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	<title>Bruno Mendes, Autor em Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Bruno Mendes, Autor em Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Bruxas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Dec 2024 18:37:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um longo, doloroso e intrincado relato pessoal. Assim pode ser definido, em curtos termos, o documentário Bruxas, escrito e dirigido por Elizabeth Sankey. Produzida pelo streaming Mubi, a obra mostra a representação das bruxas no cinema e no imaginário ocidental, e expõe como a história daquelas mulheres se conectam com traumáticas experiências de depressão, ansiedade e psicose pós-parto enfrentadas por Sankey e outras mulheres do Reino Unido contemporâneo. Além do caráter instrutivo, ressaltado nas detalhadas exposições das experiências das mulheres [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Um longo, doloroso e intrincado relato pessoal. Assim pode ser definido, em curtos termos, o documentário <strong>Bruxas</strong>, escrito e dirigido por <strong>Elizabeth Sankey</strong>. Produzida pelo streaming Mubi, a obra mostra a representação das bruxas no cinema e no imaginário ocidental, e expõe como a história daquelas mulheres se conectam com traumáticas experiências de depressão, ansiedade e psicose pós-parto enfrentadas por Sankey e outras mulheres do Reino Unido contemporâneo.</p>
<p>Além do caráter instrutivo, ressaltado nas detalhadas exposições das experiências das mulheres e nas falas de médicas e psiquiatras, <strong>Bruxas</strong>, talvez até sem intenção, faz uma pequena ode ao cinema. Por meio da colagem de cenas de filmes como <strong>A</strong> <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bruxa/"><strong>Bruxa</strong></a> (2015), <strong>O Bebê de Rosemary</strong> (1968), <strong>As Bruxas de Eastwick</strong> (1987), <strong>Possessão</strong> (1981), </em>entre outros, a narrativa mostra que imagens gráficas de horror funcionam como relevantes elementos alegóricos para diferentes infortúnios que acontecem no mundo real. Embora as metáforas no universo do terror estejam longe de serem novidades, a exposição das referências no documentário é feita com primor e se conectam com naturalidade aos tristes relatos das mulheres sobre seus problemas após a gestação. Assim, graças à inventiva montagem, <strong>Bruxas</strong> confere importância e maturidade às obras destacadas.</p>
<p>Obviamente é sandice acreditar que a arte tem poderes terapêuticos que conduzem espectadores, através de experiências imersivas, à plenitude ou ajudam na cura como auxiliares de medicamentos convencionais da medicina. Não, não são os livros e filmes que nos conduzirão à zona de plenitude. E é claro que Sankey não caiu na armadilha de atribuir ao universo artístico esta perspectiva ingênua e na história, as psiquiatras são responsáveis pelas investigações das ocorrências e longos tratamentos. De todo modo, não é exagero pontuar que foi graças ao profundo interesse pela história das bruxas e a curiosidade por aquelas mulheres, representadas como feiticeiras malignas de feições aterradores ou como garotas rebeldes e <em>outsiders</em> na sétima arte, que a artista racionalizou a intimidade feminina na segunda década do século XXI.</p>
<p>Ao longo do século XVI, milhares de mulheres foram queimadas por desobediências diversas. Eram consideradas bruxas aquelas tidas como emocionalmente instáveis que causavam assombro em contexto civilizacional marcado por desenvolvimento científico precário, forte opressão de gênero e apego ao sobrenatural. Além das “histéricas”, mulheres que faziam uso medicinal de ervas e as independentes também recebiam a alcunha desta figura que ficou cravada no imaginário infantil como uma idosa de roupa preta que voava na vassoura e por vezes preparava receitas com feitiços em um caldeirão.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18989" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image.png" alt="Bruxas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Certamente muitas daquelas consideradas “endemoniadas”, que assustavam as comunidades europeias no transcorrer da idade moderna, sofriam de depressão pós-parto. Se em tempos remotos o zelo com figuras femininas era inexistente, até hoje o debate sobre saúde mental sofre entraves por uma série de estigmas ainda fincados do papel das mães na sociedade. Em determinada passagem do documentário, por exemplo, Sankey afirma que uma boa mãe é imaculada e “nunca fica estressada”. É percetível compreender o quão pavoroso é observar-se sem estes valores socialmente carimbados em mulheres que acabaram de ter um filho.</p>
<p>Eficiente em estabelecer vínculo a respeito das reflexões da saúde mental de mulheres em tempos e contextos culturais tão distantes, o documentário também acerta na direção de arte. Ainda que não sejam amedontradores, os quartos em que Sankey e as entrevistadas relatam seus traumas, evocam os seus desconfortos e instabilidades emocionais, graças à pontual variação entre claro e escuro da iluminação e aos objetos cênicos escolhidos.</p>
<p>Por fim, <strong>Bruxas</strong> tematiza a importância de conexões. No tempo das fogueiras, também eram perseguidas as mulheres responsáveis por cuidados. Parteiras e vizinhas acolhedoras eram ameaças a ordem vigente. Hoje, há temor em expor desejos sombrios, medos de rejeição e de punição, ainda que não seja no fogo.</p>
<p>A arte pode até não ser a cura, mas é uma chave importante para reflexão e autoconhecimento. Sankey sabe disso.</p>
<p><strong>Direção</strong>, <strong>roteiro e edição</strong>: Elizabeth Sankey</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=_qwx5350Bj8?si=qyGSx_2LBdqVNkmL]</p>
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		<title>Crítica: No Lugar da Outra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Bruno Mendes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 Nov 2024 19:34:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Apesar da abordagem ser inspirada em ocorrência local, o filme No Lugar da Outra, da diretora Maite Alberdi, discute temas universais ainda pertinentes. Por isso, é fácil compreender a escolha como o representante chileno para concorrer ao Oscar 2025, na categoria Melhor Filme Internacional. O longa envolve o espectador nas angústias existenciais, descontentamentos cotidianos e anseios por novas vivências da protagonista e traz louváveis pontos aos importantes debates sobre papéis de gênero e patriarcado. Na trama, a escritora chilena Maria [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar da abordagem ser inspirada em ocorrência local, o filme <em><strong>No Lugar da Outra</strong></em>, da diretora Maite Alberdi, discute temas universais ainda pertinentes. Por isso, é fácil compreender a escolha como o representante chileno para concorrer ao Oscar 2025, na categoria Melhor Filme Internacional. O longa envolve o espectador nas angústias existenciais, descontentamentos cotidianos e anseios por novas vivências da protagonista e traz louváveis pontos aos importantes debates sobre papéis de gênero e patriarcado.</p>
<p>Na trama, a escritora chilena Maria Carolina Gee (Francisca Lewin) mata o amante e o caso provoca o interesse de Mercedes (Elisa Zulueta), uma acanhada secretária do judiciário. Ao acessar a casa da homicida, Mercedes desenvolve enorme fascínio pelo lar e objetos pessoais de Maria, como roupas, maquiagens e livros. Baseado em caso real ocorrido na década de 1950 e contado no livro “Las Homicidas”, da escritora Alia Trabucco Zerán, o filme não destaca tanta atenção às implicações do crime em si, mas sim aos processos de inquietação de uma mulher que não faz parte da elite financeira e cultural. Mercedes é uma mulher comum, com filhos, marido e uma penca de louças e roupas para lavar.</p>
<p>Os infortúnios do dia a dia da competente secretária são expostos já nos minutos iniciais de <em><strong>No Lugar da Outra</strong></em>. Após acordar contrariada (ainda que já habituada) com o ronco do marido, o espectador conhece o lar da protagonista: uma pequena casa que acumula mais objetos que o espaço permite. Assim, é fácil esbarrar na enceradeira esquecida próxima à escada e sentir estresse poucos minutos depois de levantar da cama. As “pequenas” opressões do lar ganham concretude com a representação visual acinzentada do ambiente em que Mercedes divide espaço com a família e realiza as rotineiras tarefas de dona do lar.</p>
<p>Embora a cordialidade e a parceria profissional com o marido fotógrafo, que usa a sala da casa como estúdio, existam naquela dinâmica familiar, as micro agressões são frequentes. Exemplo, em conversa aparentemente descontraída, um dos filhos de Mercedes diz que será juiz como a mãe. No momento seguinte, o marido responde: “sua mãe poderia ser sua secretária”. Imediatamente a matriarca expressa contrariedade com a brincadeira de mal gosto no olhar, mas claro, ninguém repara que ela se sentiu mal.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18878" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2.png" alt="No Lugar da Outra" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image-2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>Acertadamente, os homens da casa não são representados como vilões. Ponto para o roteiro de <em><strong>No Lugar da Outra</strong></em>, escrito por Maite Alberdi, Inés Bortagaray e Paloma Salas, que destaca a exploração do trabalho da mulher em dinâmicas diárias e a ausência de empatia naquele ambiente como questões sérias, mas sem recorrer a construções maniqueistas dos algozes. Apesar de as situações ficcionais ocorrerem nos anos 1950, não é novidade que a naturalização dos papéis de gênero no ambiente doméstico ainda seja um problema persistente, mesmo com o avanço dos debates feministas. E ao contrário do que se possa imaginar, as afrontas também acontecem em lares sadios, sem violências físicas ou agressões verbais. Dito isso, um copo sujo deixado para a mulher lavar ou aquela piadinha fora de hora não são ocorrências tão inofensivas assim.</p>
<p>Mas afinal, o que Mercedes busca? Ao adentrar o lar da sofisticada escritora Maria Carolina, Mercedes sente-se bem não apenas por usufruir dos bons perfumes, roupas sofisticadas ou por tomar banho na banheira, imaginando-se como detentora daqueles luxos. É a ausência de vozes que provoca ampla satisfação. É a iluminação que invade a sala através da janela e toca as plantas decorativas que proporcionam paz e quietude.</p>
<p>Maria Carolina e Mercedes são de classes sociais diferentes, contudo, ambas são vítimas do patriarcado. Se a primeira tomou uma atitude radical contra os processos que cerceavam suas liberdades, a humilde secretária está em fase de descobertas e assimilações.</p>
<p>Hábil na construção da trajetória da protagonista, <em><strong>No Lugar da Outra</strong></em> oferece leitura pálida da condução do julgamento da escritora e o elo entre as histórias das figuras femininas deixa a desejar. De todo modo, o longa é um pontual registro de época. Ou ‘pior’, de épocas.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maitê Alberdi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Elisa Zulueta, Francisca Lewin, Marcial Tagle</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/b7TEvR8xZKk?si=4A_mxymKHj01Bs1f" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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