Crítica: No Limite do Amanhã

001
Funcionário padrão: “No Limite do Amanhã” é mais uma obra que traz Tom Cruise fazendo o que sabe fazer melhor.

 

Ao ter seu sangue contaminado por um alienígena em campo de batalha, Bill Cage (Tom Cruise) desenvolve a estranha habilidade de reiniciar o seu dia a cada momento em que morre. Aos poucos, Cage, com a ajuda da habilidosa oficial Rita Vrataski (Emily Blunt), conecta o evento a uma possível solução para a interminável batalha entre humanos e alienígenas desde que essas criaturas passaram a dominar a Terra. Sim, esta é mais uma ficção-científica com Tom Cruise, e por mais que tenhamos um diretor relativamente interessante no comando, sabemos que existe o dedo do ator em cada decisão tomada no projeto. E não, não esperem por nada extraordinário que fuja da banalidade em No Limite do Amanhã. É uma fita escapista relativamente divertida no esquema que o ator costuma estabelecer em suas recentes produções.

O diretor por trás de No Limite do Amanhã é Doug Liman, realizador irregular que tem no seu currículo produções competentes como A Identidade Bourne, o primeiro da série, e o drama político, pouco conhecido, infelizmente, Jogo de Poder, com Naomi Watts e Sean Penn. Por outro lado, Liman foi responsável por Sr. e Sra. Smith, filme que só ficou para a história por unir Brad Pitt e Angelina Jolie na profissão e no matrimônio, e por Jumper, aquele filme sobre jovens super-dotados que se teletransportam protagonizado por Hayden Christensen, enfim, o tipo de projeto que todo diretor que ter seu nome desvinculado para todo o sempre. Portanto, Liman é muito mais um executor tomando decisões lineares e previsíveis que algumas vezes salvam o projeto, mas por outras vezes o detona, já que não consegue neutralizar falhas visíveis de roteiro, por exemplo.

002
Coube como uma luva: Inusitada escalação de Emily Blunt para a protagonista foi uma das escolhas mais acertadas do projeto.

 

Dito isso, No Limite do Amanhã está mais para o primeiro grupo de filmes de Doug Liman, ainda que seja bem inferior aos outros dois títulos mencionados. O filme revela-se como uma ficção-científica pouco pretensiosa que entretém na medida certa e sabe até onde deve ir, evitando criar uma trama complexa demais que não será capaz de sustentar mais adiante. Como nos demais exemplares da carreira de Liman, o filme não é nenhum espetáculo técnico ou artístico (a exceção da ótima sequência na qual Cruise e alguns soldados descem de um helicóptero e caem em uma praia para uma batalha, semelhante a cena de abertura de O Resgate do Soldado Ryan), e era isso mesmo que os seus envolvidos pretendiam, evitar os riscos. Cruise, Liman e a Warner queriam fazer uma fita quadradinha e correta em seus propósitos e conseguiram.

É interessante notar que, pela primeira vez em anos, vemos Tom Cruise interpretar um sujeito deslocado em um ambiente que exige dele uma grande habilidade física. Aqui, o ator vive um assessor de imprensa das Forças Armadas obrigado a se juntar ao grupo de militares. E ainda que um ator mais jovem e que inspirasse o mínimo de credibilidade em seu amadorismo e insegurança naquela situação fosse o ideal, Cruise dá conta do recado, afinal, esse tipo de produção é sua zona de conforto. Quem surpreende a plateia mesmo é Emily Blunt, muito interessante em um papel que não costuma ser ofertado a ela. Blunt vive com muita naturalidade essa heroína de ação sem perder a feminilidade e o lado humano da personagem. Uma escolha inusitada, mas assumida com muita confiança e talento pela atriz.

Na média: Filme não é memorável, mas é uma fita de entretenimento competente.

 

No Limite do Amanhã é exatamente aquilo que se esperava dele. Um filme de ficção-científica e de ação protagonizado por Tom Cruise que mostra-se como um exemplar correto do gênero nas mãos de um dos últimos atores de Hollywood que conseguem se sustentar nos moldes antigos de produção (aquele que tem o ator no centro do seu processo criativo e empresarial). Particularmente, preferia ver Cruise se arriscar mais, sair dessa zona de conforto representada por filmes como Oblivion e No Limite do Amanhã, que são bons, mas nada mais que isso. Quem sabe um dia o ator de Nascido em 4 de Julho, Magnólia e Jerry Maguire desperte desse estado de calmaria longo e profundo em que se encontra há bastante tempo e nos surpreenda? A gente torce para isso.

 

Wanderley Teixeira418 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

2 Comentários

  • Dani Reply

    06/06/2014 at 18:20

    Não gostei desse filme não. Sai querendo explicações, as coisas aparecem do nada e a gente tem que adivinhar de onde veio. Onde jah se viu isso. Não gostei u_U

     
  • André Reply

    09/06/2014 at 10:55

    Vi o filme ontem e gostei muuuito =D um filme bobo de ficção mas que entretem =) Acho que Tom Cruise fez o papel muito bem e que ele se encaixa perfeitamente nesse tipo de personagem hehehe. Claro que seria legal ele fazer filmes mais profundos, mas espero que ele não deixe de fazer esses filmes que divertem =)

     

Deixe um comentário

Login

Welcome! Login in to your account

Remember me Lost your password?

Don't have account. Register

Lost Password

Register