Radar do Oscar: Destaques dos festivais de Veneza e Telluride abrem vantagem na temporada

Os primeiros festivais internacionais de maior visibilidade desse segundo semestre encerraram suas atividades esta semana e, como é tradição, a repercussão de alguns dos títulos exibidos nesses eventos surge atrelada a temporada de premiações do cinema. De olho no Oscar e cia., os veículos especializados já apontam os nomes desses festivais que podem pintar com fortes chances nos prêmios do início do ano que vem. Confira abaixo os destaques:

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01. Johnny Depp favorito aos prêmios de melhor ator por Aliança do Crime

Ao que tudo indica, Johnny Depp é o candidato a ser batido nas categorias de melhor ator. Depp deixou todos estarrecidos com sua interpretação no longa Aliança do Crime (no original, Black Mass), de Scott Cooper (Coração Louco). O filme saiu do Festival de Veneza com ótimas cotações para o desempenho do ator, tido por alguns como um dos melhores da sua carreira em anos.

Ao lado de um elenco formado por Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson, Joel Edgerton e Kevin Bacon, Johnny Depp interpreta um violento criminoso de Boston que era irmão de um senador e tornou-se informante do FBI.

Depp promete enfrentar pela frente Eddie Redmayne, de A Garota Dinamarquesa, e Leonardo DiCaprio, de O Regresso, novo filme de Alejandro Gonzalez-Iñarritu, que sequer foi visto ainda. Como a vitória de Redmayne surge com uma certa dúvida, tendo em vista que o ator ganhou vários prêmios na temporada passada com A Teoria de Tudo, e Depp é um dos atores mais celebrados da indústria que ainda não tem uma estatueta, o protagonista de Aliança do Crime tem tudo para levar alguns prêmios.

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02. Spotlight é comparado a Todos os Homens do Presidente

O filme sobre um grupo de jornalistas de Boston que investigaram um caso envolvendo padres pedófilos foi comparado a um dos maiores filmes do gênero, Todos os homens do presidente. Spotlight pode ser um novo Zodíaco ou Os Suspeitos (2013) e ser cultuado apenas pela crítica e por cinéfilos, mas pode também ser uma espécie de Sobre Meninos e Lobos e conquistar alguns prêmios.

No trabalho do diretor Tom McCarthy (O Visitante), as performances de Michael Keaton, Mark Ruffalo e Rachel McAdams foram exaltadas. É possível que, por ser um “filme de elenco”, eles concorram como coadjuvantes, o que será ótimo. McAdams pode conseguir fazer sua carreira cinematográfica finalmente decolar (merecidamente, diga-se de passagem) e Keaton não teria a sombra da concorrência de Eddie Redmayne pelo segundo ano consecutivo, tendo até mesmo chances de vencer um Oscar como coadjuvante.

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03. Eddie Redmayne transforma A Garota Dinamarquesa em material para Oscar

A Garota Dinamarquesa, como os filmes anteriores de Tom Hooper (O Discurso do Rei Os Miseráveis) não foi uma unanimidade da crítica. Ao ser exibido em Veneza, o filme foi questionado por um certo excesso de didatismo ao trazer para o público as questões de gênero.

O longa que traz a história da primeira mulher trans que se submeteu a uma cirurgia tem o vencedor do Oscar do ano passado Eddie Redmayne no papel principal. Ao contrário do filme em si, os seus atores saíram ilesos. As performances de Redmayne e Alicia Vinkander foram bastante elogiadas. A dúvida é se Vinkander concorreria como coadjuvante ou atriz.

Como o gosto do Oscar muitas vezes não coincide com as escolhas da crítica é bem possível que ele figure nas categorias principais como filme e por ai vai, afinal a Academia adora filmes com fortes desempenhos por ter muitos atores no seu quadro de votantes.

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04. Suffragette torna Carey Mulligan favorita aos prêmios de melhor atriz

Em Telluride, a primeira exibição de Suffragette trouxe muitos elogios à performance de Carey Mulligan, que desponta, até o momento, como uma grande favorita aos prêmios de melhor atriz. Nem mesmo a presença de Helena Bonham Carter e Meryl Streep no elenco ofuscou o brilho da performance de Mulligan, dizem os críticos. Sobre la Streep, todos afirmam que a participação dela na história é muito pequena e praticamente se resume ao que pode ser visto no trailer da produção. Ainda assim, não está descartada uma possível indicação para elas como coadjuvantes.

O filme conta a história do início do movimento feminista na Inglaterra e é dirigido por Sarah Gavron, de Brick Lane.

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05. Aaron Sorkin e o roteiro engenhoso de Steve Jobs

Biografias não têm tido muita sorte nos últimos anos, mas o roteiro de Aaron Sorkin (vencedor do Oscar por A Rede Social e criador de séries como The West Wing The Newsroom) e a direção de Danny Boyle (Quem quer ser um milionário?) transformaram Steve Jobs em material para Oscar, passando longe do péssimo Jobs com Ashton Kutcher.

Exibido em Telluride, Steve Jobs rendeu elogios à performance de Michael Fassbender, que pode ser indicado a prêmios na pele do protagonista, e Kate Winslet, séria candidata na categoria coadjuvante por interpretar Joanna Hoffman, integrante da equipe que criou o Macintosh.

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06. Room é o indie do ano. Será que agora Brie Larson decola?

Todo ano temos um indie que se destaca. Por enquanto, esse título é do drama Room, de Lenny Abrahamson (diretor de Frank). No longa, a atriz Brie Larson vive uma mulher que cria o seu filho em um quarto, o que faz com que a única percepção que ele tenha do mundo seja a daquele cômodo.

Larson, que anos atrás surgiu como uma revelação em Temporário 12, mais uma vez desponta no circuito “alternativo” e recebeu algumas das mais calorosas críticas por seu desempenho nesse longa. Se o filme fizer uma boa campanha, é possível que ela seja indicada a prêmios de melhor atriz. O mesmo se aplica a Joan Allen, um forte palpite como atriz coadjuvante. William H. Macy também faz parte da produção.

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07. Netflix pode abocanhar o Oscar com Beasts of no Nation

A Netflix promete marcar presença na temporada com o primeiro filme produzido por eles, Beasts of no Nation, de Cary Fukunaga ( de Jane Eyre e da primeira temporada de True Detective). O longa conta a história de um jovem que luta durante a Guerra Civil em um país africano.

Idris Elba interpreta um militar e chamou a atenção por sua performance. O filme como um todo recebeu elogios rasgados em Telluride. O grande empecilho, dizem alguns, é a violência da história que pode afastar um setor mais conservador da Academia. No entanto, Beasts of no Nation é apontado por alguns críticos como um filme a ser superado na temporada. A questão é que nem sempre o gosto da crítica coincide com o gosto das comissões de votantes do Oscar, do Globo de Ouro, do SAG… É só ver o destino de O Ano mais Violento na temporada passada.

A Netflix pretende lançar o filme primeiro nos cinemas para somente depois de algum tempo disponibilizá-lo no site.