Crítica: Human Flow: Não Existe Lar Se Não Há Para Onde Ir

Human Flow é um documentário que trata da questão dos refugiados que saem de países em guerra, como Síria e Iraque, para iniciar a vida em outro país e tentar ter um pouco mais de dignidade. O longa é apresentado pelo diretor chinês Ai Weiwei, que passou cerca de um ano visitando 23 países para produzir o material. O resulto é um cuidadoso e contundente relato sobre os refugiados.

Sempre que ouvimos falar dos refugiados, assistimos sob a ótica dos jornais que nos apresentam milhares de pessoas fugindo de seus países e procurando asilo em outros. Muitos morrem no caminho. O que mais escutamos são os números. Quantos já saíram de seus países, qual o país que mais recebe refugiados, quanto chegam ao Brasil. Weiwei nos apresenta, no entanto, a humanização destas pessoas.

No longa documentário, os refugiados são personificados. Pessoas como eu e você que tiveram, como melhor alternativa, fugir de seus países e tentar recomeçar a vida em outros lugares. São mulheres, homens, crianças, idosos de todas as crenças e culturas que precisam se unir para sobreviver às adversidades.

O diretor mostra, por exemplo, que embora muitos países europeus ofereçam asilo aos refugiados, quase nenhum tem um plano para isso. Então as pessoas simplesmente atravessam a fronteira e ficam soltas, perdidas, sem saber como fazer para ter o mínimo de sobrevivência.

O principal problema é que, além de serem obrigados a deixar o país-natal, essas pessoas são recebidas sem a menor dignidade nos lugares, tratados à margem de tudo, como se fossem números. Por isso o cuidado do cineasta chinês faz toda a diferença na produção. Ele mostra, por exemplo, que é preciso tirar o estigma de que todo refugiado é miserável. Muitos deles tinham condições normais em seus países. Classe média, trabalho, vida social, por exemplo. O que confirma também o fato de que a situação em seus países é tão ruim, que eles preferem largar tudo do que ficar.

Ficamos ainda mais chocados quando temos acesso à informação de que a média de tempo de um refugiado em um país de asilo é de 20 anos. Ou seja, a maior parte daquelas pessoas terá aquela vida por muito tempo. O que torna ainda mais compreensível cenas em que o diretor mostra os grupos tentando normalizar a vida.

Human Flow é um chute no estômago de uma realidade que é muito distante de nós, mas que está acontecendo a todo momento e tirando a dignidade das pessoas. Humanizar essas pessoas, deixar de pensar nelas como números, talvez seja o primeiro passo para melhorar a situação dos refugiados. E é isso que o documentário leva à reflexão.

Assista ao trailer!

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