Crítica: O Bom Gigante Amigo

O Bom Gigante Amigo é um retorno do cineasta Steven Spielberg a fantasia. E sempre que Spielberg traz histórias escapistas como esta adaptação do livro homônimo de Roald Dahl é motivo para comemorar. O jeitão “meloso” do diretor, confundido muitas vezes com um tom apelativo que anseia desesperadamente por uma lágrima do espectador, sempre se encaixa melhor quando Spielberg se joga sem redes de proteção na ambiência do lúdico. O Bom Gigante Amigo apresentava esse potencial, trata-se da primeira parceria do diretor com a Disney, é protagonizado por uma garota na faixa dos seus dez ou onze anos e explora uma série de temas e importantes lições típicas das histórias que giram em torno do universo infantil. O resultado pode não se equiparar a filmes com esse viés que saíram das mãos do diretor, como ET – O Extraterrestre, por exemplo, mas tem seus bons e emocionantes momentos com o notório toque de Midas que Steven Spielberg tem para essas histórias.

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No longa, a jovem órfã Sophie é raptada por um gigante da janela do orfanato onde mora em Londres. Ele a leva para sua terra e lá os dois acabam se tornando grandes amigos. No entanto, eles descobrem que os demais gigantes do local podem pôr em risco a vida de  diversas crianças e devem agir antes que seja tarde demais. Com essa premissa, O Bom Gigante Amigo reserva ótimos momentos para a garotinha Sophie, interpretada pela encantadora Ruby Barnhill, mais uma prova de que Spielberg sabe escolher seus protagonistas mirins, e o gigante BGA, resultado de um ótimo trabalho da equipe de efeitos especiais, mas sobretudo do interessante desempenho de Mark Rylance, que já havia trabalhado com Spielberg em Ponte dos Espiões e que, inclusive, por aquele papel, recebera um Oscar de melhor ator coadjuvante.

A resolução de O Bom Gigante Amigo é um pouco falha, apressada demais e apresenta alguns “desvios” de foco da sua própria premissa, mas ainda assim é capaz de proporcionar momentos de emoção singela tão doces quanto àqueles que foram vistos pelo espectador ao longo de todo o filme. O Bom Gigante Amigo não é uma reinvenção na carreira de Spielberg, tampouco tem o mesmo impacto dos seus melhores filmes, mas ainda assim, nas suas águas calmas, é capaz de envolver o espectador de uma maneira que só o diretor sabe fazer, especialmente quando trabalha com um material com suas características.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira418 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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