Crítica: Belas e Perseguidas

 

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Sofia Vergara e Reese Whiterspoon tentam despistar criminosos na comédia Belas e Perseguidas

 

Belas e Perseguidas traz um mashup difícil de resistir. A comédia da diretora Anne Fletcher é protagonizada por duas atrizes em alta no momento. De um lado, Reese Whiterspoon, que transita no gênero com muita facilidade e conseguiu firmar sua carreira em Hollywood graças aos filmes da franquia Legalmente Loira e a comédias românticas como Surpresas do Amor E se fosse verdade. Do outro, a colombiana Sofa Vergara, marcada pela sua hilária Gloria do premiado seriado Modern Family. As duas juntas em um filme é uma parceria interessante, uma oposição entre a darling e a desbocada de Hollywood que, no mínimo, renderia momentos engraçados. E não é que não renda.  Belas e Perseguidas só consegue captar algum interesse no espectador graças ao talento das suas atrizes, mas ainda assim a química é insuficiente para sustentar uma trama tão frágil quanto a que apresenta.

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Potencial parceria da dupla é levemente prejudicado por um roteiro raso e por uma direção burocrática.

 

No filme, Cooper (Whiterspoon) é uma policial que decidiu a profissão que queria seguir desde pequena graças à inspiração do seu pai, um oficial exemplar. Ela é designada por seus superiores para escoltar Daniella Riva (Vergara), uma testemunha imprescindível para um caso que envolve um poderoso criminoso. No caminho, Cooper e Daniela se vêem envolvidas em uma perseguição que as faz fugir de alguns bandidos. A viagem será um duplo desafio para Cooper, pois além de ser uma oportunidade para mostrar que não está à sombra da fama do seu pai, sendo um desastre em ação quando vai a campo, terá que lidar com a forte personalidade da sua protegida.

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A policial certinha, mas atrapalhada. A latina desbocada e hiper-sexualizada. Vergara e Whiterspoon dão vida a estereótipos em Belas e Perseguidas.

 

A comédia é dirigida por Anne Fletcher, que já conduziu filmes do gênero, como A Proposta, Vestida pra Casar e Minha Mãe é uma Viagem. Como de praxe, Fletcher não interfere muito na sua história e segue um caminho burocrático, eficiente mas nada que promova mudanças de rota em um roteiro severamente enfadonho. O brilho maior da história, se é que ele existe de fato, como já dito, fica por conta da presença de Vergara e Whiterspoon, que juntas até funcionam muito bem, apesar de não ser o suficiente para sustentar personagens que se baseiam em estereótipos rasos e já vistos em dezenas de outros títulos do gênero.

Belas e Perseguidas tem até o mérito de não apelar para gags escatológicas, o que poderia ser uma armadilha fácil, haja vista a quantidade de comédias hollywoodianas que se inclinam por esse caminho, mas também não chegam a oferecer oportunidades que de fato tirem o filme da repetição, apatia ou banalidade. Se o star power (Whiterspoon e Vergara juntas) for um motivo suficiente para o leitor assistir esse filme, ótimo, arrisque uma sessão. Se não, é possível que saia um pouco indiferente da sala de cinema.

 

Wanderley Teixeira391 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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