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	<title>Arquivos Alexander Skarsgård - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Alexander Skarsgård - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Lee</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2024 19:58:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Escolher o enquadramento de um filme pode ser complicado. Em uma vida tão plural e diversa como a de Lee Miller (Kate Winslet) esse desafio cresce e o resultado é Lee, novo longa-metragem de Ellen Kuras (The Betrayal &#8211; Nerakhoon). A produção tem um rico material em mãos: a vida de Miller, uma fotógrafa de guerra, célebre por tirar escondido um retrato na banheira de Hitler. Todavia, ela foi mais do que isso. Foi modelo, foi uma mulher livre, depois, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Escolher o enquadramento de um filme pode ser complicado. Em uma vida tão plural e diversa como a de Lee Miller (Kate Winslet) esse desafio cresce e o resultado é </span><strong><i>Lee</i></strong><span style="font-weight: 400;">, novo longa-metragem de Ellen Kuras (The Betrayal &#8211; Nerakhoon). A produção tem um rico material em mãos: a vida de Miller, uma fotógrafa de guerra, célebre por tirar escondido um retrato na banheira de Hitler. Todavia, ela foi mais do que isso. Foi modelo, foi uma mulher livre, depois, foi mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como resumi-la? A tormenta se alastra na tela e o espectador recebe uma obra confusa. É difícil se aproximar da personagem e das suas vivências, porque as situações que convocadas não são exatamente exploradas. O público tem contato com um breve panorama de cada sensação e experiência de Miller. Ao mesmo tempo, há uma aparente vontade em emocionar e centralizar Winslet o tempo inteiro, mais como uma criação de efeito do que uma investigação concreta da personalidade, do caráter e das experiências intensas de Lee Miller.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa reiteração de um sobressalto, causado pela guerra, não atinge quem acompanha a jornada de Miller rumo à cobertura da Segunda Guerra Mundial, sendo uma mulher, que precisou combater também a misoginia e as limitações impostas por preconceitos de gênero. Não há espaço de conexão situacional. O que se estabelece é uma ligeira empatia pelo grupo alegre de amigos de Lee que, obviamente, são afetados pela destruição causada pelo nazismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, nem mesmo a afeição aos companheiros de Lee Miller é trabalhada na narrativa. O longa conta com coadjuvantes como Andrea Riseboroug, Alexander Skarsgård, Noémie Merlant, Marion Cotillard e Josh O’Connor, todos subaproveitados e planificados em suas construções. Sendo que o último retrata o filho de Lee, porém o intérprete é posto em uma conjectura terrível, como um mero repetidor das imagens que imprimem o passado de Miller. Connor e as suas passagens são aquelas detentoras do bastão do texto expositivo durante a projeção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, eis que, ao tocar no nome de Connor, trazemos, além de tudo já abordado, a maior fragilidade do filme em voga: a montagem! <strong><i>Lee </i></strong></span><span style="font-weight: 400;">precisaria voltar para a sala de edição e ser reconfigurado! A interação entre Winslet e Connor não fomenta nada sobre a vida de Miller depois da guerra. Mais ainda, a narração de Kate Winslet quebra o ritmo da trama, retirando o envolvimento com as tensões do passado da protagonista.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18927" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-1.png" alt="" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-1.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, apesar de Josh e Kate convocarem uma excelente contracena – mérito do talento de ambos –, o diálogo entre eles é descabido para o que soa como foco do enredo. Como melhorar este cenário então? Talvez assim: </span><span style="font-weight: 400;">esta conversa imaginária entre mãe e filho é removida, todo o início da produção viria como flashback ou, ao menos, seria mais enxuto. Porque, na verdade, o que mais interessa e eleva a potencialidade da obra é acompanhar como uma mulher registrou, nos anos 1940, em plena guerra, tantas imagens impactantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também seria apropriado mostrar as suas complexidades psíquicas e ter um tempo de tela maior para revelar mais seus processos criativos. </span>Os seus relacionamentos interpessoais, principalmente com Roland Penrose (Alexander), não são postos de maneira orgânica e ficam soltos. Ainda assim, Winslet e Kuras engancham a atenção de quem assiste, justamente ao explorar os closes que marcam as expressões faciais de Kate no ecrã. É apelativo?</p>
<p>Sim, mas, ao mesmo tempo, observar o rosto de Lee, em um plano bastante fechado, como em uma investigação cuidadosa, faz a sessão valer a pena. <span style="font-weight: 400;">Winslet é a rainha dos micromovimentos e ela emprega esta característica da sua composição de Lee toda em seu rosto. Pequenos gestos faciais indicam as mudanças de instalação de emoção da protagonista. Cada virada de chave pode ser vista no ressoar de um movimento, que transborda para a face de Kate. </span><span style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, tem-se a figura de Lee, que é demonstrada como cativante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa construção vem tanto do roteiro quanto da encenação. </span>Ela é colocada como agente demolidora do <em>status quo</em>, como uma mulher quase independente, à frente de seu tempo e de muitas barreiras impostas pela sociedade. Mas, não todas. As suas fragilidades diante da opressão da guerra e do machismo a aproxima do receptor do longa. É por esta razão que <strong><i>Lee </i></strong>é uma produção fraca em sua totalidade, por não saber organizar os fatos com fluidez e organicidade, nem aproveitar devidamente a potência que foi a personagem central da história.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, a presença de Winslet e a escolha de enquadramentos, deixam a exibição fruível e um tanto agradável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Ellen Kuras</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Kate Winslet, Alexander Skarsgård, Marion Cotillard, Andy Samberg</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/DtjDOQZc380?si=Bq1R9Ib00d9gRJ0w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Homem do Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 15:24:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com O Homem do Norte. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em O Homem do Norte, o cineasta sai [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Robert Eggers é um dos cineastas mais cultuados pela atual geração de fãs do cinema de horror. O diretor de A Bruxa e O Farol faz sua primeira grande concessão à indústria com <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Eggers é cria da A24, a mais renomada casa do cinema independente na atualidade, e construiu sua fama como um dos principais nomes do horror contemporâneo com filmes de baixo orçamento e apurado senso artístico. Em <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, o cineasta sai da A24 e concebe com a Focus Features, subsidiária da Universal Studios, um épico viking com um orçamento de cerca de US$ 60 milhões cuja história teria inspirado William Shakespeare a escrever Hamlet, peça sobre um príncipe que retorna para o seu reino para vingar a morte do pai, assassinado brutalmente pelo seu próprio tio.</p>
<p>O mais incrível desta primeira incursão de Eggers por um &#8220;cinema de estúdio&#8221; é que ele consegue encontrar um equilíbrio interessante entre oferecer um filme mais palatável para o grande público com aspiração para o clássico, algo que A Bruxa e O Farol não foram (se é que podemos classificar <em><strong>O Homem do Norte</strong></em> como um filme agradável para uma audiência média), mas que não perde em momento algum a sua autenticidade. Na tela, é inegável que o longa possui os vestígios da assinatura do seu cineasta. Isso contraria os boatos de que o estúdio tinha interferido bastante em O Homem do Norte a ponto de incomodar o próprio cineasta, que, dizem, parece não estar mais interessado nesse tipo de experiência. Se foi como dizem, isso não é sentido na tela, o épico viking do diretor é uma obra bem consistente.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> é inegavelmente &#8220;cria&#8221; de Eggers com toda a sua ação bruta, ríspida, crua e violenta. A violência é gráfica e o cineasta enche o filme de vestígios da brutalidade dos ritos dos guerreiros vikings com imagens que causam repulsa tal qual alguns dos mais emblemáticos momentos de A Bruxa e O Farol. O diretor ainda consegue trazer para o seu épico uma atmosfera fria (não só pelo clima) e até suas inclinações para o folk horror, com a presença determinante de bruxas, uma encarnada por Anya Taylor-Joy e outra por Björk, em participação especial que não dura mais que cinco minutos.</p>
<p><em><strong>O Homem do Norte</strong></em> acompanha a saga de Amleth (Alexander Skarsgard), príncipe que testemunha a morte do pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke) pelas mãos do tio Fjölnir (Claes Bang). O ardil parente do príncipe não só assassina o irmão e toma o reino do seu pai, como se torna o novo marido da sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman). Quando adulto, Amleth se infiltra nos domínios da sua família como um escravo e passa a colocar em prática seu plano de vingança com a ajuda de Olga (Anya Taylor-Joy), uma jovem bruxa por quem acaba se apaixonando.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15505" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg" alt="O Homem do Norte" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor-.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/05/99022673-sc-rio-de-janeiro-rj-10-05-2022-filme-o-homem-do-norte-alexander-skarsgard-e-anya-taylor--720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>O Homem do Norte</em> </strong>consegue capturar com verossimilhança o seu contexto histórico em elementos plásticos como fotografia, direção de arte e figurino, mas também em toda a preparação que seu elenco teve que se submeter. Os homens do filme são verdadeiras massas brutas, preparados para causar e suportar qualquer ato de violência com objetividade e sem remorso. As mulheres, por sua vez, exibem uma certa melancolia por serem relegadas a segundo plano ao passo que igualmente ganham uma &#8220;casca&#8221; na medida em que criam as suas próprias armas para sobreviver nesse contexto.</p>
<p>O filme é, claro, dominado pela performance dedicada do seu protagonista Alexander Skarsgard. O ator convence o espectador desde o momento em que surge na tela vestido de lobo uivando com olhar obsessivo para o vazio. A performance de Skarsgard de certa forma acaba assumindo o próprio tom do filme, uma narrativa seca repleta de personagens que perderam a humanidade ou estão com ela por um fio. É claro que Skarsgard se preparou fisicamente para o papel, mas, diferente da composição de alguns dos seus colegas para papéis similares &#8211; basta pensarmos nos filmes da Marvel -, o ator não reduz a ideia de transformar o seu protagonista em uma besta humana simplesmente pela aquisição de massa muscular. Alexander Skarsgard trabalha toda a brutalidade do personagem, uma verdadeira muralha em forma de gente, na expressão corporal encurvada e ameaçadora que exibe durante boa parte de <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>. Skarsgard consegue traduzir essa brutalidade de Amleth até mesmo na seara afetiva do personagem, já que o protagonista se revela um sujeito com extrema dificuldade de comunicar sentimentos &#8211; algo perfeitamente compreensível dado o background do personagem. Com isso, Amleth tem dificuldade para ceder espaço a emoções mais à flor da pele, mesmo quando parece senti-las, como acontece em diversos momentos nos quais divide a cena com as personagens de Kidman e Taylor-Joy, sua mãe e namorada, respectivamente.</p>
<p>Os demais atores do filme têm grandes momentos (Taylor-Joy, Claes Bang, Ethan Hawke, Willem Dafoe), mas não poderíamos deixar de mencionar a grande oportunidade que Robert Eggers dá a Nicole Kidman de protagonizar a cena de maior impacto de toda a história ao lado de Skarsgard. Durante todo <em><strong>O Homem do Norte</strong></em>, a rainha Gudrún parece ficar em segundo plano nos reinados dos seus maridos (Hawke e Bang), no entanto, é em um monólogo para o filho já adulto que a personagem revela por completo a sua natureza e como é interessante ver a atriz dominar com maestria cada linha daquele texto.</p>
<p>Quem estava com receio de Robert Eggers desvirtuar o cunho autoral do seu cinema com <strong><em>O Homem do Norte</em></strong> pode respirar aliviado por o longa é tão macabro e místico quanto suas obras anteriores. Com um visual caprichado, o filme abusa da violência e oferece cenas de ação que prendem o espectador na poltrona (destaque para o duelo final entre os personagens de Skarsgard e Bang em meio às lavas de um vulcão prestes a entrar em erupção). Ao mesmo tempo, quem tinha um certo receio de se aventurar pelo cinema do cineasta por sua inclinação para o horror e por isso evitou A Bruxa e O Farol, terá nesse longa uma ótima oportunidade para conhecer o trabalho do cineasta.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Eggers</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Alexander Skarsgård, Nicole Kidman, Claes Bang, Anya Taylor-Joy, Ethan Hawke, Björk, Willem Dafoe, Gustav Lindh</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/59iAzYuo2Qk" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Identidade (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 13:55:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Como atriz, apesar de nunca ter sido &#8220;abraçada&#8221; por completo pelas premiações ou mesmo pelos críticos, Rebecca Hall foi capaz de construir um currículo interessante com desempenhos complexos em longas como Christine, Vicky Cristina Barcelona, Professor Marston e as Mulheres Maravilhas e O Grande Truque. Eis que em sua estreia como diretora, Hall consegue expressar de maneira mais intensa ainda a sua sensibilidade artística com um drama tocante sobre uma mulher interpretada por Tessa Thompson (Vingadores: Ultimato) que reencontra uma amiga de infância vivida [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Como atriz, apesar de nunca ter sido &#8220;abraçada&#8221; por completo pelas premiações ou mesmo pelos críticos, Rebecca Hall foi capaz de construir um currículo interessante com desempenhos complexos em longas como <em>Christine, Vicky Cristina Barcelona, Professor Marston e as Mulheres Maravilhas e O Grande Truque</em>. Eis que em sua estreia como diretora, Hall consegue expressar de maneira mais intensa ainda a sua sensibilidade artística com um drama tocante sobre uma mulher interpretada por Tessa Thompson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>)<br />
que reencontra uma amiga de infância vivida por Ruth Negga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ad-astra-rumo-as-estrelas/"><em>Ad Astra &#8211; Rumo às Estrelas</em></a>). A protagonista do longa de <strong><em>Identidade </em></strong>fica instigada pela nova vida da amiga que se passa por branca na sociedade.</p>
<p><strong><em>Identidade </em></strong>é um drama de habilidade fascinante por desenvolver o protagonismo de duas personagens femininas extremamente complexas e por fazê-lo através de um uso sofisticadíssimo da linguagem audiovisual. Com sua fotografia em preto e branco, Hall costura de maneira elegante e repleta de nuances a jornada dessas mulheres, marcada majoritariamente por decisões nada óbvias a partir de uma situações que instauram conflitos aparentemente duais.</p>
<p>Ao passo que, assim como Irene (Thompson), julgamos a atitude e o comportamento de Clare (Negga) por esconder a cor da própria pele e assumir a identidade de uma mulher branca, a cineasta de maneira sensível e inteligente nos apresenta gradualmente as contradições da sua protagonista. Apesar de não se passar por branca, Irene (Thompson) não vive a vida da maioria das mulheres negras do seu tempo. Ela tem uma rotina confortável como esposa de um médico, um casal negro que &#8220;furou a bolha&#8221; e teve uma aparente ascensão social. No entanto, as mudanças para Irene são superficiais, aos poucos nos damos conta de que existe uma falsa impressão de transformação social quando a personagem de Thompson se depara com as falas e gestos hostis do marido racista de Clare ou quando fica sabendo pelo esposo que um homem negro foi linchado a poucos metros da sua casa. É nesse instante que a redoma da protagonista é quebrada e ela entra em crise e passa a questionar uma série de comportamentos de auto-negação da sua própria identidade, como quando esconde dos seus filhos a segregação racial no país ou a relação dúbia que estabelece com suas empregadas, também mulheres negras.</p>
<p>No lado mais evidente da análise de <strong><em>Identidade </em></strong>sobre o seu tema, temos a melancolia literalmente maquiada de Clare, cujos artifícios estéticos possibilitaram uma camuflagem social até certo ponto mas não foram capazes de salvar efetivamente a personagem do preconceito, muito porque existem questões internas mal resolvidas na personagem de Ruth Negga. Ao mesmo tempo que isso serve para que nós venhamos a compreender a segunda personagem de <strong><em>Identidade</em></strong>, também passa a ser um dado interessante para lermos a segunda porque é o convívio com a dubiedade de Clare que Irene (Thompson) passa a questionar seu estilo de vida, seu lugar na sociedade e sua própria relação com sua identidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14791" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Identidade" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/11/1610852.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com tamanha complexidade conferida a suas personagens, não fica difícil para <strong><em>Identidade </em></strong>trazer fortes desempenhos de Tessa Thompson e Ruth Negga. Rebecca Hall parece ter trazido para trás das câmeras toda sua expertise na atuação e arranca das atrizes interpretações preciosas. Thompson é, de longe, a presença mais marcante do filme, com uma personagem nuançada, cheia de contradições, questões mal resolvidas e expressa toda essa combustão interna de forma silenciosa, como convém a sua retraída personagem, somente por meio de pistas deixadas pelos seus gestos corporais e expressões faciais. A atriz é econômica e consegue modular muito bem os diversos estágios emocionais pelo qual sua personagem vive na história. Ao mesmo tempo, Negga é uma figura viva durante todo o filme. Construindo Clare como uma personagem marcada pela falsa extroversão, Negga nos apresenta uma personagem triste, solitária. A dupla é formidável e faz um trabalho fundamental para cumprir os propósitos da história que a diretora conta.</p>
<p>O longa consegue compreender e traduzir muito bem esse lugar de quem toma consciência de que pertence a um grupo hostilizado socialmente e que, por conta dessa violência passa a desejar outra vida, aspira pertencer a extratos sociais mais aceitos para não passar por sofrimento&#8230; A obra fala sobre a rejeição da própria identidade e como isso em dado momento tem o potencial de se voltar contra a pessoa. Afinal, não dá para fingir ou esquecer aquilo que simplesmente se é, é algo que ronda sua vida e enquanto você não &#8220;abraça&#8221; isso com todas as suas circunstâncias externas, incluindo a não aceitação de terceiros, você nunca encontrará paz. Possivelmente, uma conclusão que Irene pode tirar ao final do terceiro ato diante de uma decisão extremada de Clare. É nesse lugar inflamável que as duas personagens de <strong><em>Identidade </em></strong>se encontram e isso o longa consegue traduzir muito bem.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o filme dá conta da identidade como algo fluido quando fala sobre a sensação de pertencimento, ampliando suas leituras para outros grupos, como homossexuais, transexuais, mulheres etc. Irene vive em uma comunidade negra, mas não consegue se conectar com ela, apesar de racionalmente entender todas as questões que perpassam por aquele grupo. A sensação de não pertencimento, no caso da personagem, passa pela autonegação, claro. Ao passo que Clare, que deu vazão a sua negação de maneira mais radical quando se passa por uma mulher branca, sente viva sua identificação com os mesmos espaços com os quais Irene se sente desconectada, lugares que permitem que a personagem de Ruth Negga seja de fato quem ela é. Clare vive uma liberdade que não experimentava desde que passou a viver sob a angustiante vigília de sustentar uma falsa identidade e a exaustiva energia que toda essa farsa demandou dela.</p>
<p>Se no primeiro longa, Rebecca Hall já demonstra essa maturidade no uso da linguagem audiovisual, na direção dos seus atores e na tecitura do seu roteiro, imagina o que seus próximos trabalhos como diretora e roteirista nos reservam? <strong><em>Identidade </em></strong>é um filme que foge pela tangente do discurso fácil e juvenil de thread  de Twitter que a gente costuma notar ser incorporado da maneira mais rasa possível por produções audiovisuais recentes, sobretudo com o selo Netflix. Enche os olhos e conforta a alma ver <strong><em>Identidade</em></strong>. Raras vezes se vê na tela a disposição, maturidade e sensibilidade com que Rebecca Hall trata temas como o preconceito e as sensações de pertencimento e deslocamento identitário nesse filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Rebecca Hall</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tessa Thompson, Ruth Negga, Andre Holland, Alexander Skarsgård, Bill Camp, Gbenga Akinnagbe, Antoinette Crowe-Legacy, Doris McCarthy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/JSUtLNnvwGs" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Casal Improvável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jun 2019 21:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O cinema atual está muito focado em determinados gêneros. Super-heróis, terror e adaptações cinematográficas de livros juvenis é o que mais rende filmes ultimamente, especialmente porque é uma certeza de bilheteria um pouco maior. Diferente da década de 1990, a comédia romântica foi esquecida e relegada a projetos simplórios e rasos. É por isso que fui ao cinema assistir Casal Improvável com uma mistura de ansiedade e descrença. Na trama, o jornalista Fred Flarsky (Seth Rogen) reencontra por acaso sua [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O cinema atual está muito focado em determinados gêneros. Super-heróis, terror e adaptações cinematográficas de livros juvenis é o que mais rende filmes ultimamente, especialmente porque é uma certeza de bilheteria um pouco maior. Diferente da década de 1990, a comédia romântica foi esquecida e relegada a projetos simplórios e rasos. É por isso que fui ao cinema assistir <em><strong>Casal Improvável</strong> </em>com uma mistura de ansiedade e descrença.</p>
<p>Na trama, o jornalista Fred Flarsky (Seth Rogen) reencontra por acaso sua primeira paixão, Charlotte Field (Charlize Theron). Enquanto Flarsky cresceu e se tornou um redator impulsivo, Charlotte ocupa o cargo de Secretária de Estado norte-americana, sempre rodeada por assessores de sua confiança. O caminho dos dois vai se cruzar profissionalmente e render uma longa história.</p>
<p>Comentei no <a href="https://coisadecinefilo.com.br/especial-5-comedias-romanticas-imperdiveis/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em><strong>Especial: Cinco Comédias Românticas Imperdíveis</strong> </em></a>que a principal receita para uma comédia romântica de qualidade é o equilíbrio nas duas partes do gênero. O espectador tem que ser ofertado com muita comédia e muito romance, tudo na medida certa e respeitando o espaço dos dois. O que vem acontecendo nos longas deste estilo nos últimos anos é que a comédia sobrepõe o romance, dando pouco espaço para apaixonar o espectador.</p>
<p>Felizmente, <strong><em>Casal Improvável</em></strong> acerta perfeitamente neste equilíbrio. Começamos com um ritmo acertado de risos exacerbados e cenas toscas, evoluindo lentamente para o romance que vai surgindo entre o casal principal. Acredito que um dos maiores ganhos do longa é que ele respeita o momento de romance, sem interferir com a risada. Em uma das cenas mais lindas quando o casal principal dança nos bastidores de uma festa, nós podemos curtir aquele momento, se apaixonar pela música e pelos dois. Não temos o clímax interrompido.</p>
<p>Diferente do que a ideia do filme pode propor, este não é um filme sobre um cara bosta que consegue a mulher maravilha. O que seria péssimo porque isso é muito triste de se ver em cena e alimenta um comportamento muito comum na sociedade, onde mulheres incríveis se rebaixam para se relacionar com homens medíocres. O enredo é muito mais sobre pessoas diferentes em comportamento e personalidade, se relacionando. Ele é jornalista investigativo impulsivo que perde o emprego porque não aceita a nova gerência e suas imposições. Ela é uma secretária de Estado que não deixa nem um fio solto porque está com o objetivo de concorrer à presidência. Então tudo é milimetricamente pensado e estudado.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10732" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/2008046.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/2008046.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/2008046.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/06/2008046.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A maneira como eles se encontram, inclusive, é o que torna o romance possível. Em um mundo comum, onde eles não se conhecessem previamente, Charlotte jamais olharia para Fred com algum interesse. Ela já está condicionada a direcionar o olhar dela para outros estilos de homem. Então o histórico de infância dos dois torna tudo mais real.</p>
<p>Ainda que com toques de realismo, o filme não se propõe a ser menos lúdico. Momentos de ação, por exemplo, são inseridos como artifício para impulsionar o relacionamento do casal e funciona muito bem. O mesmo vale para resultados meio absurdos no final, que sabemos que não aconteceriam na vida real. Mas a ideia do filme é justamente ficar nesse limiar entre a realidade e a ficção.</p>
<p>Na pele do casal principal, a combinação de atores tão improvável quanto seus personagens. Seth Rogen (<em>Ligeiramente Grávidos</em>) é a cara do clássico nerd: barbudo com o cabelo sem cortar, roupas largas, barrigudo e com cara de que não curte um banho. Já Charlize Theron (<em>Mad Max: Estrada da Fúria</em>) é a definição de perfeição de beleza. Elegante, sedutora, se veste bem, sabe se portar em todos os ambientes e dedicada. A química dos dois é suave e verdadeira, deixando as cenas ainda mais emocionantes. Eles nos convencem a todo momento sobre o surgimento do amor da dupla.</p>
<p>Podemos dizer que<strong><em> Casal Improvável</em></strong> é uma comédia romântica raiz, na melhor definição do termo. Ela possui todos os elementos para deixar o espectador completamente envolvido na história. O amigo maravilhoso que acredita no protagonista, o vilão suave que separa o casal principal, encontros emocionantes, o surgimento de uma paixão improvável e uma trilha sonora envolvente. Somos agraciados com todas essas emoções, que nos levam a rir muito, se apaixonar e chorar.</p>
<p>Há muito tempo (muito tempo mesmo) eu não assistia uma comédia romântica tão maravilhosa quanto essa. E quem vos fala é uma das maiores fãs de comédia romântica possível. Então acreditem quando eu digo: <strong><em>Casal Improvável</em></strong> é incrível e vale cada segundo da sessão. Assistam!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jonathan Levine<br />
<strong>Elenco:</strong> Charlize Theron, Seth Rogen, O&#8217;Shea Jackson Jr., Andy Serkis, June Diane Raphael, Bob Odenkirk, Ravi Patel, Alexander Skarsgård, Lisa Kudrow</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/asxSt10ZQac" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Lenda de Tarzan</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2016 19:55:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mais recente encarnação do clássico personagem de Edgar Rice Burroughs a ganhar as telas, A Lenda de Tarzan é um filme que não é o desastre que parte da crítica internacional alardeou. É verdade que o longa quando erra, vai fundo nos seus deslizes, mas, de uma maneira geral, o filme oferta perspectivas interessantes a respeito do seu personagem e foge ao que convencionalmente se espera de mais uma história sobre a lenda das selvas, ou seja, mais um título a explorar sua origem em uma trama de ação escapista. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais recente encarnação do clássico personagem de Edgar Rice Burroughs a ganhar as telas, <i>A Lenda de Tarzan </i>é um filme que não é o desastre que parte da crítica internacional alardeou. É verdade que o longa quando erra, vai fundo nos seus deslizes, mas, de uma maneira geral, o filme oferta perspectivas interessantes a respeito do seu personagem e foge ao que convencionalmente se espera de mais uma história sobre a lenda das selvas, ou seja, mais um título a explorar sua origem em uma trama de ação escapista. <i>A Lenda de Tarzan</i>, no entanto,<i> </i>vai por um caminho inesperado, tenta fazer uma revisão histórica e se preocupa com o que ocorreu com o protagonista após anos de sua inserção na &#8220;civilização&#8221;. Acontece que a execução desses conceitos apresenta derrapadas sensíveis e o filme tem no centro das atenções um intérprete de Tarzan que não consegue dar conta do recado, o ator Alexander Skarsgard, mais conhecido do público por ter vivido o vampiro Eric Northman na série <i>True Blood</i>.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em <i>A Lenda de Tarzan</i>, o diretor David Yates (dos filmes da franquia <i>Harry Potter</i> desde <i>A Ordem da Fênix</i>) faz uma releitura do trabalho de Burroughs com o clássico personagem. No novo longa somos apresentados a um Tarzan que já vive há um tempo em Londres ao lado da sua esposa Jane. Estamos na década de 1930 e o personagem é convidado a retornar a selva do Congo como um emissário do Parlamento inglês. Chegando lá, o personagem se depara com uma outra realidade que envolve o tráfico de escravos e o comércio de minerais e ainda confronta pendências do seu passado que põem em risco a vida da sua amada Jane.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Com todo o seu propósito revisionista, não apenas da própria obra literária, como também do seu contexto histórico, o resultado de <i>A Lenda de Tarzan</i> é um filme desajustado e instável na relação que estabelece com o seu público. Por um lado, ele te mantém interessado pelo desenlace das suas tramas já que te apresenta a uma série de questões que as últimas adaptações das histórias do personagem não apresentaram e, além disso, o diretor David Yates adota um tom e um visual interessante para seu filme, uma mescla de sobriedade e realismo que se exterioriza em uma fotografia de paletas acinzentadas e um design de produção que evita exageros. Em contrapartida, o filme tem uma péssima execução das suas cenas de ação e uso de efeitos visuais confuso, fazendo com que o público nunca saiba ao certo como os personagens se movimentam. Além disso, a exceção da sequência de abertura, a maioria das cenas de ação mostram-se banais ao espectador.</p>
</div>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6447" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/tarzan0007.jpg" alt="_L3A3723.dng" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Acontece que ainda que mantenha o público levemente interessado por toda essa cartilha interessante de recursos que possui, a trama de <i>A Lenda de Tarzan </i>sempre apresenta algum elemento que emperra uma relação mais forte e entregue do espectador com o filme, tornando seus erros, quando ocorrem, crassos. Por exemplo, o longa tem o desenvolvimento do seu conflito principal imobilizado por uma sucessão de <i>flashbacks </i>descartáveis a respeito da origem de Tarzan e do nascimento do seu romance com Jane, algo que não cabe na própria proposta e cuja apresentação ao público é dispensável (todos sabem da origem de Tarzan). Esse retorno ao passado e à clássica história de Burroughs emperram e não ajuda em nada os intentos revisionistas de <i>A Lenda de Tarzan</i>. Além disso, o olhar que o filme reserva a trama dos escravos, se por um lado, revela uma pertinência muito grande, sobretudo quando somos familiarizados com as motivações do personagem de Samuel L. Jackson, por outro, é enfraquecida quando tem como eixo da revolução das populações nativas do Congo o homem branco, representado por Tarzan e Jane.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A mesma oscilação que apontamos anteriormente é percebida no resultado das performances do seu elenco. Temos uma Margot Robbie interessante como uma Jane mais atuante, Samuel L. Jackson compondo um personagem que acrescenta muito à trama e até mesmo um Christoph Waltz que, a despeito de repetir um tipo que anda fazendo há anos, consegue compor uma variação interessante de vilão. Em contrapartida, somos apresentados a um protagonista inexpressivo. Como Tarzan, Alexander Skarsgard confunde o lado selvagem do personagem e a natural introspecção de um homem que ainda está se aclimatando ao novo ambiente com a composição de uma figura marcada pela apatia e pelo olhar lânguido em cena. O ator não esboça reação alguma, nem mesmo quando a vida de sua esposa, a pessoa que ele mais ama no mundo, está em perigo. Ter um protagonista como Skarsgard acaba custando muito caro a <i>A Lenda de Tarzan</i>, sobretudo<i> </i>em momentos da projeção no qual deveria existir um interesse maior do espectador pelos sentimentos que mobilizam o seu personagem.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>É através dessa estranha lógica de falhas e compensações que <i>A Lenda de Tarzan </i>funciona em parte. Trata-se de um filme que avança consideravelmente em relação a outras adaptações do clássico personagem, mas também promove recuos consideráveis, ficando sempre no meio termo. <i>A Lenda de Tarzan </i>não é um fiasco, mas é um longa que titubeia em sua própria zona de risco e não consegue sustentar com vigor seu intuito de promover um outro olhar para velhos e conhecidos personagens e histórias.</p>
</div>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
</div>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EIsxNQ2ZCjI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>A Lenda de Tarzan: Primeiras críticas desaprovam o longa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jun 2016 19:41:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[A Lenda de Tarzan]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Skarsgård]]></category>
		<category><![CDATA[David Yates]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mais uma encarnação de Tarzan, clássico personagem criado por Edgar Rice Burroughs, chega aos cinemas. Desta vez, o herói das selvas será vivido por Alexander Skarsgard (da série True Blood) e a direção fica por conta de David Yates, em seu primeiro trabalho após o desfecho da franquia Harry Potter. A Lenda de Tarzan é, na verdade, uma sequência dos eventos que já conhecemos envolvendo o personagem. No filme, acompanhamos um Tarzan mais velho, já ambientado à vida na cidade [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Mais uma encarnação de Tarzan, clássico personagem criado por Edgar Rice Burroughs, chega aos cinemas. Desta vez, o herói das selvas será vivido por Alexander Skarsgard (da série <i>True Blood</i>) e a direção fica por conta de David Yates, em seu primeiro trabalho após o desfecho da franquia <i>Harry Potter</i>.</p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p><i>A Lenda de Tarzan </i>é, na verdade, uma sequência dos eventos que já conhecemos envolvendo o personagem. No filme, acompanhamos um Tarzan mais velho, já ambientado à vida na cidade em Londres e casado com Jane. Ele retorna à floresta para impedir que uma exploração ponha em risco o seu antigo lar. No filme, a atriz Margot Robbie (de <i>O Lobo de Wall Street </i>e que será vista em breve como a Arlequina de <i>Esquadrão Suicida</i>) vive a Jane, com Samuel L. Jackson e Christoph Waltz no restante do elenco.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>As primeiras sessões internacionais do filme já foram realizadas com a presença de jornalistas. As notas nos agregadores de críticas como o Rotten Tomatoes e o Metacritic são baixas, mas os textos apresentam pontos de vista bem divisivos sobre o resultado do trabalho de David Yates. Confira abaixo as primeiras impressões da crítica a respeito do longa:</p>
</div>
<blockquote class="tr_bq">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&#8220;Como <i>John Carter </i>e <i>O Cavaleiro Solitário </i>antes dele, <i>A Lenda de Tarzan </i>é tão genérico que esquece do que fez esse personagem ser tão icônico&#8221; Alonso Duralde, <i>The Wrap</i></p>
</div>
</blockquote>
<blockquote class="tr_bq">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&#8220;<i>A Lenda de Tarzan </i>é uma sequência, uma história de origem e uma trama revisionista tudo em um só filme. Tudo o que ele não consegue ser é divertido, como o homem criado por Edgar Rice Burroughs e suas encarnações prévias no cinema&#8221; Peter Debruge, <i>Variety</i></p>
</div>
</blockquote>
<blockquote class="tr_bq">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&#8220;Como Tarzan, Alexander Skarsgard tem o corpo como se fosse esculpido no mármore e o desempenho de uma pedra&#8221; Stephen Whitty, <i>Newark Star-Ledger</i></p>
</div>
</blockquote>
<blockquote class="tr_bq">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&#8220;Este é certamente o melhor filme com um Tarzan em carne-e-osso feito em décadas (o que, admito, não é muito) e oferece um equilíbrio entre a ação e o drama&#8221; Tom McCarthy, <i>The Hollywood Reporter</i></p>
</div>
</blockquote>
<blockquote class="tr_bq">
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>&#8220;Finalmente uma releitura hollywoodiana com um ponto de vista interessante&#8221; Alan Scherstuhl, <i>Village Voice</i></p>
</div>
</blockquote>
<p><i>A Lenda de Tarzan </i>estreia dia 21 de julho no Brasil.</p>
<p><b>Assista ao trailer do filme: </b><b></b></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/dNzTFhkV0og" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><b></b><b><br />
</b></p>
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		<title>Crítica: O Doador de Memórias</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-doador-de-memorias/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2014 14:12:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O Doador de Memórias é o tipo do filme que cria toda uma expectativa principalmente pelo fato de ter Meryl Streep. O que por si só, vamos combinar, já é o suficiente para tirar qualquer pessoa de sua casa para ir ao cinema. Mas nem mesmo Meryl consegue sustentar sozinha um filme mediano que se propõe muito além do que efetivamente cumpre. O enredo conta a história de uma sociedade futurista, onde a humanidade atingiu a perfeição e ninguém passa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/3.jpeg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1918 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/3.jpeg" alt="3" width="610" height="348" /></a></p>
<p>O Doador de Memórias é o tipo do filme que cria toda uma expectativa principalmente pelo fato de ter Meryl Streep. O que por si só, vamos combinar, já é o suficiente para tirar qualquer pessoa de sua casa para ir ao cinema. Mas nem mesmo Meryl consegue sustentar sozinha um filme mediano que se propõe muito além do que efetivamente cumpre.</p>
<p>O enredo conta a história de uma sociedade futurista, onde a humanidade atingiu a perfeição e ninguém passa fome, nem fica doente, nem briga, nem nada. Tudo isso foi possível, no entanto, graças à exclusão de sentimentos dos humanos. Diariamente eles tomam uma injeção que os impede se sentir e com isso, as pessoas não brigam, não iniciam guerras nem nada. As pessoas não sabem de nada do passado, nenhum detalhe, nem uma parte da história. Tudo isso é designado ao doador de memórias. Ele é representado por um homem que abriga todas as memórias do mundo, toda a história que ninguém lembra e serve de conselheiro dos anciãos, dizendo que decisões devem ser tomadas.</p>
<p>Quando os jovens atingem determinada idade, eles são escolhidos para representar papéis na sociedade. Têm as mães, os professoras, os esportistas e por aí vai. O protagonista, interpretado por Brenton Thwaites (o príncipe encantado de “Malévola”), é escolhido para ser o próximo doador de memórias e deve passar os próximos meses aprendendo o ofício. Acontece que ele começa a se chocar com essa nova realidade e entrar em confronto com a própria sociedade.</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/DF-03407R.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-1919 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/09/DF-03407R.jpg" alt="DF-03407R" width="610" height="348" /></a></p>
<p>Em tese, a história já é comum o suficiente para segurar um filme inteiro. Toda a fotografia é em preto e branco e vai ganhando cores à medida que Jonas vai descobrindo as memórias. Ok, se não fosse o fato de que esse é um dos maiores ápices do longa. Aliás, reside aí o grande problema do enredo. Ele não tem um pico em momento nenhum. O filme segue morno o tempo todo e de repente acaba. O espectador fica esperando por algo que nunca acontece.<br />
É incrível dizer que a própria atuação de Meryl Streep fica bem apagada diante de todo o cenário sem graça da narrativa. Ela é ótima como sempre, mas passa facilmente despercebida. Jeff Bridges é outro que tem a interpretação abafada pelo enredo ruim. Uma grande pena.</p>
<p>Aliás, no geral, ninguém se sobressai no filme. Temos pessoas interessantes como Katie Holmes e Alexander Skarsgård, mas o espectador não consegue descobrir qual a deles o longa todo.</p>
<p>Talvez a falta de um vilão efetivo seja uma justificativa plausível para toda calmaria do filme. Ninguém é exatamente ruim nem se contrapõe totalmente ao protagonista. Por isso, certamente, que o filme acaba sem que tenha um confronto final nem nada do tipo. A sensação que fica é uma espécie de conto, que não sustenta as quase duas horas de filme.</p>
<p>No final das contas, O Doador de Memórias não é ruim, não. É legal e ponto. Mas esse ponto é que decepciona quem assiste, já que poderia ser um filme infinitamente melhor e mais bem trabalhado. Nada se sobressai, trilha sonora, fotografia, atuações, nada. Uma grande pena e desperdício de elenco.</p>
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