Crítica: Cinquenta Tons de Cinza

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Ir ao cinema para assistir um dos filmes mais aguardados do ano é inviável sem ansiedade. O caso fica ainda mais crítico quando já se leu todos os livros e a expectativa insiste em criar cenários ideais em sua cabeça. E calma, deixe de lado tudo que você ouviu falar sobre o longa até o momento e assista com a cabeça fresca.

Cinquenta Tons de Cinza conta a história de Anastasia Steele, uma estudante de literatura tímida que vai ajudar uma colega de quarto que está doente e segue para entrevistar um dos magnatas de Seattle. Despreparada, ela não esperava que Christian Grey fosse tão sedutor e envolvente. Já ele, cria uma fixação pela jovem e começa a se interessar cada vez mais por ela.

O que se seguem são curtas cenas de busca da parte dele para estar perto dela, enquanto a moça se derrete pela beleza intrigante do ricaço. Sejamos sinceros, essa passagem é curta demais para criar o clima de envolvimento proposto pelo livro. Mesmo deixando de lado a questão da adaptação cinematográfica, que não deve levar em conta a fidelidade, tudo é muito rápido e cria uma situação de “como assim?”, “já?”, e por aí vai. Acredito que o roteirista poderia ter pesado mais nisso, já que a velocidade de tudo remete muito a Crepúsculo, onde uma hora a mocinha conhece o rapaz e na outra, já é o amor da vida.

Seguindo a vida, Christian logo se mostra como alguém maravilhoso, porém estranho. Tem um comportamento mandão, ordenando sempre o que Ana tem que fazer, mesmo quando ainda não tem intimidade com ela. Isso dá vazão para o que acontece depois, com relação ao sadomasoquismo. Verdade seja dita, que esta parte é bem encaixada. Tudo evolui para a cena principal do momento em que ele propõe um contrato para ela assinar, informando termos do relacionamento.

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O mote principal do filme, no entanto, é sexo. E tem muito dele ao longo das suas duas horas de duração. Cenas longas, detalhistas e instigantes. O que agrada muito, já que é justamente o que acontece no livro. Os leitores que partilharam da obra vão ficar extremamente satisfeitos com a fidelidade neste sentido. Além disso, não decepciona no quesito visual. Existia um receio por parte de muita gente que a classificação indicativa pesasse mais que a necessidade de mostrar tudo que o livro propõe. Numa corrida, talvez, em agradar o público mais jovem, que sempre leva multidões aos cinemas. O diretor, no entanto, foi fiel ao livro e não aos fãs, fazendo um filme com classificação 18 anos e mostrando tudo que se tem direito na telona.

Preciso destacar também uma das melhores partes de Cinquenta Tons de Cinza, que é a trilha sonora. Composta por artistas variados como Beyoncé, Sia, The Weekend, Ellie Goulding, The Rolling Stones e até Frank Sinatra. As músicas foram muito bem escolhidas e encaixadas em cada momento, em cada cena, associando aos sentimentos dos protagonistas e até favorecendo as situações, principalmente sexuais. Saberão o que estou dizendo na cena em que ela usa pela primeira vez o Quarto Vermelho e Beyoncé suspira ao fundo sua nova versão de Crazy in Love.

No quesito atuações, o longa supera muito as demais sagas adolescentes de casais apaixonados. Jamie Dornan encarna o perfeito Mr. Grey, sem tirar nada. Ele é frio, sedutor, misterioso e lindo, tudo ao mesmo tempo e sem cansar. Chega a ser inebriante. Já Dakota Johnson, que me pareceu meio velha para o papel quando assisti ao trailer pela primeira vez, também encaixou bem no papel de Steele, com trejeitos, manias, cara de inocente e atrapalhada. Mas também, nos momentos em que ela precisa ser mais descontraída, faz isso com naturalidade, sem parecer forçada. O restante do elenco, também compõe bem as cenas, dando um bom suporte aos protagonistas.

O filme pode ser visto, claro, como machista. A menina se envolve com o cara e o filme faz questão de destacar esta parte do livro, onde ele conquista ela pela sedução e pelo dinheiro, ao dar presentes caríssimos e irresistíveis. É a clássica mocinha em “perigo”, que espera que o príncipe encantado resgate ela a qualquer momento e a defenda dos males do mundo. Só que o príncipe bate, restringe amizades, persegue e não deixa que ela faça tudo que quer. No mínimo, problemática esta questão.

No todo, Cinquenta Tons de Cinza agrada muito, supera a expectativa de qualquer leitor e não decepciona com a promessa feita. O final deixa o espectador ansioso e instigado a ver o próximo filme ou até mesmo começar a ler o livro para saber o que acontece. Observando pelo lado da adaptação cinematográfica, ela é muito bem feita e fiel ao conteúdo maior da obra principal. Que venha Cinquenta Tons Mais Escuros!

 

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