Crítica: Tudo que Aprendemos Juntos

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Emoção: Trama do filme de Sérgio Machado percorre caminhos conhecidos mas consegue envolver espectador com mensagem importante

 

Tudo que Aprendemos Juntos apresenta um Sérgio Machado que bebe de várias fontes para contar os eventos reais por trás da formação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. A mais óbvia são as clássicas e edificantes narrativas sobre o poder da educação centradas em um icônico personagem já visto em filmes como Sociedade dos Poetas Mortos, o professor que torna-se inspiração para um grupo de jovens. Aliado a isso está o contexto problemático da exclusão social no Brasil, o crime como alternativa de vida sedutora para uma juventude com pouca perspectiva e o universo elitizado da música erudita. A combinação de tudo isso traz um dos longas mais eficientes da carreira do baiano Sérgio Machado, que tem no currículo produções como Cidade Baixa e Quincas Berro D’Água.

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Oportunidade: Filme utiliza a clássica narrativa em torno da transformação mobilizada pelo conhecimento e pela arte

 

Tudo que Aprendemos Juntos é, inicialmente, centrado na vida de Laerte, um dedicado e talentoso violinista interpretado por Lázaro Ramos que encontra dificuldades para passar no teste da OSESP, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Como um meio de sobrevivência, Laerte acaba aceitando o emprego de professor em uma escola pública da periferia de São Paulo para ensinar música a um grupo de adolescentes. A experiência que a princípio mostra-se completamente desestimulante pelo desinteresse do grupo nas aulas e pela convivência diária com o crime organizado da favela passa a fazer nascer no violinista um interesse pelos jovens a partir da descoberta de um talento excepcional na classe. Daí em diante, os garotos e Laerte aprenderão lições importantes que os farão enxergar outras possibilidades na vida e conferir importância a determinadas coisas que antes não tinham valor ou sentido.

Mesmo tendo em mãos um tipo de história aparentemente “batida” e com sério risco de tornar-se piegas em determinado momento, a condução de Sérgio Machado e o roteiro lúcido escrito por Maria Adelaide Amaral, Marta Nehring, Marcelo Gomes e pelo próprio diretor tornam Tudo que Aprendemos Juntos um filme capaz de gerar um envolvimento emocional espontâneo e intenso no espectador. Os roteiristas e o diretor constroem uma história que sai da banalidade para ir gradativamente ganhando o coração da plateia na medida em que consegue passar uma mensagem simples, repetida, é verdade, mas como muita lucidez, sensibilidade e sempre pertinente: a de que a educação e a arte são chaves de transformação humana.

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Do erudito ao popular: Turma de jovem músicos da periferia consegue formar a Orquestra de Heliópolis

 

Sem maiores elucubrações ou experimentações visuais e narrativas, Sérgio Machado realiza um filme repleto de momentos emocionantes e pungentes apoiados em uma interpretação certeira de Lázaro Ramos e do seu elenco de jovens talentos. Assim, Tudo que Aprendemos Juntos é um tipo de filme que já vimos alguma vez em algum lugar com outras caras (talvez gringas) na pele dos seus personagens e cuja mensagem nos soa familiar, mas que sempre que realizada de maneira emocionalmente sincera como Sérgio Machado faz do início ao fim da sua história evidencia um reforço de consciência sobre o que realmente é importante no mundo e faz a vida das pessoas melhorarem.

 

Wanderley Teixeira391 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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