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	<title>Arquivos A única mulher da orquestra - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: A Única Mulher da Orquestra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 01:19:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu novo filme, a diretora Molly O’Brien (The Wild Things) reúne uma equipe de cinema para homenagear e contar a história da pessoa que ela mais admira no mundo: a sua tia. Mas, não se engane, esse não é um “filme de churrasco” tradicional. A tia de Molly é ninguém menos que Orin O&#8217;Brien, uma das maiores contrabaixistas do mundo. Membro da filarmônica de Nova Iorque, Orin foi, por muito tempo &#8220;A Única Mulher da Orquestra” – daí o [&#8230;]</p>
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<p>Em seu novo filme, a diretora Molly O’Brien (<em>The Wild Things</em>) reúne uma equipe de cinema para homenagear e contar a história da pessoa que ela mais admira no mundo: a sua tia. Mas, não se engane, esse não é um “filme de churrasco” tradicional. A tia de Molly é ninguém menos que Orin O&#8217;Brien, uma das maiores contrabaixistas do mundo. Membro da filarmônica de Nova Iorque, Orin foi, por muito tempo &#8220;<em>A Única Mulher da Orquestra</em>” – daí o título do filme.</p>
<p>Para realizar tal intento, Molly convoca um formato tradicional de documentários estadunidenses, daqueles que abusam de relatos da protagonista em off, que revelam um certo humor ácido da mesma e que põe algumas fotos e matérias de arquivo para fomentar o discurso de que o público acompanha a história de alguém realmente incrível.  Obviamente, no caso deste doc da Netflix a figura central é sim uma mulher maravilhosa, porém seria criativo buscar outros aspectos da vida de Orin ou até mesmo suas falhas para contrabalancear toda a genialidade e grandeza da artista.</p>
<p>É sempre bom explorar camadas de personagens. Ainda assim, Molly consegue construir um laço de empatia e proximidade com a personagem principal do curta-metragem, justamente através da própria relação que ela tem com a sua tia. São nas sequências das conversas entre as duas que uma dicotomia é estabelecida: de um lado a visão realista e firme de Orin, que se vê como uma mulher talentosa, mas comum. Do outro, há Molly, que idealiza sua tia e a coloca em um pedestal. A criação desta dualidade imprime complexidade para a narrativa do curta. A plateia compreende de forma mais profunda quem é esta única mulher da orquestra.</p>
<p>Até mesmo na escolha de ser contrabaixista, as marcas de personalidade forte de Orin são vislumbradas. Neste sentido, o seu amor pela arte transborda da tela e a musicista se revela não apenas humilde, mas fiel ao mundo da música. Porque ela não está ocupando este espaço por vaidade e sim por vocação. Por isso, além do discurso verbal da obra, era necessário que esse carinho genuíno fosse contemplado visualmente. É por esta razão que Molly parece escolher manter os seus planos mais abertos, com pouca movimentação de câmera, para que quem assiste consiga observar com calma o jeito habilidoso de Orin de tocar e de falar sobre sua profissão.</p>
<p>Inclusive, observar os deslocamentos e pausas da contrabaixista é o que há de mais cativante na produção, principalmente quando ela está tocando. Além disso, é notável como a equipe de arte e de fotografia dialoga e mantém esse universo solar, de quem traz consigo um contetamento pelas escolhas da carreira, através da manutenção ou da exploração de temperaturas mais quentes ou amadeiradas. Aqui, nesta estética, tem-se uma junção de sensação de alegria – vinda dessa concretização de uma carreira brilhante –, mais a ambientação dos espaços artísticos.</p>
<p>É quase possível sentir o cheiro do tablado do palco, dos tacos da sala de Ori e do piano, que quando é aberto libera um aroma muito específico. Desta maneira, ainda que <em><strong>A Única Mulher da Orquestra</strong></em> não entregue nada fora do comum, é na tradição do gênero que Molly O’Brien e sua equipe, juntamente com a figura carismática de Orin, criam uma projeção agradável, que cativa, por contar com o passado de uma mulher essencial para a música novaiorquina e estadunidense e por ser tão inspirador ao lembrar que o estar presente é deveras mais relevante do que se mostrar presente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Molly O’Brien</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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