Crítica: TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva

Às vezes as pessoas não dão a devida atenção e valor à publicidade. Mas ela é a alma do negócio e, no cinema, não poderia ser diferente. Vender um filme de uma forma diferente do que ele efetivamente se traduz é um erro tremendo e um dos maiores causadores de frustração dos espectadores. Embora possua um roteiro bem interessante, TOC – Transtornada Obsessiva Compulsiva caiu neste engano e me deixou perdida, assim como deixará muita gente.

Ao assistir ao trailer do filme, a impressão que se tem é que é um longa de comédia, sem nada diferente a acrescentar e que vai se divertir nas maluquices de uma jovem que possui vários TOCs, que vão desde o convívio social até a forma como ela anda no meio da rua. Só que o resultado é completamente diferente. Embora a narrativa seja mega interessante e diferente do esperado, a confusão é óbvia. O TOC, proposto até pelo título, é esquecido no roteiro, pouco tem a ver com a história, perde força com o tempo e não é nada daquilo que o trailer tentou mostrar.

A trama gira em torno de Kika K., uma atriz em ascensão que tenta lidar com a fama e ter ainda mais sucesso na carreira, enquanto dribla seus transtornos e manias. O filme tem um lado crítico forte, principalmente do estilo de vida dos famosos, que entram tanto em uma rotina de vida surreal, que acabam se perdendo no meio tempo e se transformando em outras pessoas. Ela sofre, claramente, com tudo que está acontecendo, mas não sabe o que fazer para resolver.

Diferente das comédias comuns, este longa é muito mais um romance, uma trajetória de descoberta da protagonista, com toques de humor. A trilha sonora é acertada e as inserções dos sonhos da personagem, que interage com outras pessoas neste mundo de ilusão, também completam a narrativa. Kika é um estranho no ninho em um mundo onde as pessoas estão mais preocupadas com a aparência e com o dinheiro, enquanto ela está em busca de um sentindo para tudo que está acontecendo ali.

A escolha do elenco foi sagaz. Tatá Werneck é a alma de Kika K. e funciona perfeitamente bem ao lado de Vera Holtz e Bruno Gagliasso. Muita sintonia e interação natural que faz com que o roteiro flua perfeitamente. Temos ainda Daniel Furlan, que faz o par romântico de Tatá, e consegue criar com ela um casal muito fofo e real. Com seus defeitos e anormalidades, tornando a relação bem normal, criando identificação com o espectador.

O film é muito legal e flui com naturalidade. Prende o espectador que fica intrigado em saber o resultado, que diga-se de passagem, não é clichê. Mas o grande problema dele foi a divulgação errada. Foi vendido como filme de comédia, mais um entre tantos, o que vai, certamente, afastar muitos espectadores cansados deste gênero. O que é uma grande pena, pois perderão uma ótima trama e um ótimo longa.

Assista ao trailer!

 

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