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	<title>Arquivos A Bússola de Ouro - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos A Bússola de Ouro - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Nicole Kidman: Uma carreira em 10 atos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jun 2017 19:23:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (20), Nicole Kidman está completando 50 anos. No auge da sua maturidade profissional, Kidman segue colhendo os louros da sua poderosa interpretação na minissérie da HBO Big Little Lies e esteve recentemente nos cinemas com Lion: Uma Jornada para Casa, longa que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. A jornada da australiana, no entanto, não começou agora, claro. Na ativa desde os anos de 1980, Kidman coleciona glórias e derrotas em uma carreira cheia de altos e baixos que a atriz [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta terça-feira (20), Nicole Kidman está completando 50 anos. No auge da sua maturidade profissional, Kidman segue colhendo os louros da sua poderosa interpretação na minissérie da HBO <em>Big Little Lies </em>e esteve recentemente nos cinemas com <em>Lion: Uma Jornada para Casa</em>, longa que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. A jornada da australiana, no entanto, não começou agora, claro. Na ativa desde os anos de 1980, Kidman coleciona glórias e derrotas em uma carreira cheia de altos e baixos que a atriz administra com igual graciosidade e talento através de escolhas ousadas que desafiam os padrões hollywoodianos até hoje. Aproveitando a ocasião, fizemos um retrospecto da carreira de Nicole em 10 atos que justificam nosso amor por essa diva australiana que por tantos anos nos encanta com suas atuações.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7813" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1980.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato um: </strong>A carreira na Austrália</p>
<p style="text-align: left;">Quando começou a trabalhar na Austrália, Nicole Kidman tinha por volta dos seus 15 anos de idade. Alta, sardenta e ostentando cachos ruivos que lhe renderam apelidos nada carinhosos nos tempos de escola, Nicole teve seus primeiros passos na televisão australiana com o filme <em>Skin Deep </em>e conseguiu ser apadrinhada por gente graúda, como o diretor George Miller (<em>Mad Max</em>), que começou a escalar a atriz para muitas de suas produções. A ótima relação com Miller rendeu a Nicole duas atuações até hoje celebradas na Austrália: as minisséries <em>Vietnam </em>(1987) e <em>Bangkok Hilton</em> (1989)<i>, </i>produções da Kennedy Miller, produtora do cineasta. Pela primeira, Kidman conseguiu o prêmio de melhor atriz pelo Australian Film Institute na categoria minissérie interpretando uma jovem ativista anti-guerra que se comove com a situação de australianos envolvidos no conflito do Vietnã( 2:55):</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Hd1yTu_Gqa4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7814" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1989.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato dois: </strong>A chegada em Hollywood</p>
<p>Kidman estrelou uma dúzia de filmes australianos que contribuíram para a construção do seu estrelato local, como <em>Bush Christmas</em>, <em>Bicicletas Voadoras</em>, <em>Archer: O Corcel Lendário </em>e <em>A Dança das Sombras</em>. Porém, não demoraria muito para Hollywood perceber a atriz. A oportunidade veio em 1989 com <em>Terror a Bordo</em>, <em>thriller </em>dirigido pelo australiano Phillip Noyce. No longa, Kidman e Sam Neill interpretam um casal que decidem passar um tempo isolado em alto mar para esquecer uma tragédia familiar e acaba dando de cara com um estranho que teve um problema com seu barco. Diferente das produções australianas anteriormente protagonizadas por Nicole, <em>Terror a Bordo </em>teve um alcance mundial e foi distribuído pela Warner. Assim como <em>Vietnam </em>e <em>Bangkok Hilton</em>, o filme era produzido por George Miller e parecia formatado para catapultar a carreira de Nicole. Ao repercutir nas bilheterias e ter uma ótima aceitação da crítica, Nicole passou a ser chamada para testes em grandes produções hollywoodianas como <em>Ghost: Do Outro Lado da Vida</em>. Sua estreia em Hollywood, no entanto, foi numa participação em <em>Dias de Trovão</em>,<em> </em>de Tony Scott, onde a atriz interpretou uma médica que envolvida amorosamente com o piloto de corridas vivido pelo astro Tom Cruise, com quem se casaria e protagonizaria também <em>Um Sonho Distante</em>, aventura romântica sobre a corrida do ouro nos EUA conduzida por Ron Howard, em 1992.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7815" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/1995.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato três:</strong> Voos solo</p>
<p>Se desvencilhar do título &#8220;Sra. Tom Cruise&#8221; foi difícil para a atriz. Sua carreira em Hollywood não parecia trazer nem vestígios dos seus primeiros anos na Austrália. Mesmo tendo sido indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante pelo longa <em>Billy Bathgate: O Mundo aos seus Pés </em>em 1992, nenhum dos trabalhos de Nicole que seguiram <em>Dias de Trovão </em>pareciam expressivos, como atestam o dramalhão <em>Minha Vida </em>e o suspense <em>Malícia</em>, ambos de 1993. Mesmo <em>Um Sonho Distante</em>, que teve uma relativa repercussão, parecia ser sufocado pelo interesse público na vida íntima de Kidman e seu marido.</p>
<p>As coisas começaram a mudar a partir de 1995. Nicole saiu um pouco da sombra de Cruise e protagonizou dois dos filmes mais emblemáticos de sua carreira. No verão americano, ela esteve em <em>Batman Eternamente</em> interpretando a psiquiatra Dra. Chase Meridian, interesse amoroso do icônico herói da DC Comics. O filme de Joel Schumacher foi uma das dez maiores bilheterias daquele ano e bateu o recorde de melhor abertura de um filme marcado antes por <em>Jurassic Park </em>em 1993. Era o <em>hit </em>que Kidman precisava. Por sua vez, ainda em 1995, a atriz esteve em Cannes com a comédia de humor negro <em>Um Sonho sem Limites</em> do cineasta Gus Van Sant na qual interpretou a ambiciosa repórter de TV Suzanne Stone Maretto, uma interpretação que lhe valeu elogios, prêmios como o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e o Critic&#8217;s Choice Awards de melhor atriz e rumores de uma primeira indicação ao Oscar, que, para a decepção de muitos, não ocorreu.</p>
<p>O longa marcou a estreia dos jovens Joaquin Phoenix e Casey Affleck e acaba de ser lançado pela primeira vez em DVD no Brasil pela distribuidora Obras-Primas. Entre as cenas mais memoráveis da atriz no longa está um monólogo de abertura que nos dá pistas da natureza doentia da personagem e da sua obsessão pela fama a qualquer preço:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/DC88UajiTnM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7816" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/7d34c803e054cf01fe0beb0d473b7a04-Copia.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato quatro: </strong>Kubrick, Um mentor</p>
<p>Após <em>Um Sonho sem Limites</em>, muitos esperavam que Kidman tomasse as rédeas da sua carreira. Em 1996, a australiana protagonizou enfim um longa da sua amiga Jane Campion, o drama de época <em>Retratos de uma Mulher</em>, baseado no romance homônimo de Henry James, e obteve elogios por sua atuação ao lado de John Malkovich como uma jovem que se vê enredada em uma relação abusiva com um mau caráter. Ao filme de Campion, seguiram títulos mais comerciais como <em>O Pacificador</em> e <em>Da Magia à Sedução</em>, nos quais Nicole dividia a tela com George Clooney e Sandra Bullock, respectivamente. Contudo, parecia que Nicole abria mão de certos projetos para se dedicar mesmo ao seu casamento a à criação dos dois filhos que adotara com Cruise, Isabella e Connor.</p>
<p>Tudo mudaria quando o casal decidiu participar de um projeto do cultuado cineasta Stanley Kubrick, <em>De Olhos bem Fechados. </em>Inspirado no romance <em>Traumnovelle</em> de Arthur Schnitzler, o longa contava a história de um homem que após uma discussão com sua esposa empreendia uma jornada de descoberta sexual em Nova York. Dois anos intensos de convivência com Kubrick nos sets de <em>De Olhos bem Fechados </em>renderam a Nicole uma relação muito próxima com o cineasta e sua família. Até hoje, Kidman repercute as palavras e conselhos de Kubrick dados na ocasião das filmagens do drama, &#8220;Proteja seu talento, invista nele, escolha os autores&#8221;, relembra a atriz. Essas ideias acabaram influenciando de fato aquilo que Nicole Kidman buscou para si em sua carreira e traz consigo uma relação de devoção e entrega da atriz com seus diretores que se repete em outros projetos.</p>
<p><em>De Olhos bem Fechados </em>foi o último trabalho de Stanley Kubrick nos cinemas. Em 1999, quando saiu  para divulgar o filme, Nicole não conseguia esconder a emoção ao falar do amigo Kubrick (5:38):</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rjmFQfQH2QM" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7817" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/2001.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato cinco: </strong>Kidmania</p>
<p>2001 foi um ano tumultuado na vida da atriz. Na vida pessoal, Kidman estava passando pelo divórcio e por toda sorte de exposição advinda dele. Porém, no primeiro ano do século XXI, a atriz desabrochou aos olhares do mundo. Em Cannes, Nicole apresentava <em>Moulin Rouge</em>, renascimento dos musicais conduzido pelo australiano Baz Luhrmann ambientado na virada do século XX (mais pertinente e simbólico que isso, impossível!) protagonizado por uma cortesã da famosa casa de shows parisiense e um aspirante a escritor interpretado por Ewan McGregor. <em>Moulin Rouge </em>trazia em sua trilha uma compilação de <em>hits </em>popularizados nas versões de Nirvana, David Bowie, Madonna e Elton John interpretados pelo elenco do filme. Inegavelmente, <em>Moulin Rouge </em>é o trabalho que imortaliza Nicole Kidman nas telas e nada pode ser mais emblemático sobre o ícone que surgia aos nossos olhos do que a entrada de sua Satine no Moulin Rouge cantando &#8220;Diamonds are a girl&#8217;s best friend&#8221;:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/a1REfTIc5po" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Como se não bastasse o sucesso de <em>Moulin Rouge</em>, Kidman ainda lançaria em 2001 o suspense <em>Os Outros</em>, de Alejandro Amenábar. No filme, Nicole interpreta uma mulher à espera do retorno do seu marido da guerra enquanto cuida dos seus dois filhos doentes. Tal qual <em>Moulin Rouge</em>, <em>Os Outros </em>caiu nas graças do público e da crítica. Nicole estava em todas as capas de revista e manchetes de jornais como o nome de Hollywood em 2001, acenando a chegada de sua primeira indicação ao Oscar de melhor atriz com <em>Moulin Rouge</em>. Na época, ficou notória a sua primeira grande entrevista para o apresentador David Letterman no <em>Late Show </em>no qual Nicole teve sim que falar do divórcio, mas também abordava o ótimo momento da sua carreira e como o público estava acolhendo-a:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/iFJvzlm8adQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7818" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/2003.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato seis:</strong> O Oscar</p>
<p>Dividindo a tela com Meryl Streep e Julianne Moore, Nicole Kidman conseguiu o Oscar de melhor atriz pelo filme <em>As Horas</em>, do diretor inglês Stephen Saldry, interpretando a escritora Virginia Woolf. Baseado no romance homônimo de Michael Cunningham, o longa intercala um dia na vida de três mulheres atravessadas pelo romance <em>Sra. Dalloway</em>: a escritora do livro Virginia Woolf (Nicole), única personagem que de fato existiu fora da ficção; a dona de casa Laura Brown (Moore); a editora de livros Clarissa Vaughn (Streep). O longa até hoje é bastante cultuado, sobretudo na comunidade LGBT, e não só rendeu 9 indicações ao Oscar, como também um prêmio de melhor atriz coletivo para suas  três protagonistas no Festival de Berlim. Sozinha, Nicole levou o prêmio de melhor atriz em drama no Globo de Ouro (o terceiro da sua carreira) e de melhor atriz no Bafta.</p>
<p>No Oscar, Kidman enfrentou a concorrência de Renée Zellweger (<em>Chicago</em>), Julianne Moore (<em>Longe do Paraíso</em>), Salma Hayek (<em>Frida</em>) e Diane Lane (<em>Infidelidade</em>). Para viver Virginia, Nicole sofreu uma drástica transformação física, o que incluia uma prótese de nariz para ficar mais próxima da aparência da escritora. A transformação gerou inclusive uma piada do ator Denzel Washington que entregou o prêmio da Academia para a atriz. Na ocasião, os EUA invadia o Afeganistão pós-11 de setembro e a cerimônia foi marcada por alguns discursos de cunho político (Michael Moore ganhou o prêmio de melhor documentário por <em>Fahrenheit</em> 9/11)<em>.</em> Nicole fez um desses discursos e falava sobre a importância da arte em tempos sombrios como aquele que o mundo vivia:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/D0FWFQpnZ54" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7837" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/article-2580156-1C43661400000578-384_634x450.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato sete:</strong> S<em>tar quality</em> nos seus próprios termos</p>
<p>Com<strong>  </strong>Hollywood a seus pés e um Oscar em suas mãos, Kidman poderia trilhar os caminhos das suas colegas e ficar satisfeita com mega contratos para produções de grande orçamento ou aspirar ser a nova &#8220;queridinha da América&#8221; em comédias românticas. Pós-Oscar, contudo, Kidman se comprometeu com <em>Reencarnação </em>de Jonathan Glazer, um drama difícil e só redescoberto pela cinefilia anos depois de seu lançamento. Nele a australiana interpretava uma viúva que acreditava piamente que um garoto de 10 anos era a reencarnação do seu falecido marido. Movida pelo mesmo desejo de procurar os &#8220;autores&#8221;, um ano antes, após o sucesso de <em>Os Outros </em>e <em>Moulin Rouge</em>, Kidman foi para a Europa filmar <em>Dogville</em> de Lars von Trier, drama sobre uma mulher explorada por uma comunidade rural no interior dos EUA filmado em um galpão com um cenário formado apenas por marcações de giz no chão.</p>
<p>Nicole, contudo, nunca deixou de buscar produções mais populares como a adaptação cinematográfica da série de TV <em>A Feiticeira</em>, filmes que exploravam seu <em>status </em>de diva das telas como <em>Cold Mountain</em>,  <em>Austrália </em>e <em>Nine</em> ou aceitar cachês milionários como os US$ 17 milhões por <em>Invasores. </em>Porém, a atriz alternava essas escolhas com trabalhos de cineastas cultuados ou que haviam acabado de ser descobertos pela crítica como <em>A Pele</em>, por exemplo, cinebiografia da fotógrafa Diane Arbus conduzida Steven Shainberg, diretor de <em>Secretária</em>.</p>
<p>Assim, Kidman firmava algo que já se desenhava em 1995, quando ofereceu ao público <em>Batman Eternamente</em>, mas também <em>Um Sonho sem Limites. </em>Isso<em> </em>se repetia em seu momento pós-Oscar. No ano de 2007, Nicole esteve nos cinemas com o <em>blockbuster </em><em>A Bússola de Ouro (foto), </em>mas também no <em>indie </em><em>Margot e o Casamento</em>, de Noah Baumbach, ao lado de Jennifer Jason Leigh e Jack Black.</p>
<p>Uma matéria recente do Buzz Feed aborda essa política traçada por Kidman em sua carreira e mostra como ao mesmo tempo em que esse caminho parece um &#8220;mundo ideal&#8221; na concepção de uma trajetória profissional, trouxe percalços para Nicole. Ao trafegar pelas duas frentes, a atriz parecia não conseguir ser uma figura pública popular o suficiente tal qual contemporâneas como Cameron Diaz ou Julia Roberts e também sofrer um certo desdém do circuito independente que a via como uma estrela intocável de Hollywood. <a href="https://www.buzzfeed.com/annehelenpetersen/quantas-vezes-mais-nicole-kidman-vai-precisar-prov?utm_term=.xxkm855g3#.iedGOvvqm">Leia a matéria completa aqui.</a></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7820" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/2010.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato oito: </strong>Blossom Films</p>
<p>Aos 40, Kidman passava por uma escassez de projetos típica de toda atriz em sua faixa etária. Se preparando para a maturidade, a australiana fez o que muitos atores costumam fazer, abriu a sua própria produtora de cinema. Junto com o sócio Peer Sari, Nicole fundou a Blossom Films para que, entre outras coisas, pudesse levar à frente projetos nos quais desejasse atuar. O primeiro deles foi o drama de baixo orçamento (US$ 5 milhões) <em>Reencontrando a Felicidade</em>, adaptação cinematográfica da peça <em>A Toca do Coelho </em>da David Lindsay-Abaire que havia rendido um Tony de melhor atriz para Cynthia Nixon. O projeto fora roteirizado pelo próprio dramaturgo e contava a história de um casal lidando com a recente morte do único filho.</p>
<p>Inicialmente, o filme seria dirigido por Sam Raimi, da primeira trilogia <em>Homem-Aranha</em>, mas a atriz acabou oferecendo a condução para John Cameron Mitchell, do cultuado musical <em>indie </em><em>Hedwig</em>. O longa estreou no Festival de Toronto em 2010 com muitos elogios para a interpretação de Nicole e acabou lhe rendendo muitas indicações naquela temporada de prêmios do cinema. A cereja no bolo foi a terceira indicação ao Oscar na carreira da atriz. Durante as entrevistas no tapete vermelho, Kidman enfatizava como aquela indicação tinha um &#8220;sabor&#8221; especial pois se tratava de um projeto que partiu da sua iniciativa:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/dVkOpYYvs0U" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Durante um tempo, Kidman esteve com <em>A Garota Dinamarquesa </em>em suas mãos e interpretaria o papel que acabou sendo vivido pelo ator Eddie Redmayne nos cinemas, a transsexual Lili Elbe. Ela atuaria ao lado de Charlize Theron e seria dirigida por Tomas Alfredson (<em>Deixe Ela Entrar</em>). A Blossom Films teve que ceder os direitos do longa pela dificuldade de financiar o projeto. A segunda produção da Blossom Films foi <em>Desafiando a Arte</em>, um longa dirigido e protagonizado por Jason Bateman, que também contava com Nicole em seu elenco. O filme teve uma ótima aceitação da crítica, mas enfrentou dificuldades no mercado exibidor, tendo sido visto por pouquíssima gente. No Brasil, chegou diretamente em DVD. Vale a pena ser assistido, inclusive, l<a href="http://coisadecinefilo.com.br/dvdblu-ray-desafiando-a-arte/">eia nossa crítica sobre o longa aqui.</a></p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7838" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/450749894.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato nove: </strong>Administrando o fracasso</p>
<p>Em 2012, apesar de dividir críticos com o polêmico <em>Obsessão </em>de Lee Daniels, Nicole Kidman foi elogiada em Cannes e recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao SAG pelo papel da ninfomaníaca (&#8220;Barbie californiana&#8221;, segundo um crítico do The Guardian) que vivia um triângulo amoroso com Zac Efron e John Cusack. Naquele mesmo ano, Kidman era indicada aos mesmos prêmios e recebia sua primeira indicação ao Emmy pelo telefilme da HBO <em>Hemingway e Gelhorn</em>, que contava o relacionamento tumultuado entre o escritor Ernest Hemingway (interpretado por Clive Owen) e a correspondente de guerra Martha Gelhorn. Um ano depois, a atriz estrelou <em>Segredos de Sangue</em>, primeiro e único filme nos EUA do sul-coreano Park Chan-wook (<em>Oldboy</em>). O filme buscava inspirações em <em>A Sombra de uma Dúvida </em>de Hitchcock e Nicole interpretava uma viúva cuja relação com a filha adolescente era tumultuada a partir da chegada do tio da jovem.</p>
<p>Kidman seguia apostando na diversidade e nos riscos de seus papéis e projetos. Para se ter uma ideia, a australiana saiu dos sets de <em>Obsessão </em>e <em>Segredos de Sangue, </em>onde viveu personagens sombrios em produções conduzidas por diretores com personalidades muito fortes, para entrar no universo sofisticado da realeza de Mônaco interpretando Grace Kelly na biografia <em>Grace de Mônaco</em>, longa do francês Olivier Dahan (<em>Piaf: Um Hino ao Amor</em>). O filme foi ridicularizado no Festival de Cannes em 2014, saindo de lá como a pior abertura da história do festival, foi rejeitado pela família real de Mônaco e protagonizou machetes com direito a trocas de ofensas entre o roteirista Arash Amel, o diretor Olivier Dahan e o produtor Harvey Weinstein a respeito da responsabilidade pelo resultado final. Com o profissionalismo que lhe é peculiar, Kidman promoveu o projeto o quanto pôde. Prova disso é que em 2016, após ter sido lançado diretamente para a TV pela Lifetime, a atriz foi indicada ao SAG e seguiu falando com naturalidade sobre a sua Grace Kelly e os problemas que envolveram o contexto de recepção da biografia:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/-d6U_pfw5hI" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7822" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/06/91b55b2c-025f-11e7-87c7-5947ba54d240.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p><strong>Ato 10: </strong>Renascença?</p>
<p>Ao final do episódio <em>You Get</em> What<em> You Need </em>de <em>Big Little Lies</em>, o <em>Twitter </em>foi tomado por inúmeros <em>posts </em>que se mostravam surpresos e impressionados com o alcance da interpretação de Nicole Kidman como Celeste Wright, advogada que abdica da carreira pelo casamento. Nicole é uma das pontas centrais de <em>Big Little Lies</em>, minissérie dirigida por Jean-Marc Vallée (<em>Livre </em>e <em>Clube de Compras Dallas</em>) e escrita pelo lendário David E. Kelley <em>(Ally</em> <em>McBeal</em>)<em>.</em> Para a atriz, que há anos não fazia um trabalho tão intenso para a TV, a experiência foi nova, sobretudo por acompanhar a repercussão semana-a-semana dos episódios da série nos lugares onde ia e nas redes sociais. Kidman repercutira a experiência no programa da apresentadora Ellen DeGeneres:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/IsZRgiQQi9c" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Meses antes, Kidman havia recebido sua terceira indicação ao Oscar pelo filme <em>Lion: Uma Jornada para Casa</em>, de Garth Davis, a primeira da sua carreira como atriz coadjuvante. Um pouco mais adiante no tempo, em abril, o Festival de Cannes anuncia a sua seleção de títulos a serem exibidos e na lista nada menos do que quatro projetos com o nome de Nicole no elenco: <em>O Estranho que Nós Amamos</em>, de Sofia Coppola; <em>The Killing of a Sacred Deer, </em>de Yorgos Lanthimos (<em>O Lagosta</em>); a segunda temporada da série <em>Top of the Lake</em>, de Jane Campion; e <em>How to talk to girls at Parties, </em>de John Cameron Mitchell. Em cada um deles, Nicole vive um papel diferente: a diretora de uma casa para garotas durante os tempos de guerra civil nos EUA, a esposa de um médico, uma feminista e uma punk. Nos quatro, Kidman recebeu muitos elogios por suas performances e saiu do festival com um prêmio comemorativo pela 80ª edição do evento. Na coletiva de <em>The Killing of a Sacred Deer</em><em>, </em>Nicole tentou dimensionar para os jornalistas essa fase tão produtiva:</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ZEdyz1TZDdg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Estaríamos vivendo o que muitos têm chamado de renascença da carreira de Nicole Kidman ou sua redescoberta pelo grande público.  Essa &#8220;renascença&#8221; não chega a ser uma surpresa para quem a acompanha há anos. Talvez a proporção que tenha assumido seja surpreendente, mas Nicole conseguiu isso fazendo exatamente as escolhas corajosas que sempre fez ao longo de sua trajetória, ou seja, sendo coerente com seu &#8220;modo Nicole Kidman de administrar o estrelato&#8221;.  É, contudo, uma fase emblemática pois coincide com a chegada dos seus 50 anos, uma fase que costuma ser vista como uma etapa crítica na trajetória de qualquer atriz, afinal, Hollywood segue machista e o cinema americano é um lugar nada amistoso para mulheres na casa dos 50 anos. Ao receber um prêmio da revista Glamour, no entanto, Nicole dá o seu recado, ela está só começando!</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/uUrBDnZOv_s" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Confira também o especial que fizemos ano passado <a href="http://coisadecinefilo.com.br/nicole-kidman-10-filmes-com-a-atriz/">clicando aqui.</a></p>
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		<title>&#8220;Deu ruim&#8221;: Cinco franquias que não vingaram</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 May 2014 15:56:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[A Bússola de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[David Fincher]]></category>
		<category><![CDATA[Desventuras em Série]]></category>
		<category><![CDATA[Jake Gyllenhaal]]></category>
		<category><![CDATA[Jim Carrey]]></category>
		<category><![CDATA[Millennium - Os Homens que não Amavam as Mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[O Guia do Mochileiro das Galáxias]]></category>
		<category><![CDATA[Rooney Mara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O verão norte-americano e, consequentemente, as férias de junho/julho no Brasil, é abarrotado de séries cinematográficas. No entanto, nem toda empreitada dá certo. Várias franquias para o cinema foram emperradas por fatores diversos, boa parte deles ligados a um saldo negativo nas bilheterias. A equação mal resolvida entre valores gastos pelos estúdios e os ingressos vendidos nunca é exata, muitas vezes o filme tem que render mais que o dobro para ser considerado rentável. Selecionamos cinco títulos que nasceram com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O verão norte-americano e, consequentemente, as férias de junho/julho no Brasil, é abarrotado de séries cinematográficas. No entanto, nem toda empreitada dá certo. Várias franquias para o cinema foram emperradas por fatores diversos, boa parte deles ligados a um saldo negativo nas bilheterias. A equação mal resolvida entre valores gastos pelos estúdios e os ingressos vendidos nunca é exata, muitas vezes o filme tem que render mais que o dobro para ser considerado rentável. Selecionamos cinco títulos que nasceram com pretensões de &#8220;dar cria&#8221;, mas que acabaram tendo suas carreiras completamente podadas:</p>
<figure id="attachment_618" aria-describedby="caption-attachment-618" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Picture-82.png"><img decoding="async" class="wp-image-618" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Picture-82-620x385.png" alt="Millenium" width="620" height="385" /></a><figcaption id="caption-attachment-618" class="wp-caption-text">Craig, Mara e Fincher saíram do barco após ficarem impacientes com a indefinição da Sony sobre a continuação de &#8220;Millennium&#8221;.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>#01. Millennium</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong> <em>Millennium &#8211; Os Homens que não Amavam as Mulheres</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>90 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 102 milhões (EUA) + 130 milhões (outros) = 232 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 86% dos críticos aprovaram</p>
<p>Baseado na trilogia policial <em>Millenium</em>, do escritor sueco Stieg Larsson, que transformou-se em <em>best-seller </em>mundial logo após a morte do autor, <em>Os Homens que não Amavam as Mulheres </em>ganhou uma versão cinematográfica pelas mãos do norte-americano David Fincher, diretor já familiarizado com as tramas de assassinatos e investigações policiais semelhantes aquelas protagonizadas pelo jornalista Mikael Bomkvist e pela hacker Lisbeth Salander.</p>
<p>A primeira &#8211; e única &#8211; produção foi lançada nos cinemas em dezembro de 2011 e contava a história do desaparecimento de uma mulher na Suécia. O caso passa a ser investigado pelo jornalista Mikael Blomkvist, que trabalha em uma famosa revista no país, a Millennium. Ele é ajudado por uma hacker anti social chamada Lisbeth Salander. O filme de Fincher foi antecedido por uma trilogia cinematográfica sueca relativamente bem sucedida e que tornou conhecido o nome de Noomi Rapace, intérprete local de Salander. No entanto, não foi a existência de uma outra versão para a história que interrompeu o andamento de <em>Millenium.</em></p>
<p>Após <em>O Curioso Caso de Benjamin Button  </em>e <em>A Rede Social</em>, um retorno de David Fincher ao gênero que o tornou célebre era esperado com muita expectativas, afinal ele ganhou visibilidade no meio com <em>Seven</em>. Atrizes como Keira Knightley e Scarlett Johansson disputaram a tapa o papel de Lisbeth, que acabou nas mãos de Rooney Mara, dirigida por Fincher em <em>A Rede Social</em>. A dedicação de Mara na caracterização da hacker impressionava a cada foto oficial, transformando sua Salander em uma personagem visualmente mais crível que a versão sueca. Além disso, os primeiros <em>teasers </em>da produção ao som de &#8220;Immigrant Song&#8221;, de Led Zeppelin, na interpretação de Karen O. e dos inseparáveis Atticus Ross e Trent Reznor, deixaram os cinéfilos com grandes expectativas. Quando lançado, o filme recebeu excelentes críticas, mas enfrentou problemas nas bilheterias. Com orçamento de U$S 90 milhões, o longa encontrou dificuldades para superar esse valor nas bilheterias nas primeiras semanas, sobretudo por ter sido lançado em pleno Natal (conseguir publico para um filme tão denso e sombrio em dezembro foi um desafio imposto à produção que nem mesmo as cinco indicações ao Oscar, uma delas a de melhor atriz para Rooney Mara, fez concretizar). Resultado? As duas continuações, <em>A Menina que Brincava com Fogo </em>e <em>A Rainha do Castelo de Ar</em>, permaneceram no limbo por um bom tempo. O roteirista do primeiro longa Steve Zaillian esteve vinculado às continuações, mas David Fincher descartou a ligação e já engatou a adaptação de outro <em>best-seller</em>, <em>Garota Exemplar</em>, que chega aos cinemas esse ano, e sua versão de <em>20.000 Léguas Submarinas</em>. Em entrevistas concedidas a alguns veículos, a atriz Rooney Mara afirmou que a probabilidade das continuações acontecerem é bem pequena.</p>
<figure id="attachment_619" aria-describedby="caption-attachment-619" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Mrs-Coulter-mrs-coulter-5223252-1848-1080.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-619" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Mrs-Coulter-mrs-coulter-5223252-1848-1080-620x395.jpg" alt="A Bússola de Ouro" width="620" height="395" /></a><figcaption id="caption-attachment-619" class="wp-caption-text">Fronteiras da criação: Divergências criativas entre o estúdio e o director Chris Weitz foram as principais razões apontadas para o fracasso de &#8220;A Bússola de Ouro&#8221;.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong># 02. Fronteiras do Universo</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>A Bússola de Ouro</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>180 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 70 milhões (EUA) + 302 milhões (outros) = 372 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 42% dos críticos aprovaram</p>
<p><em>A Bússola de Ouro </em>é um dos típicos casos em que a interferência de um estúdio que julga saber tudo sobre todos os departamentos sabotam um projeto promissor. Primeira parte da trilogia <em>Fronteiras do Universo </em>do inglês Philip Pullman, <em>A Bússola de Ouro </em>(o livro), trazia a trama de uma órfã criada em uma Universidade que descobre um universo paralelo ao seu ocultado por um grupo de fundamentalistas religiosos chamado de Magistério. Ao longo de seus livros, Pullman faz críticas severas ao catolicismo e sua relação com a Ciência e com as altas esferas de poder político, através da atuação do Magistério. Em virtude desse teor, <em>Fronteiras do Universo </em>foi execrado em algumas instâncias e recebeu inúmeras ações de boicote, inclusive quando chegou ao conhecimento de todos que um filme baseado na série literária estava sendo realizado em Hollywood.</p>
<p>Os direitos de adaptação foram comprados pela New Line, em ascensão na época após o êxito da trilogia <em>O Senhor dos Anéis</em>, de Peter Jackson, e um elenco encabeçado por Nicole Kidman, Daniel Craig e Eva Green foi escalado. Mais do que qualquer outra obra de fantasia, <em>Fronteiras do Universo </em>foi anunciada de cara como a trilogia sucessora de <em>O Senhor dos Anéis</em>. Toda a campanha de marketing salientava que o mesmo estúdio responsável pela trilogia de Tolkien, que ressucitou o interesse do público por fantasias, estava trazendo para a audiência <em>A Bússola de Ouro</em>. O primeiro teaser trailer do filme reforçava essa associação ao transformar o Um Anel de Gollum e Frodo na bússola de Lyra, protagonista de <em>Fronteiras</em>.</p>
<p>O que se sabe é que, nos bastidores, as relações entre aqueles que estavam por trás das câmeras foram muito complicadas. Dois anos após o lançamento do primeiro e único filme da trilogia, o diretor inglês Chris Weitz, realizador do longa, contou como foram tensas suas reuniões com os executivos da New Line, que faziam inúmeras exigências no tom da abordagem do filme sobre o Magistério e deletaram inúmeras cenas que poderiam ter transformado <em>A Bússola de Ouro </em>em outro filme. Uma das exclusões mais lamentadas, por exemplo, foi o desfecho da trama que traria o esperado encontro entre a grande vilã da história, a Sra. Coulter (Nicole Kidman), e do cientista Lord Asriel (Daniel Craig). A cena, que faz mais sentido como encerramento de um episódio da história, é substituída no longa que assistimos por uma conversa ingênua entre Lyra e Roger que sugeria uma continuidade dos eventos (algo como &#8220;aguardem nossas próximas aventuras!&#8221;, o que, ironicamente, nunca aconteceu).</p>
<p>Quando estreou em 2007 com um marketing massivo, <em>A Bússola de Ouro </em>foi um grande desastre comercial, ficando menos tempo que o esperado em cartaz nos cinemas norte-americanos, o que, por si só, já encerra qualquer sobrevida de futuros projetos. A tragédia financeira só não foi maior porque o longa encontrou sucesso em outras praças de exibição na Europa, América Latina etc. No entanto, a arrecadação não foi o suficiente para a New Line bancar a continuidade, que teria que ser engatada logo, afinal, sua protagonista Dakota Blue Richards estava crescendo e a história de Pullman não tem uma evolução tão drástica assim no tempo. No final, ficou tudo por isso mesmo e não houve continuidade na trama. De saldo positivo, somente a vitória surpreendente no Oscar de 2008 na categoria efeitos especiais, derrubando o grande favorito da época <em>Transformers</em>.</p>
<figure id="attachment_620" aria-describedby="caption-attachment-620" style="width: 574px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Prince-Of-Persia-Movie.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-620 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/Prince-Of-Persia-Movie.jpg" alt="Principe da Pérsia" width="574" height="344" /></a><figcaption id="caption-attachment-620" class="wp-caption-text">Sem credibilidade: Fãs de &#8220;Príncipe da Pérsia&#8221; protestaram contra a escalação de Jake Gylenhaal para o protagonista.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>#03. Príncipe da Pérsia</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>Príncipe da Pérsia &#8211; As Areias do Tempo<br />
</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>200 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 90 milhões (EUA) + 245 milhões (outros) = 336 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 36% dos críticos aprovaram</p>
<p>O caso de <em>A Bússola de Ouro </em>permite que a gente entenda um pouco outros casos semelhantes em que os estúdios pensam que podem aplicar &#8220;fórmulas&#8221; de êxito de outras produções em novas franquias e as coisas acabam não saindo conforme combinado. <em>Príncipe da Pérsia</em>, por exemplo,<em> &#8220;</em>morreu na praia&#8221; de forma parecida.</p>
<p>A Disney bancou a adaptação do popular game como uma possibilidade de colher os mesmos frutos que colheu com o estrondoso retorno financeiro dos três longas de <em>Piratas do Caribe</em>, trilogia que reativou o interesse do estúdio no desenvolvimento de filmes em <em>live action</em>. Tradicionalmente, a Disney é a casa das animações, mas entre o final dos anos de 1990 e o início dos anos 2000 enfrentou a baixa popularidade de suas empreitadas em razão do desgaste da tradicional narrativa do estúdio (as clássicas animações musicais) e a agressiva concorrência das novas animações em 3D. Quando <em>Piratas do Caribe &#8211; A Maldição do Pérola Negra </em>foi lançado em 2003, com faturamento em bilheteria que ultrapassou largamente o seu orçamento, o estúdio vislumbrou uma tábua de salvação que se firmou nas duas continuações da franquia.</p>
<p>Com <em>Príncipe da Pérsia</em> &#8211; <em>As </em><em>Areias do Tempo </em>as desconfianças surgiram desde o início, apesar da inicial aprovação do público com a contratação do inglês Mike Newell (que foi muito bem em <em>Harry Potter e o Cálice de Fogo</em>). A escalação de Jake Gylenhaal como o príncipe fugitivo do título gerou reclamações de fãs mais fervorosos do game e de cinéfilos em geral. Gylenhaal não correspondia exatamente a descrição física de um persa. No entanto, não podemos atribuir ao ator a culpa do fiasco de <em>Príncipe da Pérsia</em>. O primeiro e único filme até que faturou bem para garantir uma possível continuação, mas como tem acontecido com as grandes produções nos últimos anos, o orçamento (o que inclui as campanhas de divulgação do longa) foi muito alto e não compensou os lucros. Assim, todos os planos iniciais de uma trilogia foram abortados.</p>
<figure id="attachment_621" aria-describedby="caption-attachment-621" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/2004_unfortunate_events_037.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-621 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/2004_unfortunate_events_037-620x400.jpg" alt="Desventuras em Série" width="620" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-621" class="wp-caption-text">Indiferença: &#8220;Desventuras em Série&#8221; não fez feio, mas também não impressionou. O resultado morno não entusiasmou a Universal a dar continuidade a trama.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>#04. Desventuras em Série</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>Desventuras em Série</em><em><br />
</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>140 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 118 milhões (EUA) + 90 milhões (outros) = 208 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 72% dos críticos aprovaram</p>
<p>Escrita por Lemony Snicket, pseudônimo do autor Daniel Handler, <em>Desventuras em Série </em>é uma série literária composta por treze livros lançada em 1999 e que conta a história dos irmãos Baudelaire que são jogados em uma série de acontecimentos infelizes após a morte de seus pais em um trágico incêndio. A tutela de Violet, Klaus e Sunny passa pelas mãos de amigos e parentes dos seus pais e o caminho das crianças cruza com o do vilão Conde Olaf, um ator que usa suas habilidades dramáticas para enganar os tutores dos Baudelaire a fim de ganhar a guarda dos três e ficar com a fortuna herdada por eles.</p>
<p>A Universal demonstrou interesse na série, seguindo a tendência das adaptações de livros infanto-juvenis inspirada pelo sucesso de <em>Harry Potter,</em> e resolveu transformar as três primeiras obras (<em>Mau Começo</em>, <em>A</em> <em>Sala dos Répteis</em> e <em>O Lago das Sanguessugas</em>) em um único filme. Brad Silberling, diretor de <em>Gasparzinho </em>e do romance <em>Cidade dos Anjos</em>, foi contratado para comandar o longa e Jim Carrey ficou responsável por dar vida ao Conde Olaf, o que animou muita gente já que o ator seria a figura ideal para interpretar um personagem tão multifacetado quanto ele. Meryl Streep, Jude Law, Dustin Hoffman e Catherine O&#8217;Hara completaram o elenco com participações pontuais. Emily Browning (de <em>Beleza Adormecida</em>, <em>Pompeia </em>e <em>Sucker Punch</em>, criança na época), Liam Aiken e as gêmeas Kara e Shelby Hoffman foram escalados para viver os irmãos Baudelaire.</p>
<p>O filme recebeu três indicações ao Oscar (direção de arte, figurino e trilha sonora), venceu uma estatueta do prêmio (melhor maquiagem), recebeu críticas moderadas, as crianças foram aprovadas, bem como a interpretação de Jim Carrey, tudo conforme o figurino. Contudo, <em>Desventuras em Série </em>desapontou com sua pálida performance comercial e por isso também não foi adiante como franquia cinematográfica.</p>
<figure id="attachment_622" aria-describedby="caption-attachment-622" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/hitchhikers-guide-to-the-galaxy-the-20050209035518036-1.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-622 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/04/hitchhikers-guide-to-the-galaxy-the-20050209035518036-1-620x385.jpg" alt="Guia do Mochileiro da Galáxia" width="620" height="385" /></a><figcaption id="caption-attachment-622" class="wp-caption-text">O peculiar humor ingles não ajudou &#8220;O Guia do Mochileiro das Galáxias&#8221; a ser um projeto mundialmente bem sucedido.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong># 05. O Guia do Mochileiro das Galáxias</strong></p>
<p><strong>Filme: </strong><em>O Guia do Mochileiro das Galáxias</em><em><br />
</em></p>
<p><strong>Orçamento: </strong>50 milhões de dólares</p>
<p><strong>Bilheteria:</strong> 51 milhões (EUA) + 53 milhões (outros) = 104 milhões de dólares</p>
<p><strong>Críticas:</strong> 60% dos críticos aprovaram</p>
<p>Série de ficção-científica inglesa concebida por Douglas Adams, <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias </em>começou como um programete de rádio na <em>BBC Radio</em>, transformou-se em uma série de seis livros, série de TV, jogo de computador, HQ para só então chegar às telonas em 2005.  <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias </em>segue a jornada de um grupo incomum pelo espaço a partir da captura de Arthur um inglês completamente azarado. Entre os personagens que o acompanham estão o deprimido e existencialista robô chamado Marvin e Trillian, uma garota que Arthur conheceu em uma festa.</p>
<p>A produção foi uma colaboração entre produtores norte-americanos e ingleses e chegou a eles a partir do êxito que a história tinha nessas diversas plataformas. No entanto, o caráter massivo do cinema, e necessário a esse tipo de produção com orçamento razoável, tornaram <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias </em>refém dos números de bilheterias.</p>
<p>Ainda que parte da crítica tenha caído de amores pelo diretor Garth Jennings, que contou com a colaboração do próprio Adams na adaptação, e um elenco de atores promissores na ocasião &#8211; e hoje reconhecidos pelos cinéfilos como Martin Freeman (<em>O Hobbit</em>), Zooey Deschannel e Sam Rockwell, contando ainda com as vozes de Stephen Fry, Alan Rickman e Helen Mirren- , em números, o filme não agradou mundialmente. Um dos maiores entraves na popularidade do longa foi o típico humor inglês que funciona tão bem nas fronteiras do país, mas encontra resistência em mercados mundiais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fontes: </strong>Informações referentes a orçamento e bilheteria foram retiradas do site Box Office Mojo, já as aprovações da crítica correspondem a porcentagem de críticos que deram cotações positivas aos longas no <em>RottenTomatoes.com </em></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/deu-ruim-cinco-franquias-que-nao-vingaram/">&#8220;Deu ruim&#8221;: Cinco franquias que não vingaram</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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