Crítica: A Noiva

Chegando no Brasil como “a invenção da roda” pelo simples motivo de estar atrelado a um gênero popularmente associado a produções americanas, o terror, e ter uma origem russa, A Noiva estreia em nossas salas com muito pouco a oferecer para o espectador. O que se tem é uma trama protocolar que acompanha uma maldição/ritual seguido durante anos por uma família. A vítima é uma jovem recém-casada que parte junto com o esposo para o interior do país a fim de conhecer a família dele, se deparando com uma série de fenômenos sobrenaturais e comportamentos esquisitos dos novos parentes, sobretudo sua cunhada.

O filme mantém um relativo interesse do espectador no prólogo, que narra acontecimentos passados contextualizando o público sobre o mote central do filme. Quando a trama é transportada para o mundo contemporâneo o espectador toma contato com um amontoado de cacoetes e reproduções de outros filmes do gênero, que, a despeito de evitar em demasia a equação dos “sustos por segundo” e servir de maneira correta na construção de uma atmosfera soturna, não são suficientes para manter o público mais habituado com produções semelhantes fiéis aos acontecimentos passados na tela.

No caso das cópias de A Noiva que chegam no Brasil, o filme acaba trazendo em si outro problema. Por uma estranha razão, as cópias que chegam nas salas dos cinema brasileiras terão uma dublagem em inglês com legendas em português (ao menos foi esta cópia que vimos e a que nos foi informada que chegará ao público), tornando a experiência de assistir esse longa relativamente estranha. Isso porque o trabalho de dublagem americano é precário e muitas vezes a sensação que o espectador acaba tendo é a de que está assistindo dois filmes em um, como se a história que é vista não correspondesse àquela que está sendo ouvida. Entendo perfeitamente a preocupação comercial da distribuidora com o estranhamento do público brasileiro com o idioma russo e as consequências nas bilheterias que uma cópia em língua original poderiam trazer, mas não custava providenciar uma dublagem brasileira tendo em vista que tem sido uma prática recorrente das distribuidoras abarrotarem nossas salas com cópias de filmes americanos dublados em português.

Assim, A Noiva é um filme mediano que chega num contexto esquisitíssimo de adaptação à exibição em nosso país. Resultado, não poderia render uma experiência satisfatória para o espectador. O público pode até arriscar, pois, se comparado a outro exemplar de mesma origem que chegou por aqui em situação semelhante, o filme de super-heróis Os GuardiõesA Noiva é um filme que na maior parte do tempo se sustenta, ainda que com tropeços. A questão é que ele é genérico e ainda será exibido por aqui nessas circunstâncias, com o perdão da palavra, bizarras. Fica sempre a critério do leitor dar ou não uma oportunidade à experiência, que, nesse caso, foi para lá de peculiar.

Assista ao trailer do filme:

 

Wanderley Teixeira426 Posts

<p>Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.</p>

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