Especial Tim Burton

Hoje, dia 25 de agosto, o cineasta Tim Burton completa 59 anos. A carreira do artista começou no universo das animações. Trabalhando para os estúdios Disney, Burton fez algumas participações nas criações dos desenhos animados da empresa, como O Cão e a Raposa. Mas o fascínio do artista residia no terror. Quando jovem, Burton lia muito Edgar Allan Poe e era fã da filmografia de Edward D. Wood Jr.. Inclusive, esta admiração por Wood rendeu-lhe um longa, intitulado Ed Wood (1994).

Atualmente, as produções do diretor não têm sido muito bem vistas pela crítica e nem têm sido consideradas um grande sucesso de público. O Lar das Crianças Peculiares (2016) rendeu pouco nas bilheterias, inclusive deu prejuízo de 23 milhões de dólares para seu estúdio, a Twentieth Century Fox. Já Grandes Olhos (2014) obteve um olhar positivo em relação à interpretação de Amy Adams (Encantada) e Christoph Waltz (Bastardos Inglórios), mas ganhou apenas um prêmio no Globo de Ouro de 2015 e Burton não foi indicado em nenhuma das premiações mais célebres.

Apesar de seus altos e baixos, Tim Burton possui obras muito bem elaboradas, com narrativas que fazem o espectador acreditar no mundo fantástico, sombrio e cheio personagens complexas e intensas. Fantasmas, assassinos, loucos ou mal compreendidos, no ambiente ficcional de Burton tudo é possível, tudo pode acontecer! Pensando nisso e na celebração do aniversário do cineasta, o Coisa de Cinéfilo traz uma lista das melhores projeções do artista! Confiram!

5 – Frankenweenie (2012) – Inicialmente a obra foi realizada como um curta-metragem, em 1984. Quase 30 anos depois, Burton retorna para a história, desta vez em formato de longa. Victor Frankestein é um menino isolado e melancólico, que possui apenas um amigo, seu cachorro Sparky. Quando o bichinho morre, o garoto fica inconformado e decide que trará o pet de volta de qualquer jeito. Claramente, o filme é inspirado na obra de Mary Shelley, Frankenstein. Mas, a projeção também traz referências aos filmes B da primeira metade do século XX. O bacana, além do contexto que remete aos elementos famosos do Terror B, é como o cineasta consegue construir bem a relação do protagonista com o animal de estimação, principalmente ao mostrar como o menino é rejeitado, mas sem diálogos expositivos. É na ação desenvolvida na trama que o público conhece Victor. Outro ponto positivo é o jogo de luzes e sombras, que o preto e branco ajuda a elevar, e a direção de arte meticulosa. Filmado em stop-motion, cada detalhe solta aos olhos na tela, sem que a atenção do espectador saia da história.

4 – Edward Mãos de Tesoura (1991) – Estrelado pelos famosos Johnny Depp (Piratas do Caribe) e Winona Ryder (Garota Interrompida), o filme conta a história de um rapaz que ganhou de um cientista (Vincent Price) mãos afiadas, como já se é dito no título. A partir dessa situação, fica posto que o protagonista não pode se aproximar das outras pessoas, pois poderia feri-las. Porém, a jovem Peg (Ryder) o encontra e leva ele para a sociedade. Os destaques aqui são a interpretação de Depp, a direção e o cenário. Edward é um homem considerado estranho, mas, apesar de Johnny Depp não ter um estilo suave de atuação, ele consegue passar com sensibilidade, carisma e cuidado na construção da personagem a sensação que Burton deseja passar. O “mãos de tesoura” é um outsider, diferente, porém isto não faz dele uma pessoa ruim. Os sustos que o principal toma quando machuca alguém podem emocionar o público, pois ali se vê um olhar genuíno de decepção e medo. Os planos mais abertos nos moradores de um subúrbio dos Estados Unidos e os mais fechados em Ed, estabelecem um clima de tensão, como se algo estivesse sempre prestes a explodir. O olhar cuidadoso de Tim Burton também paira na concepção dos dois universos, o colorido, brega e, teoricamente, feliz, das pessoas comuns e o sombrio de Edward. Esta ideia do diretor fica mais visível na direção de arte, na qual os figurinos e elementos de cena vibram em cores de um lado e possui a ausência delas de outro.

3- Noiva Cadáver (2005) – Em um dos melhores filmes de Tim Burton, a lógica das cores é invertida. Enquanto no mundo dos vivos tudo é pálido e cinzento, no dos mortos é colorido e alegre. A história segue a trajetória de Victor. O rapaz está prestes a realizar um casamento que lhe foi arranjando quando é capturado na floresta por criaturas fantásticas. Mais uma vez Burton traz uma animação em stop-motion, porém aqui é sua melhor performance. As expressões faciais e os movimentos das personagens são bem detalhados. O público pode conseguir ver cada emoção na tela. O roteiro é bem amarrado e responde tudo que se propõe. Ele não segue nenhum caminho novo, mas, de forma simples na escrita, conta uma história sobre amor. Talvez esse seja o ganho maior de Noiva Cadáver. Sem muitas firulas textuais e um super ganho imagético, o longa se equilibra.

2 – Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007) – Baseada na peça homônima da Broadway, Tim Burton aqui surpreende com a escolha de dirigir um musical. Ok, é uma história sombria, bizarra e cheia de assassinatos. Ainda assim, é um gênero que ainda não havia passado na carreira do cineasta. A narrativa mostra o retorno de Benjamin Barker. O rapaz perdeu tudo no passado, quando foi expulso da cidade e retorna desejando vingança. A primeira questão que precisa ser pontuada é a interpretação de Helena Bonham Carter (As Sufragistas). A sua Senhora Lovett é repleta de nuances e a atriz criou uma personagem bem completa. Os olhares, a postura do corpo, o tom da voz – até quando está cantando. A direção de arte, que precisou retratar a Inglaterra do século XIX, traz as ruas sujas e sombrias de Londres, figurinos bem elaborados, não apenas pelo fator de serem “de época”, mas nos detalhes como na diferença do passado e presente e até mesma em uma suposta cena de felicidade, na qual escolhem a cor branca como predominante, sem deixar os tons de preto presentes. A montagem é bem feita, principalmente por ela conseguir dar ritmo ao longa. Existem muitos aspectos bacanas na projeção que renderiam uma crítica solo de Sweeney Todd, mas o que pode ser dito neste breve texto é que esse é um dos melhores trabalhos de Burton e a obra mais bacana de 2007!

1 – Os Fantasmas se Divertem (1988) – Tim Burton já gosta de mudar as perspectivas das situações dentro de filmes. Ao invés de mostrar uma família assombrada por fantasmas, aqui o foco é nos mortos e como o lar deles é “invadido” por vivos. Com um elenco cheio de atores conhecidos do período (Winona Ryder, Michael Keaton, Geena Davies e Alec Baldwin), o filme é uma comédia de humor sombrio. Os pontos altos do longa são as interpretações, a maquiagem (vencedora do Oscar em 1989), o figurino e os efeitos sonoros. Curiosamente, a combinação de todos esses elementos é o que fazem com que a narrativa brilhe e a história seja bem contada. O destaque no elenco é Geena Davis (Thelma e Louise). Famosa nos anos 1980/1990, aqui talvez seja sua melhor atuação. Isto porque ela é a artista que mais conseguiu acompanhar em sua atuação a complexidade que o texto pede. Davies consegue trazer para a tela o timing cômico juntamente com o tom ácido e trágico da situação que ela e seu marido (Baldwin) se encontram. As roupas e maquiagem acrescentam o tom fantasmagórico da projeção. Sem buscar seguir algum tipo de realismo, a equipe faz jus à sensação que Burton geralmente quer passar: os estranhos são na verdade os mais humanos. Por isso, a aparência dos falecidos é, na maioria das cenas, a mais comum dentro do padrão da sociedade. Enquanto os seres vivos trajam tons mais escuros e melancólicos. Os Fantasmas se Divertem ocupa a primeira colocação da lista por ser bem executado tecnicamente, possuir uma discussão complexão e intensa – a das questões materiais, a importância dada para a propriedade e a reflexão sobre o pertencimento de cada um dentro da sociedade – e saber balancear bem a comédia com o drama. Além disso, ele é um clássico de sessão da tarde e aposto que muitas crianças da década de 1990 tiveram muitos pesadelos depois de assisti-lo!

 

Enoe Lopes Pontes43 Posts

Do blockbuster ao chamado cult, estou aqui para observar o cenário do cinema e das séries. Cinéfila desde os seis anos de idade, o vício permanece. Até hoje. Até sempre.

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