Oscar 2014: Cerimônia confirma favoritismos e mais uma vez decepciona como show

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O diretor Steve McQueen com o elenco e a equipe de 12 Anos de Escravidão no discurso de aceitação do prêmio de melhor filme para o longa.

No último domingo, 02 de março, foram enfim anunciados os vencedores da 86ª edição do Oscar. A distribuição de prêmios não causou grande surpresa entre os especuladores já que os grandes vencedores da noite receberam as estatuetas que foram cogitadas (confira nossas previsões aqui)12 Anos de Escravidão levou três Oscars, incluindo o de melhor filme (os outros dois foram os esperados prêmios de melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante); e Gravidade saiu com impressionantes sete Oscars (direção, fotografia, montagem, trilha sonora original, efeitos visuais, edição de som e mixagem de som).

Além deles, como previmos também,  o drama Clube de Compras Dallas levou fácil três estatuetas: melhor ator (Matthew McConaughey), melhor ator coadjuvante (Jared Leto) e melhor maquiagem. Aliás, os prêmios nas categorias de atuação seguiram as linhas de favoritismo de todas as demais premiações trazendo como vencedores não apenas a dupla de Clube de Compras Dallas, mas também Cate Blanchett como melhor atriz por Blue Jasmine, de Woody Allen, e Lupita Nyong’o como melhor atriz coadjuvante por 12 Anos de Escravidão.

Os demais destaques foram Ela , que rendeu um prêmio esperado de melhor roteiro original para Spike Jonze; Frozen – Uma Aventura Congelante, eleito como o melhor longa de animação e vencedor da estatueta de melhor canção original por “Let It Go” (aliás, sábia decisão do Oscar deixar Idina Menzel, que interpreta a canção no filme, subir ao palco – desculpem mas até hoje não me desce a decisão da Disney de colocar nos créditos do longa uma interpretação pífia da composição na voz de Demi Lovato); o italiano A Grande Beleza confirmou outro favoritismo como melhor filme estrangeiro; e O Grande Gatsby sagrou-se vencedor nas duas únicas categorias em que concorria com os óbvios prêmios de melhor figurino e melhor direção de arte, repetindo a mesma dobradinha de Moulin Rouge! em 2002 (desculpem os haters do filme mas o trabalho de Catherine Martin é sempre imbatível nesse departamento). Talvez a grande surpresa – bem, não tanta para alguns – tenha sido a vitória de A um passo do Estrelato como melhor documentário e não do inventivo O Ato de Matar.

A discussão a respeito dos méritos ou não dos vencedores, como sempre, em qualquer prêmio, é questionável já que não se leva em consideração apenas o merecimento por qualidades artísticas dos trabalhos em questão, mas aspectos como reparações, manifestações políticas (tivemos um prêmio de melhor diretor para um mexicano e um prêmio de melhor filme para um longa que é um manifesto declarado de repúdio à discriminação racial) ou marketing. Por critérios pessoais, sempre algum cinéfilo ficará insatisfeito. No entanto, nessa edição, não há como negar que a distribuição foi justa, sem grandes arroubos de insatisfação e injustiça.

Como show, o Oscar 2014, mais uma vez deixou a desejar, e não por culpa da apresentadora Ellen DeGeneres, que é sempre rápida e inteligente em suas piadas (apesar de que, nesse ano, repetiu a gag do selfie de 2007 só que de forma diferente, postando no twitter uma foto com Meryl Streep, Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Angelina Jolie etc.), mas por um formato engessado que, por mais que tentem modificar, parece esbarrar em certas convenções que a Academia não deixa de lado. Bastava os organizadores se inspirarem no exemplo do Globo de Ouro que levou o despojamento ao extremo, explorando o talento das suas mestres de cerimônia Tina Fey e Amy Poehler por dois anos seguidos. Assim, seja qual for o apresentador escolhido teremos  sempre a mesma entrega de prêmios arrastada. Outro fator que não contribui em nada para o Oscar é o seu calendário, vir após as entregas do Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, SAG  Awards, BAFTA, enfim, todos os prêmios da temporada, elimina por completo um fator essencial para qualquer premiação: o elemento surpresa. Sabemos que nada mudará no ano que vem, mas não custa nada sinalizar.

Confira a lista completa de vencedores abaixo:

  • Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão
  • Melhor Direção: Alfonso Cuarón, Gravidade
  • Melhor Atriz: Cate Blanchett, Blue Jasmine
  • Melhor Ator: Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas
  • Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão
  • Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, Clube de Compras Dallas
  • Melhor Filme Estrangeiro: A Grande Beleza (Itália), Paolo Sorrentino
  • Melhor Longa de Animação: Frozen – Uma Aventura Congelante
  • Melhor Documentário: A um passo do Estrelato
  • Melhor Roteiro Adaptado: 12 Anos de Escravidão
  • Melhor Roteiro Original: Ela
  • Melhor Fotografia: Gravidade, Emmanuel Lubezki
  • Melhor Montagem: Gravidade, Alfonso Cuaron, Mark Sanger
  • Melhor Trilha Sonora Original: Gravidade, Steven Price
  • Melhor Direção de Arte: O Grande Gatsby, Catherine Martin (designer de produção); Beverley Dunn (decoradora de set)
  • Melhor Figurino: O Grande Gatsby, Catherine Martin
  • Melhor Edição de Som: Gravidade, Glenn Freemantle
  • Melhor Mixagem de Som: Gravidade, Skip Lievsay, Niv Adiri, Christopher Benstead e Chris Munro
  • Melhores efeitos visuais: Gravidade, Tim Webber, Chris Lawrence, David Shirk e Neil Corbould
  • Melhor Maquiagem: Clube de Compras Dallas, Adruitha Lee e Robin Mathews
  • Melhor Canção Original: “Let It Go,”, Frozen – Uma Aventura Congelante, Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez
  • Melhor Curta Documentário: The Lady in Number 6
  • Melhor Curta de Animação: Mr Hublot
  • Melhor Curta em Live Action: Helium
 

Wanderley Teixeira418 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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