Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

O novo longa do diretor Luc Benson chegou com a promessa audaciosa de que seria um novo Quinto Elemento, um filme de 1997 que foi o maior sucesso e eu, particularmente, adoro. No entanto, não é bem assim que a banda toca. Diferente deste último filme, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas não consegue manter o ritmo de entreter o espectador e entedia o mesmo em muitos momentos.

O longa se passa no século XXVIII, onde a variedade de etnias no universo é imensa e as sociedades procuram coexistir na melhor paz possível. Valerian e Laureline são agentes do tempo que lutam pela defesa da Terra e os planetas aliados. Com o apocalipse do planeta Mül, a dupla tem que seguir para ajudar no resgate da população quase dizimada.

À parte da direção de fotografia formidável, que realmente caprichou nos cenários e visuais, a história que acompanha toda essa beleza não é tão interessante assim. Protagonistas sem força e nem empatia, um roteiro sem grande novidade. Falta objetivo, finalização e ritmo. É como se Benson se esforçasse para se encaixar num novo estilo de narrativa que vem sendo utilizado atualmente, mas não consegue.

Outro problema notável é a escolha da dupla principal. Por mais que Cara Delevingne se esforce, a sua falta de expressão é cansativa e previsível. As mesmas caras de sempre e um olhar insosso que não acrescenta em nada à personagem. Combinando com ela, temos Dane DeHaan. O ator não é lá muito conhecido, mas até que é mais expressivo que a Cara. O problema é o estilo de personagem que resolveram encaixar ele. Valerian é um cara mulherengo, sedutor e pegador, o completo oposto deste ator, que não exala nenhuma sensualidade. Ou seja, toda a sedução fica apenas no discurso de ambos.

Aliás, o elenco conta ainda com Ethan Hawke e Clive Owen, ambos incoerentes e mal aproveitados na narrativa. O destaque mesmo vai, ao meu ver, para a cantora Rihanna, que conseguiu criar uma personagem forte e expressiva, no meio de uma narrativa fraca. Ela se destaca no papel e, embora apareça brevemente, deixa a sua marca no filme.

Apesar de tais pontos negativos, o filme tem seus pontos altos. A trilha sonora é coerente e muito bem escolhida, com David Bowie na playlist. O compositor Alexandre Desplat, muito bom no seu ofício, consegue criar um clima de agitação ainda melhor do que efetivamente o roteiro do filme propõe. As cenas de ação são bem orquestradas e o cenário do espaço é muito bem aproveitado, especialmente no formato 3D.

Embora o filme seja visualmente muito atraente, a falha de roteiro não passa despercebida. Em dado momento, o espectador fica entediado e a sensação que temos é que as quase 2h20 de filme poderiam ser reduzidas sem prejuízo. No entanto, é uma experiência que vale a pena. Apesar dos erros, os acertos devem ser relevados e não deixa de ser uma experiência interessante.

Assista ao trailer!

 

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