Crítica: Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi

Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi é o tipo de filme que pode passar despercebido pela maioria dos espectadores, mas definitivamente não deveria ser. Construção narrativa excelente, cenas bem conduzidas, boa fotografia e atuações formidáveis são alguns dos pontos altos deste longa, que concorre a quatro estatuetas do Oscar deste ano.

A história começa com a cena de um enterro e um pedido de ajuda um pouco controverso. A partir daí, o filme volta para contar tudo que aconteceu antes e levou os personagens até aquele momento. Fazendo uso de diversos narradores, o longa mostra a visão de todos os personagens principais, mostrando o que cada um percebeu daquela história e os sentimentos vividos.

É uma história pesada, definitivamente. Mas ela só se mostra como tal a partir da segunda metade da narrativa. Até lá, o roteiro vai construindo os contextos de tudo que vai acontecer, explica a amargura de alguns personagens e a atitude de todos eles. É um filme lento, de progressão contínua e sem pressa. E isso só favorece o resultado final. Não tinha como ser diferente, pois a história é sofrida e sombria o suficiente para ser levada a sério.

O espectador não espera exatamente o que está por vir, mas desconfia que muita coisa ruim pode acontecer naquele meio sem esperança. Quando se fala de racismo nos Estados Unidos na época da guerra, o cenário é o pior de todos, então não tem como criar expectativas positivas. E cena após cena isso é reforçado.

O ponto alto do filme, no entanto, não é a condução do roteiro (que é muito boa). É definitivamente o elenco afinado que brilha a cada momento. Carey Mulligan faz o papel de Laura, uma jovem solteirona que acredita na sorte quando encontra Henry (Jason Clarke), um homem agreste mas interessante, que promete uma vida de felicidades para ela. O destaque, no entanto, vai par Mary J. Blige. Ela interpreta a mãe de um jovem que vai para a guerra e empregada doméstica da fazenda que o casal inicial vai morar. É um personagem forte e marcante que, mesmo aparecendo em poucas cenas, se destaca a cada instante.

É incrível e perturbador como o roteiro trata de uma temática tão forte procurando naturalizar tudo. E sim, isso é necessário, porque era assim que as coisas funcionavam naquela época, especialmente nos EUA. A morte de negros, o preconceito, a submissão da mulher. Tudo isso era normal para aquela sociedade, principalmente no interior (existe uma diferenciação clara, por parte dos personagens, da vida na cidade grande e no interior).

Com fotografias cuidadosas e trilha sonora coerente, o filme consegue explorar igualmente os personagens e envolver o espectador em todas as cenas. Foram quatro indicações ao Oscar (Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Canção Original) merecidas e, embora tenham filmes muito fortes na competição, acredito que deveria receber um olhar cuidadoso do juri da Academia.

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski380 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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