Crítica: 12 Heróis

Não é de hoje que o pós-11 de setembro e a guerra no Afeganistão inspira um nicho de produções cinematográficas em Hollywood com seus inúmeros recursos e estratégias narrativas. 12 Heróis é um dos tantos títulos que integram essa lista e tem preocupações semelhantes às dos seus “irmãos” de origem. Construindo a jornada de um grupo de soldados americanos que partem na primeira missão de caça aos responsáveis pelo atentado terrorista às torres gêmeas em Nova York, 12 Heróis enaltece o heroísmo e toda sorte de virtude dos seus protagonistas ianques, não escondendo em momento algum suas principais intenções.

O filme é dirigido por Nicolai Fulgsig, dinamarquês que tem pouquíssimo trabalho no currículo e praticamente estreia nesse título. A condução é protocolar e o que interessa mesmo em 12 Heróis em termos de assinatura é a produção do “Midas” dos blockbusters Jerry Bruckheimer (Piratas do Caribe) e o roteiro de Ted Tally e Peter Craig. O roteiro de 12 Heróis apela para toda sorte de clichês e frases de efeitos, dos discursos inflamados sobre honra e a essência do herói às atitudes altruístas do protagonista, o australiano Chris Hemsworth, um grande “lugar comum” nessa história dando vida ao capitão Mitch Nelson, que atualmente tem um monumento em sua homenagem no local do antigo World Trade Center.

Os demais personagens do longa, interpretados por atores do calibre de Michael Peña e Michael Shannon, também não têm muito brilho, todos são simplificados por suas funções, ações e informações esparsas sobre o seu passado. As situações criadas para eles são ainda mais previsíveis, da tomada de consciência do herói a respeito do verdadeiro contexto do conflito ao clímax enfrentado pelo grupo que comanda. Ao final da sessão, é triste constatar o estágio que o cinema chegou no tratamento de questões tão sérias como o terrorismo e os conflitos internacionais desde então. A urgência é convertida num espetáculo que aparenta ter algo de crítico a dizer sobre as coisas, mas no fundo tudo é produto, o que não é um problema em outras circunstâncias, porém quando surge assim…

12 Heróis tem uma produção de grande porte, fazendo com que as tomadas no deserto e as cenas de ação despertem um relativo apelo visual para o espectador, mas nada que tire do longa a sensação de  uma experiência maçante para o público. O filme não faz absolutamente nada para tornar-se mais fluido ou ameno. Tudo nesta história sobre a guerra a trata na superfície, sendo mais um pretexto para enaltecer valores e ideias que encobrem os problemas mais graves do conflito, utilizando um relato e personagens reais como “bode expiatório” para um entretenimento de apelo questionável.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira460 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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