Crítica: Antes de Dormir

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Diário filmado: Personagem amnésica de Nicole Kidman relembra os vinte últimos anos da sua vida através dos vídeos que faz em sua câmera fotográfica.

 

Caso Nicole Kidman tivesse atuado entre as década de 1950 e 1960, certamente seria uma das preferidas do cineasta Alfred Hitchcock. Não há gênero no qual a atriz se encaixe melhor do que o suspense. No entanto, não é todo dia que se encontra um Hitchcock por ai e por mais que a australiana seja a escolha ideal para o suspense Antes de Domir e se comprometa com o seu personagem, isso não é o suficiente para tirá-lo do terreno do thriller burocrático.

Em Antes de Dormir, Nicole Kidman vive Christine Lucas, uma mulher de 40 anos que acorda todo dia ao lado do seu marido Ben, papel de Colin Firth, sem se lembrar dos dez últimos anos vividos. Lucas começa a seguir as orientações do seu psiquiatra, que lhe liga toda manhã e pede que ela assista a um diário gravado em uma câmera fotográfica contendo vídeos com relatos sobre as suas recentes descobertas do passado. Logo Christine é levada a uma rede de informações que envolve a verdadeira história por trás do seu casamento.

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Química: Segundo filme de Kidman e Firth juntos comprovam que a dupla deu muito certo.

 

O filme de Rowan Joffe, do drama irregular Pior dos Pecados, consegue ser eficiente como fita de entretenimento durante toda a sua projeção, porém o seu desfecho deixa algumas peças desencaixadas sobre a natureza de Christine e de Ben que podem incomodar espectadores mais atentos ou em busca de respostas mais profundas para a trama. Mesmo com a resolução dos mistérios da história, pouco sabemos sobre seus personagens além de suas funções pré-estabelecidas na trama (sobre Christine, por exemplo, saímos da sala do cinema sem entender quem é aquela mulher além da sua reforçada enfermidade psiquiátrica).

Joffe consegue manter um ritmo interessante para a sua história e enfrenta o desafio de lidar com fluidez uma trama cujos acontecimentos têm que ser relembrados para sua protagonista a todo momento. Ainda assim, e mesmo com um elenco eficiente em cena  e com a química entre Kidman e Firth em alta temperatura, como já comprovado no drama Uma Longa Viagem, Antes de Dormir não consegue suprir determinadas lacunas criadas por sua própria trama. Na carreira da atriz, está longe de ter o mesmo impacto que Os Outros, mas não chega a ser o desastre que foi Invasores. Dias melhores virão para Nicole, podem estar certos disso.

 

Wanderley Teixeira402 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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