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	<title>Arquivos Amazon prime - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: One Night in Miami (Prime Video)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Jan 2021 19:21:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Narrando uma noite fictícia entre Malcom X (Kingsley Bem-Adir), Muhammad Ali (Eli Goree), Jim Brown (Aldis Hodge) e Sam Cooke (Leslie Odom Jr), One Night in Miami é baseado na peça homônima de Kemp Powers (Soul), que também assina o roteiro do filme. Ambientando o espectador na realidade das personagens centrais, o ritmo do longa-metragem vai se assentando aos poucos. Há uma sensação de que a obra busca preparar o público para este encontro específico. Através desta demonstração das situações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Narrando uma noite fictícia entre Malcom X (Kingsley Bem-Adir), Muhammad Ali (Eli Goree), Jim Brown (Aldis Hodge) e Sam Cooke (Leslie Odom Jr), <strong><em>One Night in Miami</em></strong> é baseado na peça homônima de Kemp Powers (<em>Soul</em>), que também assina o roteiro do filme. Ambientando o espectador na realidade das personagens centrais, o ritmo do longa-metragem vai se assentando aos poucos. Há uma sensação de que a obra busca preparar o público para este encontro específico.</p>
<p>Através desta demonstração das situações iniciais de Malcom, Ali, Jim e Sam, os embates e histórias contadas posteriormente ganham um sentido mais firme, pois há uma aproximação de quem assiste com as personalidades, lutas e perspectivas de cada um. Kemp Powers acerta ao trazer um roteiro amarrado e conciso, fechando os ciclos de cada premissa exposta durante a projeção. A estrutura de apresentação também se repete no final, quando o que ocorre com estes amigos após a reunião é revelado.</p>
<p>Esta dinâmica é favorecida pela habilidade do elenco em emular bem uma conexão prévia entre o grupo. Há uma química forte entre o quarteto em <em><strong>One Night in Miami</strong> </em>e isto é impresso com movimentações, pausas e olhares trocados por eles. A compreensão e os aborrecimentos que possuem uns com os outros se tornam mais palpáveis, porque uma espécie de narrativa prévia é impressa tanto no textualmente como no extra texto. O fato deles se conhecerem a um tempo fica nítido nas interpretações. Há uma consciência dos intérpretes em pôr em seus papéis este passado que parece tão marcante para todos ali.</p>
<p>Outro elemento que salienta ainda mais esta unidade da produção é a direção de Regina King (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-se-a-rua-beale-falasse/" target="_blank" rel="noopener"><em>Se a Rua Beale Falasse</em></a>). A mise-en-scène contribui não apenas para o aumento da intimidade do quarteto e esta ligação que eles têm, como dita o tempo e as velocidades da cena, elevando a imersão na trama. O ápice de todos estes fatores é o momento do terraço, no qual os diálogos, combinados com as marcações e enquadramentos, trazem o auge das emoções das personagens, com urgências, paixões e sentimentos expostos.</p>
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<p>O uso da técnica do audiovisual chega de maneira habilidosa, fazendo  com que o longa seja uma experiência estética intensa. Contudo, o discurso transmitido por ele é, sem dúvidas o seu ponto alto. Os posicionamentos de Malcom entram em conflito com os de Sam, Jim e Ali e nestas discussões surgem quase aulas sobre a militância e o movimento negro. Ao mesmo tempo em que as distintas formas de pensar do quarteto expandem os múltiplos direcionamentos que a população negra pode e/ou acaba precisando seguir, a ideologia de Malcom X é reafirmada, ainda que colocada como uma maneira de pensamento e não a exclusiva.</p>
<p>Entre as escolhas e renúncias, existe uma amplitude de existências de trajetórias e a exposição de como o racismo é forte e presente, independentemente do sucesso e dos caminhos selecionados. Há luta e resistência que transbordam nos quatro, mas as dificuldades e preconceitos vêm e complementam os textos ditos nas conversas deles. Existem dois exemplos fortes que ilustram esta característica. O primeiro é a performance de Sam no Copacabana e a reação da plateia branca ao vê-lo cantar. Parte vai embora, outra cochicha e faz expressão de descontentamento. O segundo é o encontro de Ali com Mr. Carlton (Beau Bridges). Quando o rapaz faz uma visita para o aparente amigo, ele recebe a informação de que não pode entrar na casa dele, porque é negro. São momentos intensos, que denunciam racismos escancarados, seja em uma vivência cotidiana da vida pessoal ou profissional.</p>
<p>Apesar de toda qualidade presente aqui, <em><strong>One Night in Miami</strong></em> peca por não saber manter toda esta construção e atmosfera criada durante a exibição. Ainda que redondo, o enredo se perde em certos momentos, como nas sequências que acontecem antes e depois da ida de Sam e Ali para uma lojinha onde compram bebidas. Além disso, os <em>subplots</em> não conseguem ter tempo para se desenvolver e alguns saltos precisam ser feitos, como a transição de Muhammad Ali, que adota este nome apenas no final da obra, tornando-se mulçumano.</p>
<p>A discussão da sua mudança de religião está presente o tempo inteiro. No entanto, quando ele está tão cheio de dúvidas na maior parte do longa que a sua batida de martelo sobre a transição religiosa soa repentina. Um pouco antes do desfecho, que encerra bem a trama, há também uma ausência em concluir a interação entre os quatro amigos, o que poderia ser positivo por deixar em aberto os atritos entre eles, mas que não contribui tanto para estes relacionamentos expostos ali.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Regina King</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Kingsley Bem-Adir, Eli Goree, Aldis Hodge</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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