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	<title>Arquivos 39º Filmfest München - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos 39º Filmfest München - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: The Ordinaries</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 18:44:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um bom prólogo pode ser ameaçador para o destino de uma obra. As expectativas que são inseridas ali talvez levem a decepção, trazendo o fracasso como consequência. Este é o caso de The Ordinaries. Apesar de conter uma abertura criativa, que imerge no universo da narrativa e da diretora e roteirista Sophie Linnenbaum – que escreveu a produção ao lado de Michael Fetter Nathansky – parecer bem consciente do universo ficcional que está criando, o filme não mantem a qualidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um bom prólogo pode ser ameaçador para o destino de uma obra. As expectativas que são inseridas ali talvez levem a decepção, trazendo o fracasso como consequência. Este é o caso de <strong><em>The Ordinaries</em></strong>. Apesar de conter uma abertura criativa, que imerge no universo da narrativa e da diretora e roteirista Sophie Linnenbaum – que escreveu a produção ao lado de Michael Fetter Nathansky – parecer bem consciente do universo ficcional que está criando, o filme não mantem a qualidade até o final. Isto por conta principalmente de seu desfecho, que se rende aos caminhos fáceis.</p>
<p>Ainda assim, Linnebaum e Nathansky conseguem segurar a audiência justamente pelo laço que é estabelecido no início da projeção. E é através de um mundo distópico, no qual o sonho de toda a população é ser uma personagem principal, que o longa-metragem convoca a metalinguagem para se aprofundar em discussões políticas e sociais, bem como conduzir a transformação da protagonista Paula (Fine Sendel). A garota sonha em seguir os passos do pai e ser uma personagem principal. Contudo – e obviamente –, ela vai descobrindo que suas raízes não são exatamente as que ela imaginava, o que muda completamente o seu presente.</p>
<p>Neste contexto, o que mais chama a atenção na obra são os recursos estéticos. Além de eles estarem presentes na produção para o desenvolvimento da trama, a linguagem visual é bem realizada. Seja na utilização das figuras em preto e branco ou no par romântico de Paula, Simo (Noah Tinwa ), que sofre com uma pane na qual ele está sempre pulando falas e ações, por exemplo, durante toda a sessão estes artifícios estão interligados e são usados para mover a história e amarrá-la. Desta maneira, os efeitos visuais, a cenografia e o figurino apresentam coesão e contribuem para a sensação de imersão no longa-metragem.</p>
<p>As tentativas de explorar gêneros cinematográficos, arquétipos e clichês do audiovisual também são válidos, porém é aí que a obra começa a se perder. Enquanto a busca em falar sobre os oprimidos em uma sociedade de aparências e injustiças é um ganho, as repetições e insistência em fazer piada enfraquecem o resultado geral. Os propósitos de Paula, juntamente com as regras do mundo em que ela vive, começam a se afrouxar. Referências ao cinema ou artifícios reincidentes desgastam a força do que está sendo contado e como se está fazendo isto.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15714" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2.jpg" alt="The Ordinaries" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/The_Ordinaries-online2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Um exemplo é o conflito da melhor amiga de Paula, que é acaba virando <em>uma</em> gag vazia, porque não existe tempo dentro do longa para entender as motivações desta personagem ou suas complexidades. Na verdade, somente Paula tem camadas, o restante parece estar ali a serviço da sua jornada como heroína. De certo, a única quebra com este padrão é no desfecho do conflito, com o ato da mãe de Paula, que demonstra que a mesma possui outras tonalidades. No entanto, para o restante das personagens falta transformação e locomoção de estado.</p>
<p>Por esta razão, a sessão vai se tornando cansativa, mesmo que as piadas repetidas causem risadas aqui e ali ou que a criatividade da direção e do roteiro retornem em algumas cenas – como na fuga de Paula da polícia, quando ocorre a utilização do <em>rewind</em>. Por isso, o resultado geral, <strong><em>The Ordinaries</em></strong> fica em uma espécie de média e deixa sentimentos duplos. De um lado, existe a criatividade em falar sobre minorias sociais e injustiças, pondo um mundo distópico sofisticado e irônico. Do outro lado, a produção não consegue sustentar a riqueza de sua própria criação de atmosfera e mundo, simplificando discursos e se encaminhando para soluções óbvias ou fáceis.</p>
<p>O desfecho do longa é o resumo completo desta impressão sobre o filme no geral. Ao mesmo tempo em que ele é catártico, também é bobo e reduz o seu próprio potencial. As respostas para os problemas de Paula surgem do nada no enredo, resolvendo questões supostamente impossíveis em pouquíssimos minutos. Assim, <strong><em>The Ordinaries</em></strong> é uma exibição que não mantém seu nível qualitativo do começo até seu encerramento, porém é agradável e revela o potencial de Sophie Linnenbaum em seu primeiro longa-metragem de ficção.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sophie Linnenbaum</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fine Sendel, Jule Böwe, Henning Peker</p>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: Kiss My Wounds</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 18:31:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Histórias interligadas que se unem já viraram um tanto clichê no cinema mundial, há mais de 20 anos. Amores Brutos (2000), Traffic (2000), 21 Gramas (2003), Crash: No Limite (2004), entre tantos outros – e isto somente para exemplificar dramas, que algo que começou como um chamariz, passou a ser repetitivo, confuso e com enredos que se perdiam. Com o modelo deixando de ser uma inovação, a chave começou a ser a missão de saber dar contas de diversas premissas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Histórias interligadas que se unem já viraram um tanto clichê no cinema mundial, há mais de 20 anos. <em>Amores Brutos</em> (2000), <em>Traffic</em> (2000), <em>21 Gramas</em> (2003), <em>Crash: No Limite</em> (2004), entre tantos outros – e isto somente para exemplificar dramas, que algo que começou como um chamariz, passou a ser repetitivo, confuso e com enredos que se perdiam. Com o modelo deixando de ser uma inovação, a chave começou a ser a missão de saber dar contas de diversas premissas ao mesmo tempo. Uma tarefa não muito simples.</p>
<p><strong>Kiss My wounds</strong> flerta com a iniciativa de inserir tramas paralelas e chega perto de dar conta de sua mescla de subplots. Ainda que a nitidez das costuras entre as tramas sejam mais visíveis do que as dos exemplos aqui mencionados, a diretora e roteirista Hanna Doose faz esta conexão de trajetórias de forma cautelosa, fazendo com o que o público descubra lentamente a ligação entre estas personagens e vá se aprofundando progressivamente em seus conflitos e emoções.</p>
<p>Já nos primeiros minutos de exibição, o espectador tem contato com as personalidades e o momento atual da vida de três mulheres: Maria (Bibiana Beglau), Kathi (Katarina Schröter) e Laura (Gina Henkel). O primeiro ato se configura como uma espécie de apresentação destas figuras, individualmente, para que, aos poucos, o passado delas e o significado de suas relações sejam inseridos. Além disso, há a construção da figura de Jan (Alexander Fehling) e o papel dele, principalmente, para a vida de Laura e Maria.</p>
<p>Existem aqui muitos caminhos narrativos, tramas entrelaçadas e esta estratégia poderia render um desequilíbrio rítmico, com uma história arrastada ou cansativa. No entanto, apesar da quantidade de personagens e premissas, o filme consegue, no geral, segurar a atenção de quem assiste e dissecar os conflitos, emoções e caminhos estabelecidos em cena, por garantir tempo para os diálogos e silêncios, sem cortar o desenvolvimento das interações entre as personagens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15711" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/WkdmWk-online1.jpg" alt="Kiss My Wounds" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/WkdmWk-online1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/WkdmWk-online1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/WkdmWk-online1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/WkdmWk-online1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda que em seu desfecho, Doose não encerre completamente nenhum arco, a totalidade da sua escrita é atenta e explora cada ação com minúcia, como na sequência entre Maria e Laura, quando a dupla discute a razão do desentendimento entre elas e a ruptura da amizade.  Neste contexto, para fomentar esta dinâmica de gradação de intensidade e investigação destes passados e presentes, Doose traz em sua decupagem uma estratégia que consiste em ir dos planos mais abertos e com mais movimentações para os fechados e com a câmera parada a cada virada narrativa de <em><strong>Kiss My Wounds</strong></em>.</p>
<p>É como se Hanna Doose quisesse imprimir na tela toda a grandiosidade do macro das situações dramáticas, no início, para ir mergulhando nas dinâmicas de suas personagens que fosse necessário parar e olhar de perto para todas elas. Neste sentido, a edição de Stefanie Groß contribui para esta sensação. Os seus cortes direcionam o olhar do público para quem será o foco da sequência, aumentando não apenas a conexão com o que está posto no ecrã, mas pondo uma lente de aumento na próxima questão que será problematizada.</p>
<p>Por fim, é preciso salientar o talento do trio principal. As intérpretes jogam em cena através de um trabalho de respiração, contenção – vinda do tônus corporal – e troca de olhares. A organicidade em dizer cada texto também é uma característica que faz com que o enredo, tão cheio de intensidade e até elementos do melodrama, seja fluido. De acordo com Doose (durante a estreia do filme no 39º Festival de Cinema de Munique) todas as falas foram improvisadas.</p>
<p>Todavia, ainda que não se saiba dessa informação, é perceptível a consciência das três atrizes, em todas as suas interações. Estas escolhas da equipe tornam <strong><em>Kiss My Wounds</em></strong> um longa-metragem intenso, coberto de sensibilidade, força e coragem. Seja no diálogo espontâneo, na decisão em diminuir gradativamente os efeitos de câmera e movimentações ou inserir diversos subplots, a produção mirou no grande, no desafiador. Por este mesmo motivo, a obra peca em ser totalmente coesa, deixando algumas perguntas sem respostas, por exemplo.</p>
<p>Mas, ainda que não saiba concluir o que criou, Doose oferta uma sessão cativante, que pode pegar o espectador pelo coração, criando uma empatia com as personagens e com o enredo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Hanna Doose</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Bibiana Beglau, Katarina Schröter, Gina Henkel</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/-ID5xqJn5RA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: Servus Papa, See You in Hell</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 19:29:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando protagonistas mulheres são postas sob a ótica de uma direção masculina, uma sensação de desconforto pode se alastrar durante uma sessão de cinema. Servus Papa, See You in Hell é um destes casos no qual o espectador  consegue se perguntar a exibição inteira quais as razões da condução de algumas cenas e o que acontece com o olhar de Christopher Roth (Lacoma) para a sua personagem principal. É bem verdade que em seu roteiro Roth contou com a colaboração de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando protagonistas mulheres são postas sob a ótica de uma direção masculina, uma sensação de desconforto pode se alastrar durante uma sessão de cinema. <strong><em>Servus Papa, See You in Hell</em></strong> é um destes casos no qual o espectador  consegue se perguntar a exibição inteira quais as razões da condução de algumas cenas e o que acontece com o olhar de Christopher Roth (<em>Lacoma</em>) para a sua personagem principal.</p>
<p>É bem verdade que em seu roteiro Roth contou com a colaboração de Jeanne Tremsal, a mulher que viveu, de fato, a história narrada neste longa-metragem. A obra é inspirada em acontecimentos da juventude de Tremsal, quando a mesma morava em uma comuna, liderada por Otto Muehl. Neste contexto, existem várias camadas que a serem discutidas, porque este é um enredo que evoca polêmicas e traz assuntos delicados, como o abuso psicológico e sexual.</p>
<p>Todavia, este texto se inicia com um comentário sobre Roth. Talvez, a questão central do longa seja este engasgo que permanece durante a fruição da produção, pois há uma forma como os homens brancos héteros cis expõem os corpos femininos e/ou possuem em seus imaginários o que seria a figura de uma mulher forte, que decide romper com opressões. Para representar a quebra da prisão mental de Tremsal, por exemplo, Roth gasta longos minutos em uma sequência da menina flertando e tendo relação sexual com dois jovens.</p>
<p>Isto logo após a sua fuga da comuna, onde ela estava correndo diversos riscos. Em seguida, Tremsal volta para o local que escapou, cavalgando, em uma junção de cenas que desfazem o sentido da própria personalidade criada para ela. Não há coerência desta ação no que se refere ao que fora construído sobre a personagem nos dois primeiros atos. Mas, para além disso, o seu corpo – e o de outras figuras femininas da trama, diga-se de passagem – são filmadas de forma incômoda.</p>
<p>O tempo dos enquadramentos e quais planos Roth decide utilizar para cada situação revela mais um olhar de sexualização dos abusos do que uma crítica a eles. Obviamente, esta é uma história difícil de se abordar, porém as estratégias e escolhas de <em>Servus Papa</em> não são as mais acertadas. Inclusive, toda a complexidade e destaque estão alocados em Otto, enquanto todos os outros são tipos planificados, com frases de efeito, repetidas e sem sentimentos ou ações investigadas, ele tem planos que duram mais, com performances coreografadas e monólogos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15695" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Servus_Papa_See_you_in_Hell-online2.jpg" alt="Servus Papa, See You in Hell" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Servus_Papa_See_you_in_Hell-online2.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Servus_Papa_See_you_in_Hell-online2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Servus_Papa_See_you_in_Hell-online2-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Servus_Papa_See_you_in_Hell-online2-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Contudo, ainda assim, o filme poderia trazer elementos estéticos e/ou técnicos que tornassem a projeção menos desgastante. No entanto, para além das questões de representação da mulher e do patriarcado que são as piores possíveis, Roth também falha em amarrar o seu roteiro, deixando a estrutura narrativa bagunçada, o que causa cansaço no público. Isto porque ele decide evocar uma repetição na metade da obra, que é desnecessária, porque não adiciona ou afeta as personagens de forma alguma, tampouco modifica algum rumo da história.</p>
<p>Além disso, as mudanças de comportamento de todes são abruptas e soam arbitrárias. Além disso, a <em>mise-en-scène</em> é desestruturada. Roth parece querer passar a sensação de caos e isto é válido. Mas, quem assiste precisa se conectar com as personagens, seus caminhos, conflitos e personalidade. A bagunça cênica precisa ser uma bagunça organizada, porque ela tem espectadores. Desta forma, ao tentar expressar as emoções e atos extracotidianos da comunidade liderada por Otto, Christopher Roth afastou seu público.</p>
<p>Assim, de maneira geral,<strong><em> Servus Papa, See You in Hell</em></strong> é uma produção desagradável e ineficaz, seja em seus quesitos discursivos ou técnicos. Este é um longa que parece ter uma vontade de “causar”, de ser diferente. Mas, para realizar tal intento é necessário um roteiro com coesão, que não pule etapas no desenvolvimento de suas personagens e da sua trama, bem como é preciso ter uma direção mais consciente, que pense em sua prática a favor da narrativa e não dos recursos que deseja utilizar.</p>
<p>Os únicos elementos positivos do projeto vêm da equipe de arte e da fotografia, que prendem a atenção de quem assiste, com sequências que acertam na iluminação, combinada aos elementos de cena e figurinos. A imersão na sessão ocorre em alguns minutos devido ao cuidado com a reconstrução histórica da comunidade e de seus moradores.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Roth</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Clemens Schick, Hanns Zischler, Jana McKinnon</p>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: Speak no Evil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 19:13:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ao assistir a Druk – Mais Uma Rodada, o espectador pode pensar como o tédio do homem branco cis europeu pode levar ao caos e aos atos inconsequentes. A vida comum e cotidiana talvez incomode tanto estes homens que eles perdem a noção da realidade e pulam em direção de qualquer aventura, buscando sentir qualquer coisa diferente. Mas, por que falar de Druk nesta crítica? Porque é esta apatia e angústia que leva o protagonista de Speak no Evil a [&#8230;]</p>
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<p>Ao assistir a <em>Druk – Mais Uma Rodada</em>, o espectador pode pensar como o tédio do homem branco cis europeu pode levar ao caos e aos atos inconsequentes. A vida comum e cotidiana talvez incomode tanto estes homens que eles perdem a noção da realidade e pulam em direção de qualquer aventura, buscando sentir qualquer coisa diferente. Mas, por que falar de <em>Druk</em> nesta crítica? Porque é esta apatia e angústia que leva o protagonista de <strong><em>Speak no Evil</em></strong> a destruir a sua família.</p>
<p>Este é o ponto de partida para que Bjørn (Morten Burian) convença a sua esposa, Louise (Sidsel Siem Koch), a aceitar o convite de estranhos que eles apenas conheceram em suas férias na Itália. Aqui, há uma grande sacada em misturar elementos do ordinário aos toques de sobrenatural. O roteiro de Christian (<em>Pais</em>) e Mads Tafdrup (<em>Yes No Maybe</em>) joga o tempo inteiro com o que há de assustador nas relações humanas, com o pânico real da violência direta, que ultrapassa o nervosismo fruto do contato com pessoas diferentes.</p>
<p>A pergunta que paira a exibição inteira é: esta visita para um final de semana com holandeses terá um final trágico ou tudo é uma questão de choque de cultura e ideias? Ainda que em alguns momentos o desfecho pareça óbvio, as idas e vindas do pânico do casal central constrói uma atmosfera de tensão, que se alastra durante toda a sessão. Sejam com movimentos de câmera, variações de intensidade sonoras – com música ou ruídos – ou situações que mesclam constrangimento e medo, a suspensão habita a obra de forma profunda e constante.</p>
<p>Esta estratégia poderia resultar em um cansaço da plateia ou em um desgaste da força dos acontecimentos da trama.<br />No entanto, a escolha do roteiro dos Tafdrup – que tem a direção de Christian – é acertada. A demora em mostrar algo gráfico e o caminho da dúvida em relação ao casal da Holanda faz com que o clímax do longa-metragem ganhe ainda mais potência, conseguindo amarrar a maioria das perguntas e mistérios sobre os antagonistas. Nesta gangorra de emoções, que brincam com as crenças do público, talvez o ápice qualitativo seja no ponto de virada dentro do enredo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15687" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/speak-no-evil-sundance-2022.jpg" alt="Speak no Evil" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/speak-no-evil-sundance-2022.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/speak-no-evil-sundance-2022-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/speak-no-evil-sundance-2022-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/speak-no-evil-sundance-2022-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com closes individuais dos rostos do quarteto, esta é a marca que informa a quem assiste que o destino de todes está selado a partir daquele momento. O trabalho de Christian Tafdrup em <strong><em>Speak no Evil</em></strong> fica nítido em sequências como essa, pois mostra a sua habilidade em revelar as emoções das personagens e seus caminhos, através de escolhas pontuais na decupagem, como o tamanho do quadro. No caso deste exemplo, este encaminhamento é sentido amplamente porque a maioria dos planos do longa são mais abertos.</p>
<p>A proximidade instantânea que acontece nesta cena marca esta mudança que acontecerá nos minutos seguintes. Quase tudo dentro da produção causa os efeitos necessários e tem seu planejamento bem executado. Todavia, é preciso ressaltar que um elemento permanece solto: a figura da babá. Os atos dos holandeses Patrick (Fedja van Huêt) e Karin (Karina Smulders) são de psicopatas e esta poderia ser a justificativa para tudo que eles fizeram. Mas, por qual motivo Muhajid (Hichem Yacoubi) se alia a dupla?</p>
<p>A sua figura parece mais uma alternativa fácil para solucionar lacunas do enredo. Por exemplo, como os casais sairiam para jantar à noite sem os filhos? A solução foi inserir Muhajid, porém ele não apresenta nenhum <em>background</em> ou tem motivações palpáveis. Ainda assim, este fator ou as pequenas obviedades da história não comprometem a totalidade de <em><strong>Speak no Evil</strong>. </em>Este é um filme que prende a atenção em toda sua duração, que é apegado à maioria dos detalhes e que consegue construir um horror apavorante, sugerindo mais do que entregando imagens ou diálogos explícitos.</p>
<p>Juntamente a isto, ainda há a reflexão derradeira de como a melancolia sobre a vida banal pode ser substituída pelo trágico. É um pensamento de uma sociedade específica, mas também um recado moral, algo típico do gênero, que é executado com maestria pelos Tafdrup.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christian Tafdrup</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Morten Burian, Sidsel Siem Koch, Fedja van Huêt</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/pA64pEONK50" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-de-cinema-de-munique-speak-no-evil/">39º Festival de Cinema de Munique: Speak no Evil</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>39º Festival de Cinema de Munique: Corsage</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 15:34:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[39º Filmfest München]]></category>
		<category><![CDATA[Corsage]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
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		<category><![CDATA[Filmfest München]]></category>
		<category><![CDATA[Marie Kreutzer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre cortes descontínuos, repetições e riscos, Marie Kreutzer (O Chão sob meus pés) assume uma função um tanto complexa em Corsage: um olhar contemporâneo e mais realista para a Imperatriz Elizabeth da Áustria, mais conhecida como Sissi. No imaginário popular talvez exista uma construção da uma figura de Sissi como alguém doce e ingênua, elaborada por sua representação na série de obras que foram feitas a partir dos anos 1950. Todavia, em Corsage é melhor que o público esqueça completamente [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Entre cortes descontínuos, repetições e riscos, Marie Kreutzer (<em>O Chão sob meus pés</em>) assume uma função um tanto complexa em <strong><em>Corsage</em></strong>: um olhar contemporâneo e mais realista para a Imperatriz Elizabeth da Áustria, mais conhecida como Sissi. No imaginário popular talvez exista uma construção da uma figura de Sissi como alguém doce e ingênua, elaborada por sua representação na série de obras que foram feitas a partir dos anos 1950.</p>
<p>Todavia, em <em><strong>Corsage</strong> </em>é melhor que o público esqueça completamente a Sissi de Romy Schneider. Kreutzer aparente desejar realizar um oposto aqui, trazendo em seu longa-metragem uma mulher intensa e que se impõe na medida do possível, para seu tempo, mas também imprime este ser coberto de privilégios, egoísmos, rompantes e certo requinte de crueldade. Há uma complexidade profunda em Elizabeth, que é explorada em diálogos e ações da personagem durante toda a projeção.</p>
<p>Este é um dos pontos centrais do longa e o seu principal acerto. Há uma densidade na composição desta personagem, mesclando momentos nos quais o público consegue ter uma grande empatia por Sissi ou uma repulsa profunda. Kreutzer não tem receio de escrever sequências desconfortáveis e cheias de tensão. No entanto, é preciso ressaltar que esta não é uma obra completa ou perfeita. Longe disso. Pois, ao mesmo tempo em que todo um zelo estético é apresentado há uma insistência em permanecer na apoteose, que quebra a força das sensações que deveriam ser fortes.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15643" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3.jpg" alt="Corsage" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CORSAGE-3-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Este fator é o que rompe com a fluidez da narrativa e pode deixar a sessão um tanto cansativa. Desde o início da projeção, antes que o público possa criar uma relação com a história ou com a figura central, movimentos e efeitos  de câmera conduzem o espectador para uma sensação de clímax. Além disso, Marie Kreutzer opta por inúmeros cortes descontínuos, principalmente até a primeira parte da exibição. Esse caminho é o maior equívoco da produção.</p>
<p>Os conflitos e sentimentos de Sissi vão perdendo a importância, se dissolvendo com os saltos temporais e cortes bruscos. Assim, o plot e os subplots permanecem na superficialidade. Desta maneira, é possível enxergar qualidades em <strong><em>Corsage</em></strong>, mas também sentir grandes incômodos enquanto se assiste ao filme. Em seus pontos positivos é necessário reconhecer o talento da direção ao criar uma decupagem que está realmente à serviço da narrativa e que nos momentos apoteóticos potencializa as impressões de grandiosidade e intensidade de Elizabeth.</p>
<p>A interpretação de Vicky Krieps (<em>Tempo</em>) fomenta essa construção e, através de olhares e gestos preciso, humaniza a Imperatriz, elevando a aproximação do espectador com as emoções da protagonista, ainda que ela seja membro da nobreza &#8211; no pior sentido da coisa, com ímpetos de raiva ou falta de consideração, por exemplo. Assim, o lado negativo, que é a perda da coesão, fruto dos saltos temporais não amarrados, poderia ser salvo caso um fio condutor, uma ligação maior entre as sequências, fosse feito. Contudo, <em><strong>Corsage</strong> </em>é uma sessão que já vale apenas pela desconstrução da figura de perfeição que está incrustrado na memória da sociedade quando o tema é Sissi.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marie Kreutzer</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Vicky Krieps, Colin Morgan, Finnegan Oldfield</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/gVSDJ2TM1NY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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