Crítica: Me Chame Pelo Seu Nome

Em tempos de discussão sobre homofobia e preconceitos em geral, Me Chame Pelo Seu Nome chega aos cinemas para trazer um lado da moeda pouco explorado. Estamos acostumados a ver filmes em que homossexuais são discriminados pelos outros e sofrem com a sociedade ao redor. Neste longa, o foco é a dificuldade de aceitação do próprio personagem, o acolhimento dos pais e a descoberta do amor.

O longa conta a história de Elio, um jovem francês que passa as férias de verão com a família no sul da Itália. Os pais recebem um jovem acadêmico para hospedar por um tempo e ajudar o pai em uma pesquisa. A chegada do estranho muda completamente a dinâmica da casa e, especialmente, de Elio.

Baseado no romance homônimo do escritor André Aciman, o filme narra o envolvimento de Elio e Oliver, desde o começo da conversa, quando ele apenas rejeita a atração instantânea que sente pelo estranho. O longa é um presente aos olhos do espectador, que se encanta com as tomadas de cena no verão italiano, cheio de sol e cenários belíssimos.

O ritmo do filme escolhido pelo diretor Luca Guadagnino é agradável e consegue envolver ainda mais o espectador. Ele não tem pressa ao mostrar o envolvimento dos protagonistas, as descobertas, o sentimento que vai crescendo. Quando as coisas finalmente começam a acontecer, o espectador já está tão envolvido que torce ferozmente para que tudo se resolva. É definitivamente apaixonante.

Aliás, acredito que uma boa definição do filme seria: um filme de amor puro e delicado, que acontece de ser entre homossexuais. Embora uma coisa não possa ser dissociada da outra, a relação ser gay ou não é mais um detalhe na trama, que trata muito mais do sentimento. Majoritariamente, embora o filme fale do preconceito, da aceitação e das escolhas feitas em prol da sociedade, o foco principal é o sentimento amor.

O roteiro é muito cuidadoso ao tratar da temática. Você se envolve com cada sentimento que vai surgindo, entendendo o protagonista e suas dúvidas. Ele nega a sexualidade no começo, pois ele mesmo tinha preconceito com isso, como é mostrado em determinada cena. Mas a evolução de percepção também é explicada. Desde a tentativa de Elio de se interessar por mulheres, até a aceitação de que realmente está se apaixonando por Oliver.

O filme é encantador e apaixonado. O espectador se envolve tanto que chora e torce em todas as cenas. A atuação dos protagonistas é excelente, especialmente de Armie Hammer, que finalmente está recebendo a oportunidade de mostrar todo seu potencial. A combinação dele como o jovem Timothée Chalamet deu muito certo, trazendo ainda mais sinceridade aos sentimentos que envolvem a trama.

Me Chame Pelo Seu Nome é um romance e um drama cuidadoso e cheio de lindos cenários para envolver ainda mais o espectador. O filme é digno de suas indicações ao Globo de Ouro 2018 e promete ser visto ainda em outras premiações.

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski380 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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