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	<title>Arquivos Ainda somos os mesmos - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Festival Cinepe 2023: Ainda Somos os Mesmos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Sep 2023 22:57:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Procurando contar uma história tensa, de um período difícil para o Brasil e toda a América Latina, Ainda Somos os Mesmos parece ser bem intencionado, mas falha ao não conseguir entregar a obra que a própria trama original merecia. Baseando-se nos 42 dias que João Carlos Bona Garcia passou na embaixada da Argentina no Chile, durante a ditadura de Pinochet, é possível perceber que há uma tentativa forte de emocionar e atingir a mente plateia com um discurso político potente. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Procurando contar uma história tensa, de um período difícil para o Brasil e toda a América Latina, <strong><em>Ainda Somos os Mesmos</em></strong> parece ser bem intencionado, mas falha ao não conseguir entregar a obra que a própria trama original merecia. Baseando-se nos 42 dias que João Carlos Bona Garcia passou na embaixada da Argentina no Chile, durante a ditadura de Pinochet, é possível perceber que há uma tentativa forte de emocionar e atingir a mente plateia com um discurso político potente.</p>
<p>A vontade de impactar o público, para lembrar a todes que a democracia não é algo dado como eterno e invencível, mas algo que pode ser perdido a qualquer momento, existe uma criação sombria e melancólica criada dentro da narrativa. No entanto, a técnica falha ao não saber como criar, verdadeiramente, tensão em uma obra.</p>
<p>A começar pela ideia de ritmo. Esta que vos escreve é insistente em explicar em críticas diversas a falsa ideia que perambula a mente da sociedade de que ritmo é velocidade acelerada. Ora, ritmo nada mais é do que equilíbrio, não apenas de velocidade, como de tom da cena — recomendo a leitura do livro <em>Ritmo e dinâmica no espetáculo teatral,</em> de Jacyan Castilho.</p>
<p>Assim, o longa-metragem, de Paulo Nascimento, tem em seu maior pecado a ausência de respiros e de dosagem desta tonalidade. Se o tempo inteiro alguém grifa uma emoção, esta emoção se esvai porque é como se a mesma não estivesse grifada. Neste sentido, a música é um dos elementos que mais contribui para esta ausência de ritmo.</p>
<p>A mesma sonoridade é repetida desde o início da projeção e está sempre presente, em qualquer ação das personagens, diluindo o impacto do que é colocado na tela. Além disso, a equipe de arte, juntamente com o diretor de fotografia, falhou na criação da unidade visual. Ainda que seja possível perceber que há um desejo em mostrar este Chile abalado e esta embaixada soturna, existem dissonâncias no que eles mesmos criaram.</p>
<p>Um exemplo é uma sequência que o ator Edson Celulari está em um quarto com uma paleta de verde que foge completamente dos outros tons que aparecem na exibição inteira. Para piorar a situação da equipe, é perceptível a troca de luz na mudança ou transição de alguns planos. Existem três possibilidades aqui: erro de continuidade na hora da captação da imagem, problema na sala de edição quando foram fazer a correção de cor ou ambos.</p>
<p>E não é apenas a temperatura que muda de quando em quando na mesma cena que incomoda. A montagem é também um dos pontos mais frágeis do filme. O raccord é totalmente ignorado e esquecido no churrasco e não é nem propositalmente. Falta fluidez na condução da passagem de cena. Mesmo que exista elipse temporal, é preciso lembrar que os cortes descontínuos podem contar com uma estrutura amarrada.</p>
<p>Por fim, dentro das questões negativas, há o fato de que as atuações não são das melhores. Há um exagero na construção dos papéis, que não são estudados e tridimensionais, mas representações que habitam o imaginário do senso comum. Todavia, o elenco não está ruim, em um sentido geral. Alguns momentos, como na cena de um parto que o protagonista faz, os intérpretes demonstram talento e entrega.</p>
<p>A grande questão de <strong><em>Ainda Somos os Mesmos</em></strong> é que falta algo para uma boa condução técnica. Nascimento é um cineasta experiente, porém seu novo projeto é verde, ingênuo e fraco. No entanto, é necessário salientar dois pontos. Apesar de seus defeitos operacionais, esta é uma obra que dialoga com um consumidor geral, por possuir momentos que podem emocionar e enganchar a atenção da plateia.</p>
<p>O que nos leva ao segundo ponto! Ao observar a história do mundo, mas principalmente no Brasil, que é de onde este longa sai, a certeza da permanência da democracia nunca existiu e deixar registrado no cinema um momento difícil e criminoso que foi a Ditadura militar no Brasil, mas também no Chile, faz com que seja relevante assistir a sessão. Não é um bom filme, porém o acontecimento em si que é ali narrado é absurdamente importante de ser visto.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paulo Nascimento</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Lucas Zaffari, Edson Celulari, Carol Castro</p>
<p>Confira nossas críticas de Festivais <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/festival/" target="_blank" rel="noopener"><strong><em>clicando aqui</em></strong></a>!</p>
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