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	<title>Arquivos 25ª Mostra de Tiradentes - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos 25ª Mostra de Tiradentes - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Eu te amo é no Sol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Feb 2022 13:32:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Relacionamentos amorosos são pautados por contextos, circunstâncias, momentos específicos da vida etc. A conjuntura de cada situação, juntamente com as diferentes fases da vida pelas quais as pessoas passam, sentimentos são transformados e o sentido de certas aproximações são retirados com o passar do tempo. Em Eu Te Amo é no Sol, Yasmin Guimarães consegue colocar em imagens toda a complexidade que mudanças internas e externas podem causar em um namoro. Aqui, o que cria uma nova roupagem para a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Relacionamentos amorosos são pautados por contextos, circunstâncias, momentos específicos da vida etc. A conjuntura de cada situação, juntamente com as diferentes fases da vida pelas quais as pessoas passam, sentimentos são transformados e o sentido de certas aproximações são retirados com o passar do tempo. Em <em><strong>Eu Te Amo é no Sol</strong></em>, Yasmin Guimarães consegue colocar em imagens toda a complexidade que mudanças internas e externas podem causar em um namoro.</p>
<p>Aqui, o que cria uma nova roupagem para a relação de Júlia com Mati é a saída do Brasil para a morada em um país frio. Esta temperatura perpassa toda produção, seja na luz, na colorização, no texto ou na interpretação das atrizes, a saturação mais baixa revela a frieza que contamina aquele ambiente ficcional. Dentro de todas as possibilidades que poderiam fomentar a união do casal era o calor que aproximava a dupla no passado.</p>
<p>Júlia, que chegou antes no local, é quem mudou nesta equação um tanto injusta. A sua viagem e a distância imposta, antes da chegada de Mati, convocaram uma nova Júlia, uma que pode ter apagado a sua versão anterior, que possui novos desejos, tristezas e angústias. Estas emoções da personagem estão intensamente presentes no roteiro e na direção de Yasmin. Algo que se destaca em sua obra é a sua capacidade de síntese, diante da transmissão de sentimentos tão profundos. E estão todos ali, os sentimentos, em 19 minutos de exibição.</p>
<p>A cada cena, o espectador consegue descobrir as configurações da nova vida de Júlia, a impossibilidade de Mati em retornar para solos brasileiros e a conexão que a dupla possuía no passado. São diversos elementos que, no final das contas, se reúnem em um só: Júlia e Mati. Neste sentido, a complexidade das personagens e do enredo são passadas de maneira mais fluida nos silêncios. As imagens de Yasmin transmitem os olhares e as perspectivas que as personagens compartilham uma da outra. No entanto, durante os diálogos estes pontos são enfraquecidos.</p>
<p>As falas compartilhadas por Mati e Júlia em <em><strong>Eu Te Amo é no Sol </strong></em>deixam uma impressão de que a intimidade delas é menor, menos profunda e especial, principalmente porque o conteúdo do texto mostra uma falta de conhecimento delas, sobre elas. Além disso, alguns momentos são expositivos, como quando ambas conversam na cama sobre a mãe de Júlia. Todavia, as atrizes Maria Leite e Mônica Maria consegue suavizar os diálogos, com pausas e olhares, que deixam as sequências mais orgânicas. Ainda assim, esta característica não compromete tanto o resultado total e a produção conta com uma qualidade significativa, com uma direção bastante atenta aos efeitos que deseja causar.</p>
<p>A seleção de mudar a razão de aspecto quando Yasmin quer mostrar o público que a cena está inserida na lógica interna da narrativa é uma das estratégias efetivas da obra, pois localiza quem assiste a todo instante. Outra escolha certeira é a de trazer o outrora de Júlia e Mati na quentura, na afetividade que o clima tropical permite. Este é um contraponto que cria mais camadas para o que fora e é o namoro delas. Assim, durante toda a projeção, aspectos formais contribuem para o enredo e fazem ele crescer enquanto a sessão se desenrola.</p>
<p>O desfecho de <em><strong>Eu Te Amo é no Sol </strong></em>é um tanto inconclusivo, pois não modifica a situação da trama apresentada, mas a coloca no ponto inicial, talvez. Mas, o que são os romances senão eternos ciclos viciosos que somente são interrompidos quando a vontade de cessá-los é mais intensa do que a memória do calor que um dia foi ofertado. Disso Yasmin tem consciência e consegue expor para a sua plateia plenamente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Yasmin Guimarães</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Maria Leite e Mônica Maria</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Bege Euforia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Feb 2022 22:26:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde seu título, Bege Euforia parece querer evocar uma dualidade. No imaginário coletivo, bege certamente não é uma cor que remete a algo eufórico. No entanto, neste contexto daqui, a tonalidade preenche o ecrã a todo instante, revelando uma passionalidade para o tom. Isto porque, aqui, a cor ganha textura na tela e as emoções terrosas e enraizadas estão espelhadas nas personagens. Neste sentido, a ideia da natureza e do sensorial, pelo toque, estão presentes, em um sentir a terra [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde seu título, <strong><em>Bege Euforia</em></strong> parece querer evocar uma dualidade. No imaginário coletivo, bege certamente não é uma cor que remete a algo eufórico. No entanto, neste contexto daqui, a tonalidade preenche o ecrã a todo instante, revelando uma passionalidade para o tom. Isto porque, aqui, a cor ganha textura na tela e as emoções terrosas e enraizadas estão espelhadas nas personagens.</p>
<p>Neste sentido, a ideia da natureza e do sensorial, pelo toque, estão presentes, em um sentir a terra com os pés ou uma parte exposta do corpo, por exemplo. Há durante a sessão instantes silenciosos e de investigação, que fomentam esta vontade de passar uma proximidade com a realidade das personagens, através deste convocar de sensações. A câmera toma seu tempo para olhar para aquelas mulheres ali retratadas e compreender porque do partir ou ficar.</p>
<p>No entanto, apesar de possuir momentos de destaque, com imagens que transmitem os sentimentos e desejos das personagens de maneira palpável, falta uma condução mais amarrada dentro do roteiro. As transições temporais e espaciais criam barreiras com espectador, que nem ao menos acompanha o desenvolvimento das relações trazidas no enredo.</p>
<p><strong><em>Bege Euforia</em></strong> é um curta provocativo, em alguns sentidos, por deixar que o público se depare com as cenas e consiga ir criando sentidos paralelos, enquanto assiste. Contudo, falta explorar esta multiplicidade de interpretações, pelo menos. O local de onde partem as personagens, para onde elas vão e como interagem não aparece durante a sessão. Assim, o que ocorre é uma exposição de imagens sem direcionamento.</p>
<p>Além disso, alguns elementos da técnica comprometem a fruição, principalmente a captação e edição do som. Ruídos e desnivelamentos de volume incomodam e afastam da história. Por mais que se tente uma conexão com a obra, a imersão nela é difícil e os seus encaminhamentos são soltos. Esta é uma produção que fica no meio do caminho e poderia apostar mais no experimental ou não, mas decidir o que quer de fato, para entregar um resultado mais consistente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Anália Alencar</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Mainá Santana, Priscila Vilela, Alice Carvalho</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Romance</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Jan 2022 19:12:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um filme dirigido e roteirizado por Karine Teles (Otimismo) e estrelado por Gilda Nomacce (5 estrelas) certamente pode criar diversas expectativas. Para quem acompanha o audiovisual nacional e os festivais de cinema brasileiros, os dois nomes são icônicos. Nesse olhar de quem aguarda algo sensacional, a decepção pode ser um tanto intensa. Romance é um curta-metragem que flerta com uma despretensão em sua decupagem. No entanto, seu tom é fortemente pretensioso e este é o primeiro incômodo da sessão. Contudo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um filme dirigido e roteirizado por Karine Teles (<em>Otimismo</em>) e estrelado por Gilda Nomacce (<em>5 estrelas</em>) certamente pode criar diversas expectativas. Para quem acompanha o audiovisual nacional e os festivais de cinema brasileiros, os dois nomes são icônicos. Nesse olhar de quem aguarda algo sensacional, a decepção pode ser um tanto intensa. <strong><em>Romance</em> </strong>é um curta-metragem que flerta com uma despretensão em sua decupagem.</p>
<p>No entanto, seu tom é fortemente pretensioso e este é o primeiro incômodo da sessão. Contudo, a questão central aqui para apontar um resultado não tão positivo é que esta é uma produção que convoca muitas personagens e elementos, porém que não sabe trabalhar ele para mostrá-los para o espectador. Em algumas sequências, como na do campo de futebol, a captação de som e a escolha de manter o quadro em plano geral interferem diretamente na fruição da obra.</p>
<p>Não é possível enxergar as expressões faciais dos atores ou mesmo escutá-los com precisão. Neste tipo de situação é complexo acompanhar o que está acontecendo, se conectar com a história apresentada. Ao mesmo tempo, os próprios intérpretes parecem desconfortáveis. Seja em questões de corpo ou de intenção do texto, as construções soam artificiais e a ausência de organicidade vem tanto da mise-en-scène desorganizada, quanto do roteiro confuso.</p>
<p>Algo que não está presente no enredo é uma paciência para a elaboração de atmosfera, bem como um espaço para se conhecer a protagonista. As situações vão tropeçando uma na outra e chegam quase de maneira ingênua. O discurso posto na trama é nítido, faz sentido e é uma boa pauta para se trazida. Contudo, deixar a personagem principal como um agente passivo de todas as ações que a cercam e somente reiterar a todo tempo esta prisão que querem que ela habite deixa a obra sem complexidade.</p>
<p>Apesar de todo este contexto, é válido ressaltar que <strong><em>Romance</em>  </strong>conta com alguns momentos que podem valer a sessão, seja por alguns planos gerais bem enquadrados ou por um sarcasmo que perpassa a narrativa, que revela um potencial de Teles em trazer um tema relevante sem se levar tão a sério. Não existem limites impostos e a falta de previsibilidade é um ponto qualitativo positivo aqui.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Karine Teles</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Gilda Nomacce, Enrique Diaz, Bruno Balthazar</p>
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		<title>25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Corre de Marmita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jan 2022 18:44:57 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Mostra de Tiradentes]]></category>
		<category><![CDATA[Philippe Urvoy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre o caos e as perdas vivenciadas desde o início da pandemia do Coronavírus, em 2020, existem as questões de ordem prática, como a moradia, as necessidades básicas, e a fome. Fome esta que se alastra em um governo genocida como o de Bolsonaro. Nesta mescla de tragédias, o Brasil permanece cambaleante, entre notícias cada vez mais pavorosas a cada despertar. É um pouco deste contexto, ou um dos olhares possíveis para ele, que Corre de Marmita procura convocar. A [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o caos e as perdas vivenciadas desde o início da pandemia do Coronavírus, em 2020, existem as questões de ordem prática, como a moradia, as necessidades básicas, e a fome. Fome esta que se alastra em um governo genocida como o de Bolsonaro. Nesta mescla de tragédias, o Brasil permanece cambaleante, entre notícias cada vez mais pavorosas a cada despertar.</p>
<p>É um pouco deste contexto, ou um dos olhares possíveis para ele, que <em><strong>Corre de Marmita</strong></em> procura convocar. A partir das ações da Kasa Invisível, ocupação existente desde 2013 e que procura realizar atos sociais e políticos por Belo Horizonte, é que o público compreende este olhar dos diretores Luiz Pretti e Philippe Urvoy. Há um aparente desejo em mostrar esta BH que pulsa arte e cidadania, mas também abandono e descaso.</p>
<p>As intenções do curta-metragem estão todas ali, presentes e entendíveis. No entanto, falta algo no filme. Talvez, exista uma ausência de um tempo maior de fruição das informações. A questão não é de duração de exibição, mas do espaço que ganha cada momento ali mostrado e como a decupagem não parece pensada para cumprir o intento de contar a sua história.</p>
<p>A câmera na mão é uma escolha que precisa ser consciente e a sua utilização carrega consigo sentidos de linguagem, obviamente. Neste curta, o tremor, o desfoque e a modificação constante de quadro não surtem um efeito de imersão ou aproximação da narrativa. Pelo contrário, afasta, desconcentra e cansa o espectador. Devido ao fato da temática ser tão instigante, o público pode se esforçar e conseguir apreciar a sessão sim, porém o conteúdo poderia ser mais bem aproveitado, menos jogado na tela com tanta falta de encaminhamento.</p>
<p>Não é preciso ou desejável que caminhos tradicionais sejam percorridos. Não é isto que está sendo afirmado. O necessário é compreender qual o projeto que se tem nas mãos e o porquê de tirar ele do papel para filmar. Mostrar a ocupação, seus projetos e os acontecimentos durante o início da pandemia da Covid-19 – período no qual o filme se passa – seria o ideal para a disseminação das ideias que deveriam ser mostradas.</p>
<p>Isto se resolveria com uma sequência com planos mais extensos de alguns momentos, com um quadro do rosto de alguém da Kasa, uma imagem de arquivo etc. Assim, <em><strong>Corre de Marmita</strong></em> é uma produção importante em seu tema, porém desgastante e confuso em sua condução.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Luiz Pretti e Philippe Urvoy</p>
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