Crítica: Um Lugar Silencioso

É curioso observar como cada vez mais artistas da comédia estão indo para o suspense/terror e obtendo êxito em uma área que, tecnicamente, não é a sua. Tivemos isso com Jordan Peele que resultou no sensacional Corra!. Agora temos John Krasinski, que é conhecido por sua atuação na série de comédia The Office, e nos apresenta o ótimo Um Lugar Silencioso. Sim, temos um spoiler logo cedo: o filme é muito bom.

A premissa da história é bem simples. O mundo (ou apenas partes dele – o filme não deixa tão explícito) sofreu um ataque extraterrestre de uma criatura cega. Sendo assim, ela se guia pelo som e ataca qualquer coisa que faça barulho. Para sobreviver, as pessoas têm que viver no completo silêncio. Lee e Evelyn, juntos com seus três filhos, tentam driblar as situações para manter todos vivos.

É interessante parar dois segundos para refletir que quase tudo que fazemos emite algum som. Então eles têm que efetivamente criar uma rotina brutal de silêncio e cuidado para que absolutamente nada chame a atenção das criaturas misteriosas. Isso fica claro logo no começo e vai criando uma angústia sem fim no espectador. Aliás, angústia é o sobrenome deste filme.

A história começa com um marco importante e vai evoluindo de forma gradativa. Cada personagem é apresentado dentro de seus contextos e frustrações. Uma das filhas é surda e a realidade dela é bastante diferente do resto da família. Em algum momento, a mãe aparece grávida, o que cria uma outra dinâmica na vida de todos, já que isso, em si, é um problema imenso (em gravidez leia: parto e bebê recém-nascido).

Ao longo dos 90 minutos de produção, vários elementos vão sendo inseridos, provocando ainda mais tensão no espectador. É uma aflição absurda que parece não ter fim, mostrando que efetivamente o roteiro é bem produzido e conduzido. Krasinski mostra um excelente potencial como diretor. Junto com ele no elenco temos Emily Blunt, sua esposa na vida real e na trama, trazendo ainda mais força para a história.

O longa segue quase sem apoio de diálogos, se suportando apenas em silêncios bem implantados, interpretações bem feitas e construções de cena que falam mais que a própria fala. Tudo isso converge em um produto final de alta qualidade e realmente interessante para o espectador.

Seguindo uma construção contundente desde o começo, Um Luga Silencioso apresenta um meio e fim tão bons quanto. A finalização da película dá uma calmaria e alívio ao espectador, que nesse momento está quase pulando da poltrona. Vale muito a pena conferir!

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski441 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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