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	<title>Arquivos Adam McKay - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Adam McKay - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Não Olhe para Cima (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 20:54:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali. Vindo da [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns dos filmes mais recentes de Adam McKay possuem uma marca registrada. Enquanto o artista fala sobre política, ele critica a sociedade, com um tom sarcástico bastante particular. Cartelas e recursos gráficos são impressos na tela, realizando quebras que proporcionam um respiro para o espectador. Ao mesmo tempo, a estratégia revela como o próprio McKay não se leva a sério, elevando o grau de complexidade de suas obras, com pautas relevantes, certeiras, mas com o humor sempre ali.</p>
<p>Vindo da comédia, o roteirista e diretor, sabe como jogar com a dinâmica da suspensão, do absurdo e do timing cômico. O resultado, geralmente, é um nó na garganta. Talvez, o título que havia chegado mais perto de alcançar este efeito com êxito, anteriormente, tenha sido o seu <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/"><em>A Grande Aposta</em></a>. Agora, com <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, Adam McKay aumenta o seu potencial de contar histórias e dosa com uma habilidade mais intensa os efeitos colocados na tela, seja em sua direção ou nos encaminhamentos da sua narrativa.</p>
<p>A inserção e retirada de diálogos e a maneira como os textos podem chegar entrecortados são os maiores ganhos do enredo. Há toda uma gama de sentidos criados entre o não dito e o que é explicitado verbalmente, inclusive com gritos. Esta estrutura revela a compreensão de McKay sobre a própria condição humana, seja por sua tolice e egoísmo, ou por seu caráter forte, mesclado ao desejo de sacudir o mundo e clamar para ser escutado de uma vez só.</p>
<p>Além disso, é curioso de observar como, ainda que não realize uma progressão linear de ações nítidas – existem idas e vindas de intensidade nos acontecimentos da trama –, a obra vai se tornando cada vez mais angustiante para quem assiste. Aqui, novamente, pode-se abordar a consciência sobre o uso da comicidade. Gradativamente e sutilmente, a graça se transforma em riso nervoso para, em seguida, virar melancolia e pânico.</p>
<p>Mesmo rindo de si e da humanidade, o desprezo por uma parte da sociedade e o respeito por outra, ganha espaço e não há retorno dentro da história. É notável – e até óbvio – o que McKay deseja convocar em seu longa-metragem. Este é sim um retrato de um país tolo e autocentrado, que enxergou um pouco da verdade sobre si, a partir de 2016. Ao invés dos grandes heróis, salvadores do Planeta, este é um reduto de diversos tolos, ignorantes políticos, preconceituosos e egocêntricos.</p>
<p>O que McKay desconhece é que esta realidade se assemelha a de múltiplos locais da Terra, incluindo o Brasil, com seu presidente genocida e seus apoiadores cruéis e desonestos. Ao se deparar com a sessão de<i> <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong></i>, seu público pode sim se identificar com todo aquele conteúdo, por mais insano que seja o <em>plot</em>, seu desenvolvimento e desfecho. É justamente isto que Adam faz em sua produção: toma posse do impossível para retratar as pessoas da contemporaneidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14991" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg" alt="Não Olhe para Cima" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/12/nao-olhe-para-cima-netflix-filme-cdl-1920x1080-01-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Todavia, o que falta nele é uma visão menos “estadunidense centrada”, por assim dizer. Com um olhar tão voltado para si, ainda que seja para abordar seu país com um olhar cheio de ironia, a salvação de todos os seres humanos continua nas mãos de um único lugar: os Estados Unidos. Nenhum outro local foi capaz de encontrar uma solução eficaz para a catástrofe anunciada.</p>
<p>Além disso, ainda que a tragédia afete a humanidade inteira, somente uma nação é retratada. Este é um incômodo intenso em <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong>, visto que este umbiguismo é recorrente no audiovisual hollywoodiano, desde a sua criação. No entanto, apesar deste engasgo, vale ressaltar outras qualidades presentes no longa. A direção de McKay fomenta a qualidade do projeto.</p>
<p>A decupagem serve ao que está sendo contado com precisão e provoca sensações precisas no público, como na escolha em fechar mais certos planos e utilizar câmera na mão, nos instantes nos quais Kate (Jennifer Lawrence) e Randall (Leonardo Di Caprio) se sentem pressionados ou em pânico. Os enquadramentos e movimentos, juntamente com uma mise-en-scène – que mistura uma marcação caótica e desorganizada, com extremamente limpa ou diversos objetos, com pouquíssimos elementos de cena – contribuem para as interpretações.</p>
<p>As atuações de Meryl Streep (<em>Mamma Mia!</em>) e Di Caprio (<em>Titanic</em>) – que vinham pesando a mão nas suas construções, nos últimos tempos –, chegam aqui firmes e sutis. O jogo de câmera, bem como a montagem de Hank Corwin (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vice/"><em>Vice</em></a>), barram certos exageros que a dupla poderia cometer. Neste sentido, também é necessário dar créditos para Streep e Di Caprio, veteranos talentosos, ainda que passem do ponto em alguns de seus papéis. Aqui, ambos imprimem tônus no corpo e na voz, se pôr peso ou sujeira em seus movimentos.</p>
<p>Ambos captam com segurança as intenções do roteiro e criam nuances e camadas para suas personagens. Talvez, este destaque seja tão visível por estas serem as figuras mais complicadas no filme, por possuírem características um tanto estereotipadas, mas que são bem conduzidas, suavizando estes tipos: o cientista estressado e a política egocêntrica. Contudo, Cate Blanchett (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-carol/"><em>Carol</em></a>) e Jennifer Lawrence (<em>Jogos Vorazes</em>) também trazem boas performances, que geram repulsa ou empatia, a depender da personalidade de cada uma delas.</p>
<p>Em seu resultado geral, <strong><em>Não Olhe para Cima</em></strong> é eficiente em registrar e analisar a contemporaneidade, em todo o seu ilogismo, suas compulsões, suas vaidades. Com uma equipe talentosa, quase nada de seu potencial é desperdiçado. Para ser completo, de verdade, bastava apenas erradicar o pensamento tão alto centrado dos EUA.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Adam McKay</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jennifer Lawrence, Leonardo Di Caprio, Meryl Streep, Jonah Hill, Cate Blanchett, Mark Rylance, Tyler Perry, Ariana Grande, Rob Morgan, Timothée Chalamet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/c1nToClX_3w" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Vice</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Jan 2019 20:14:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Momentos históricos e figuras conhecidas são foco de narrativas desde o início do cinema. A partir da década de 1950, a quantidade de produções voltadas para a vida de personalidades ou acontecimentos marcantes só cresceu. Graças aos excepcionais produtos biográficos de 2018, as maiores premiações do cinema tiveram cinebiografias nas categorias de maior destaque. Cerca de oito longas-metragens comandaram essas cerimônias e, dentre eles, três estão concorrendo ao Oscar de “Melhor Filme”. O diretor, produtor e roteirista Adam McKay, depois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Momentos históricos e figuras conhecidas são foco de narrativas desde o início do cinema. A partir da década de 1950, a quantidade de produções voltadas para a vida de personalidades ou acontecimentos marcantes só cresceu. Graças aos excepcionais produtos biográficos de 2018, as maiores premiações do cinema tiveram cinebiografias nas categorias de maior destaque. Cerca de oito longas-metragens comandaram essas cerimônias e, dentre eles, três estão concorrendo ao Oscar de “Melhor Filme”.</p>
<p>O diretor, produtor e roteirista Adam McKay, depois do sucesso de <em>A Grande Aposta</em> (2015), embarcou numa nova aventura no gênero dos filmes biográficos. Após explicar para o mundo, com toda a sua desenvoltura, simplicidade e sarcasmo, o problema da crise econômica de 2008, agora McKay traz a jornada do político americano Dick Cheney para as telonas. O longa-metragem intitulado <em><strong>Vice</strong> </em>é um retrato sobre os principais momentos da vida e carreira dessa figura política tão controversa da história estadunidense.</p>
<p>Após decidir que daria um novo rumo em sua vida, o jovem Dick Cheney (Christian Bale) se afilia ao Partido Republicano ao perceber que o mundo da política poderia lhe proporcionar grandes oportunidades. O pontapé inicial para seu crescimento acontece assim que ele se torna assessor de Donald Rumsfeld (Steve Carell). Com o passar dos anos, independente das reviravoltas do cenário político dos Estados Unidos, Dick assegurou seu lugar como uma figura de destaque e influência. Mais de 30 anos após o início de sua carreira, Cheney estava trabalhando no setor privado até que George W. Bush (Sam Rockwell) – o qual planejava se lançar como candidato à presidência – o convida para ser o vice-presidente da chapa. Dick Cheney aceita a proposta com a condição de deter diversos poderes que estão além da real condição de um vice-presidente.</p>
<p>Antes de assistir <strong><em>Vice</em> </strong>é importante que se entenda a perspectiva do filme. Não existe nenhum tipo de oportunidade para visualizar Dick Cheney. O longa é construído para que o público perceba o que há de pior nessa persona. É sob esse olhar que toda a história se desenvolve. Adam McKay dirigiu e roteirizou essa narrativa com um humor ácido fenomenal. As suas vivências anteriores escrevendo e dirigindo longas de comédia o ajudam desde <em>A Grande Aposta</em> e agora não seria diferente.</p>
<p>A crítica imbuída a cada cena e acontecimento cria um ritmo interessante para a película. McKay aposta mais uma vez em sua abordagem satírica e metalinguística de explicar o seu filme dentro do próprio filme. Ao contrário do seu último trabalho onde diversos artistas explicavam termos técnicos da economia, em <strong><em>Vice</em></strong>, o espectador se depara com um narrador-personagem, o qual serve como guia da história de Cheney. A partir dessa linha histórica criada por Kurt (o narrador), o público passa a presenciar alguns dos momentos mais tensos, escandalosos e conturbados da política americana.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9869" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/01/Vice-Movie-Cast-Real-People.jpg" alt="Vice" width="610" height="348" /></p>
<p>Por conta dessa abordagem estabelecida em 2015 com sua outra cinebiografia, Adam McKay desenvolveu uma construção narrativa peculiar – a qual sempre chamou a atenção do público e crítica. Além dos artifícios metalinguísticos e dos diálogos e cenas carregados de humor ácido criados nas duas últimas películas, Mckay ainda conta com uma montagem única. Hank Corwin se tornou o nome responsável pela interpretação e materialização das composições visuais nada ortodoxas de McKay. As edições de<em> The Big Short</em> e <em><strong>Vice</strong> </em>(títulos originais) foram resultado do trabalho de Corwin e lhe renderam indicações em premiações – incluindo o Oscar.</p>
<p>Uma outra fonte de destaque dos trabalhos de McKay é o seu elenco. Sempre muito bem escolhido, o conjunto de atores personifica e traduz as ideias do diretor em cada uma das cenas. Especificamente nesse longa, o elenco teve o enorme desafio de não se tornar uma mera caricatura de figuras conhecidas do cenário político norte americano. A notabilidade do filme está atrelada, principalmente, a estrela da película. Christian Bale encarnou a “persona non grata” que era Dick Cheney e fez uma de suas melhores performances da carreira. Bale preenche as cenas com o sorriso maquiavélico e o olhar pomposo de Cheney e faz o público delirar com a sua endiabrada personalidade. Ele é um show à parte.</p>
<p>Ao seu lado de Bale, Amy Adams e Sam Rockwell também fizeram interpretações de destaque. Rockwell está extraordinário com o olhar perdido e infantil de George W. Bush e Adams está simplesmente genial como Lynne Cheney. Tyler Perry completa as figuras de importância da época como o general Colin Powell, enquanto o ator Jesse Plemons mostra o seu talento como o narrador da trama política. Um dos deslizes do longa, contudo, está na interpretação de Steve Carell. Ao viver o papel do Secretário de Defesa do governo Bush, Donald Rumsfeld, o ator não consegue se afastar muito da realidade e acaba se assemelhando mais a uma caricatura do Secretário do que a uma personificação da figura como fez Bale.</p>
<p>Até o momento, o longa-metragem de Adam McKay recebeu 92 indicações e foi vitorioso em 17 delas. A maior parte dessas vitórias está atrelada ao elenco (em especial, Bale). A força dessa produção nessa temporada de premiações reside verdadeiramente em seus atores que entregaram performances excepcionais. Apesar do BAFTA ainda estar por vir, a premiação mais aguardada é o Academy Awards, onde a película foi indicada em oito categorias. As apostas para o Oscar estão justamente nos seus dois pontos fortes: a atuação memorável de Christian Bale e a maquiagem incrível que ajudou a fazer o trabalho do elenco ainda mais realista. <em><strong>Vice</strong> </em>é a quarta nomeação de Bale por uma atuação – com apenas uma vitória por <em>O Vencedor</em> (2011). O ator ganhou a maioria das principais premiações e segue como o favorito para o Oscar de “Melhor Ator”, resta esperar para saber se a Academia irá ou não anunciar o nome dele no dia 24 de fevereiro.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/aui34BeH4FM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Grande Aposta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jan 2016 18:12:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A loucura do mercado financeiro é tema recorrente do cinema norte-americano. De Wall Street &#8211; Poder e Cobiça, de Oliver Stone, a O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Hollywood já explorou com as mais diferentes abordagens o fascínio de engravatados especuladores financeiros pelo dinheiro e por tudo aquilo que ele pode trazer. A Grande Aposta é um dos títulos recentes a explorar esse universo, especificando sua localização ao expor para o público os meandros da bolha imobiliária que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4337" aria-describedby="caption-attachment-4337" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4337 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/The-Big-Short-5-620x317.jpg" alt="The-Big-Short-5" width="620" height="317" /><figcaption id="caption-attachment-4337" class="wp-caption-text">Ironia: Filme é marcado pelo ritmo do humor, mas não é condescendente com o comportamento de alguns dos seus personagens</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A loucura do mercado financeiro é tema recorrente do cinema norte-americano. De <i>Wall Street &#8211; Poder e Cobiça</i>, de Oliver Stone, a <i>O Lobo de Wall Street</i>, de Martin Scorsese, Hollywood já explorou com as mais diferentes abordagens o fascínio de engravatados especuladores financeiros pelo dinheiro e por tudo aquilo que ele pode trazer. <i>A Grande Aposta</i> é um dos títulos recentes a explorar esse universo, especificando sua localização ao expor para o público os meandros da bolha imobiliária que levou não apenas os EUA como o mundo a uma preocupante crise financeira na segunda metade dos anos 2000. O filme é uma adaptação um livro de Michael Lewis, autor das obras literárias que deram origem aos longas <i>Um Sonho Possível </i>e <i>O Homem que Mudou o Jogo</i>, e, não por acaso, é baseado também em eventos e personagens reais.</p>
<figure id="attachment_4338" aria-describedby="caption-attachment-4338" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4338 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/The-Big-Short-23-620x355.jpg" alt="The-Big-Short-23" width="620" height="355" /><figcaption id="caption-attachment-4338" class="wp-caption-text">Outsider: Christian Bale consegue oferecer uma grande interpretação ao público na pele de um especulador financeiro com dificuldades de socialização.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>A Grande Aposta </i>inicia sua narrativa nos apresentando a Michael Burry, vivido por Christian Bale, o dono de uma empresa pequena que acompanha ações do mercado ao coordenar um fundo de investimento. Burry decide apostar todas as suas fichas na quebra do mercado imobiliário norte-americano. O diagnóstico de Burry leva o mercado financeiro ao frenesi já que outros profissionais do setor começam a sugerir aos seus clientes que sigam a tendência vislumbrada pelo excêntrico especulador financeiro. Acabam entrando na aposta perigosa um corretor que passa por problemas emocionais após o suicídio do seu irmão, interpretado por Steve Carell, e dois inexperientes na Bolsa de Valores que são guiados por um guru de Wall Street, interpretado por Brad Pitt, que há anos vive bem longe da agitação e do estresse do mercado financeiro.</p>
<p>Ao apostar no humor, o diretor Adam McKay acerta na condução de um roteiro ritmado e cheio de energia e frescor escrito por ele e por Charles Randolph. McKay dimensiona para o espectador o universo neurótico e de ética questionável da especulação econômica através do sarcasmo de um roteiro que é acompanhado pelo olhar irônico e inventivo do realizador. Em <i>A Grande Aposta</i>, Adam McKay joga todas as suas fichas em múltiplas formas de tornar uma trama repleta de termos e jogadas marcadas pelo &#8220;ecomiquês&#8221; em algo, no mínimo, &#8220;palatável&#8221; e compreensível para a plateia: existe a quebra da quarta parede por alguns personagens, interrupções da narrativa com sequências nas quais  algumas celebridades surgem para explicar determinados movimentos da trama&#8230; E McKay faz isso não porque não confia na capacidade de leitura e assimilação de conteúdos do seu público, mas porque são interferências necessárias para a fluidez da trama e acabam sendo formas inventivas de costurar o seu filme que estão à serviço do próprio tom encontrado pelo realizador para a sua narrativa.</p>
<figure id="attachment_4340" aria-describedby="caption-attachment-4340" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4340 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/150922153357-the-big-short-brad-780x439-1-620x317.jpg" alt="150922153357-the-big-short-brad-780x439" width="620" height="317" /><figcaption id="caption-attachment-4340" class="wp-caption-text">Midas: Produtor do filme, Brad Pitt também está no elenco da produção e acerta em cheio ao apostar em Adam McKay</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Do elenco, Christian Bale detém o personagem mais complicado da trama, ou pelo menos aquele que requer um exercício de composição mais rígido. Na pele do antissocial Michael Burry, Bale oferece uma interpretação cheia de detalhes, tornando-se, talvez, um dos pontos emotivos mais fortes de um filme que, acertadamente, sai gradualmente do humor e da ironia e acaba assumindo um tom mais grave em seu desfecho. Nesse sentido, Steve Carell também ganha destaque ao dar vida a um personagem que, se inicialmente parece ser um típico neurótico do mercado financeiro, aos poucos vai revelando uma crise de consciência e sua fragilidade emocional. Certamente, Bale e Carell são os atores com as performances mais interessantes do filme, talvez porque detenham os personagens cujos arcos dramáticos sejam mais intensos ao longo da trama, porém os demais colegas dos atores, entre eles, Brad Pitt e Ryan Gosling, também estão excelentes em momentos pontuais da história. Em suma, o elenco está imbatível e é um dos pontos fortes do longa.</p>
<p>Encontrando a medida certa entre a ironia e o humor que o universo que aborda merece ser tratado, sem cair no equívoco de abordar com desrespeito todas as consequências das ações questionáveis da maioria dos seus personagens ao longo da projeção, já que o filme consegue dar a dimensão da gravidade dos seus atos ao final da narrativa, <i>A Grande Aposta </i>é um êxito. Trata-se de um filme corrosivo e sério sobre o capitalismo, sem transformar-se em um filme sisudo ou pesado que força o espectador a aderir a uma determinada bandeira política ou ideológica. <i>A Grande Aposta </i>é um filme certeiro em seus propósitos. Adam McKay consegue tornar sua trama complicada e cheia de meandros &#8220;espinhosos&#8221; para olhares leigos em um longa cuja condução é marcada pelo frescor, sem perder o compromisso e a responsabilidade crítica que inevitavelmente atrai para si ao falar sobre o capitalismo e seus ciclos destrutivos e excludentes.</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-grande-aposta/">Crítica: A Grande Aposta</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steve Carell dividem a cena no primeiro trailer de A Grande Aposta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 22:13:24 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3658" aria-describedby="caption-attachment-3658" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/bigshottrailer.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3658 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/bigshottrailer-600x400.jpg" alt="bigshottrailer" width="600" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-3658" class="wp-caption-text">Elencaço: Steve Carell e Ryan Gosling em cena de A Grande Aposta</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais um filme junta-se a lista de potenciais oscarizáveis de 2016: <b>A Grande Aposta</b><em>, </em>que chama logo a atenção pelo seu elenco repleto de estrelas que incluem Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steve Carell. O filme ganhou data de estreia para o dia 25 de dezembro de 2015 nos EUA e deve encerrar as atividades do disputado AFI Film Festival, que traz outros destaques ainda não vistos na temporada cinematográfica do segundo semestre, como <em>By the Sea</em>, longa de Angelina Jolie que abre o festival.</p>
<p><i>A Grande Aposta</i> teve o seu primeiro trailer divulgada e ele<em> </em>é &#8220;vendido&#8221; pela Paramount como uma dramédia. A sinopse mais detalhada do filme ainda não foi divulgada, mas sabe-se que o filme vai centrar sua narrativa em um grupo que faz fortuna durante os anos 2000.</p>
<p>A direção do filme é de Adam McKay, o mesmo de comédias como <em>Tudo por um Furo </em>e <em>Os Outros Caras</em>. Além do quarteto central, o filme traz Selena Gomez, Marisa Tomei, Melissa Leo, Finn Wittrock e Karen Gillian no elenco. McKay também assina o roteiro da produção.</p>
<p>A estreia no Brasil está prevista para 4 de fevereiro de 2016.</p>
<p>Assista ao trailer abaixo</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vgqG3ITMv1Q" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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