Memória: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michel Gondry

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Em março de 2004, era lançado nos Estados Unidos Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrançaso segundo longa metragem do diretor francês Michel Gondry, realizador de alguns dos videoclipes de Björk e da banda Massive Attack. O filme seria a segunda colaboração do diretor com o cultuado roteirista Charlie Kaufman, responsável pelos êxitos de Quero ser John Malkovich Adaptação, longas dirigidos por Spike Jonze (roteirista e diretor de Ela). Gondry e Kaufman já tinham se encontrado antes no primeiro filme do realizador, Natureza quase Humana, mas esse seria o primeiro grande projeto do cineasta com o roteirista

Como tudo que sai da cabeça de ambos, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças parte de uma premissa completamente absurda para abordar temas profundos dos relacionamentos humanos. No longa, Joel Barish, vivido por Jim Carrey, procura uma empresa especializada em apagar fatos e pessoas da memória de seus clientes para que eles lhe tirem da cabeça a sua ex-namorada Clementine, personagem que ganha interpretação solar nas mãos da inglesa Kate Winslet. Na medida que os fatos vão acontecendo, Joel percebe o quanto o passado, ainda que doloroso, é importante no seu próprio amadurecimento. Nada do que ocorre em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças recorre a pré-concepções que temos do mundo que nos cerca. Gondry e Kaufman criam um universo alternativo mas demasiadamente humano para tratar de temas que nos são familiares, oscilando entre a comédia e o drama.

Com sua estreia agendada em um período pouco interessante para lançamentos (não é a temporada de blockbusters, tampouco a época dos filmes com potencial de candidatura a prêmios), Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças acabou ganhando lugar de destaque no período como uma produção alternativa que fugia por completo dos filmes lançados naquela data. O longa logo tornou-se uma das fitas mais cultuadas do ano, conseguindo vencer a barreira que alguns votantes de importantes prêmios têm com títulos lançados no primeiro semestre. As atuações de Jim Carrey e Kate Winslet foram os grandes destaques, assim como o roteiro de Kaufman, que já vinha de duas derrotas lamentadas no Oscar, uma por Quero ser John Malkovich e outra por Adaptação. No final, o filme concorreu ao Oscar de melhor atriz para Kate Winslet (até hoje a não indicação de Jim Carrey por esse trabalho é comentada como um dos maiores furos da Academia) e venceu a estatueta de melhor roteiro original.

Os envolvidos dez anos depois

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Michel Gondry – Diretor

Até hoje espera-se de Michel Gondry um filme que faça jus ao culto que cinéfilos de todo o mundo fazem a Brilho Eterno. O máximo que o diretor conseguiu foi o “bacaninha” Rebobine, Por Favor , uma comédia cheia de metalinguagem sobre a proximidade do fim de uma videolocadora. Antes desse filme, Gondry dirigiu o pouco popular Sonhando Acordado, com Gael Garcia Bernal e Charlotte Gainsbourg, e em 2011 rendeu-se ao blockbuster em O Besouro Verde, uma comédia de ação com Seth Rogen, Christoph Waltz e Cameron Diaz que prometia muito em suas mãos mas que acabou rendendo um filme pouco ambicioso e que em nada lembra a personalidade e o estilo do diretor. O último trabalho de Gondry foi o francês A Espuma dos Dias, com Audrey Tatou, filme que acabou tendo uma recepção mista entre a crítica e o público.

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Jim Carrey – Joel Barish

Brilho Eterno foi a derradeira tentativa de Jim Carrey ser visto como um ator sério e competente. Antes do longa de 2004, ele já havia tentado com O Show de Truman, O Mundo de Andy Cine Majestic. Em todos esses longas, não há dúvidas, Carrey é um ator que consegue dar nuances interessantes e complexas a seus personagens como nenhum outro, mas o fato de ter se popularizado na comédia ainda é uma barreira para o seu reconhecimento em certas premiações, por exemplo. Depois de Brilho Eterno, fez As Loucuras de Dick e Jane, um grande sucesso de bilheteria em um gênero que sempre lhe rendeu público. Mas Carrey persistiu na diversidade e encarou, sem muito êxito filmes controversos como o suspense Número 23 O Golpista do Ano. Atualmente nem nas comédias Carrey tem conseguido o retorno de antes. Sua última aparição nas telonas foi em uma participação nada louvável em Kick Ass 2.

Kate Winslet

Kate Winslet – Clementine Kruczynski

Talvez a mais estável do grupo em seus trabalhos posteriores a Brilho Eterno foi Kate Winslet. Ela foi indicada em 2007 ao Oscar de melhor atriz por Pecados Íntimos e em 2009, após cinco indicações ao prêmios, levou sua primeira estatueta da Academia  pelo drama O Leitor, na categoria melhor atriz. De lá para cá, Winslet também venceu um Emmy, o prêmio mais popular da televisão nos Estados Unidos, pela minissérie Mildred Pierce da HBO, em 2011.

 

Wanderley Teixeira418 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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