Crítica: Tomb Raider – A Origem

Apesar da fama, os dois Tomb Raiders protagonizados por Angelina Jolie, Lara Croft: Tomb Raider (2001) e Lara Croft: Tomb Raider – A Origem da Vida (2003), nunca foram dois dos melhores exemplares do cinema de ação, muito menos duas adaptações de games de “respeito”. Como tudo em Hollywood se recicla, em 2018, uma nova versão da mais celebrada heroína dos games chega ao cinema tendo como espelho os mais recentes jogos da personagem. Em Tomb Raider: A Origem, acompanhamos uma Lara Croft nas suas primeiras aventuras, às voltas com alguns segredos do seu pai e assumindo a responsabilidade de dar continuidade ao seu legado. Desta vez, a personagem é interpretada pela sueca Alicia Vikander, que, assim como Jolie anos atrás, acaba de sair de uma vitória no Oscar na categoria atriz coadjuvante por seu desempenho em A Garota Dinamarquesa de 2015.

O longa dirigido por Roar Uthaug (diretor de A Onda Fuga) e roteirizado por Geneva Robertson Dworet (do ainda inédito Capitã Marvel) e Alastair Siddons (Não Ultrapasse) não traz frescor algum para o cinema blockbuster contemporâneo, mas, ao menos, faz um serviço melhor para sua personagem que as antecessoras adaptações. Bem distante do roteiro caótico dos filmes de Jolie, esse novo filme protagonizado por Croft passa na média. Tomb Raider: A Origem é um longa de ação ou aventura que rende uma sessão minimamente divertida para o público. Se contenta com pouco, é verdade, mas passa longe dos deslizes corriqueiros desse tipo de material.

No geral, as cenas de ação de Tomb Raider: A Origem são protocolares, sobretudo no início do filme (uma parte bem maçante do longa, é verdade). O universo da sua protagonista é realista, provavelmente um esforço para se distanciar das versões anteriores, criando um desinteresse visual que colide inclusive com a própria trama quando a mesma começa a revelar alguns elementos sobrenaturais.

Como pontos positivos, a repaginada na protagonista é muito bem-vinda. Croft tem todas as qualidades de uma heroína e a câmera não persegue o objetivo de torná-la objeto ao invés de sujeito de toda a ação. No lugar da Lara sex symbol de Angelina Jolie, a heroína vivida por Alicia Vikander é mais “pé no chão” e o gênero é um aspecto irrelevante no universo da história. A heroína aqui ganha contornos mais humanos, ainda que pudesse ser desenvolvida com mais profundidade por seu roteiro, que praticamente a reduz a sua missão. É curioso entretanto que parte dos personagens do filme, sobretudo os vilões, também carecem de mais camadas.

No final das contas, o saldo de Tomb Raider: A Origem é positivo, não memorável ou convincente o suficiente do fôlego e da urgência de sua franquia. Há uma cautela no filme que faz o longa buscar uma zona de conforto que o converte num exemplar genérico do seu próprio nicho de produção. Como realização cinematográfica, o filme está aquém de merecer qualquer posição como uma das melhores realizações do seu gênero, mas contorna o equivocado retrato da sua protagonista de anos atrás dando uma nova oportunidade para a própria numa nova mídia a depender do êxito comercial desse filme. O longa perde ao abraçar demais um realismo que não precisava, mas também ganha ao ter Vikander como uma heroína mais coerente com os tempos em que vivemos.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira460 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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