filme que se aprofunda nas sutilezas de seu tema, tocando detalhes do quanto o patriarcado é nocivo para as mulheres, de uma maneira tão íntima que apenas nós mesmas vamos perceber. Definitivamente é um longa que vai funcionar diferente para cada gênero. Ainda que o homem comum possa se compadecer de toda aquela situação, ele certamente vai perder várias alfinetadas, pelo simples fato de que aquilo não o afeta em nada.</p>
<p>Alfinetadas essas que definem a trama da personagem a todo momento, nos levando do riso ao choro, sem que a gente seja nem avisado. O roteiro é impecável, a execução é primorosa e toda a expectativa que eu tinha sobre o longa foi cumprida para mais. Poucos filmes me fazem ter a sensação de que são incríveis ainda durante a sessão. E esse foi um deles. E pensar que uma boneca tão estereotipada como a Barbie pudesse render um filme altamente feminista, não é?</p>
<p>Como um soco no estômago leve, engraçadinho e muito rosa, <strong><em>Barbie</em> </strong>transcende a expectativa de que é apenas um hype blockbuster criado para vender merchandising. Acredito inclusive, que essa foi uma jogada muito estratégica e inteligente de Greta para vender mais o filme, fazer mais pessoas assistirem e ela tentar disseminar ainda mais a sua mensagem. O mundo pode ser das mulheres, sim. Mas é preciso um longo e doloroso processo de transformação para que tudo seja mudado a ponto de termos, no mínimo, um equilíbrio.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Margot Robbie, Ryan Gosling, America Ferrera, Ariana Greenblatt, Simu Liu, Kingsley Ben-Adir, Issa Rae, Michael Cera, Emma Mackey, Will Ferrell, Dua Lipa, Hellen Mirren, Ncuti Gatwa, Kate McKinnon, John Cena</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lwZTCYst6yw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/">Crítica: Barbie</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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