Como 2018 pode ser o ano das atrizes veteranas no Oscar

Entra ano, sai ano, a máxima de que as categorias de interpretação feminina do Oscar consagram uma jovem estrela do momento que com a estatueta galga mais um degrau na sua ascendente carreira “persegue” a Academia. Por tal ímpeto, tivemos vitórias recentes como as de Alicia Vinkander (A Garota Dinamarquesa), Brie Larson (O Quarto de Jack) e Emma Stone (La La Land). Me entendam, não estou “falando mal” do desempenho de nenhuma dessas atrizes em seus respectivos filmes ou mesmo diminuindo seu talento, mas é fato que Hollywood se transforma num território espinhoso para atrizes com mais de 40 anos.

No geral, seus papeis de protagonistas no cinema acabam diminuindo drasticamente por uma falta de interesse de estúdios, diretores e roteiristas de endossarem histórias com personagens nessa faixa etária. Tudo isso acaba se refletindo no Oscar.

Notamos, no entanto, que 2018 tem tudo para mudar esse cenário e como a agitação em torno das especulações para o prêmio já começaram nesse segundo semestre com a proximidade da estreia de alguns desses títulos em circuito comercial e em alguns festivais, elencamos 10 nomes de veteranas que podem ser alvo de indicações da Academia. Para a nossa felicidade, a lista ainda deixou de fora muitas outras possibilidades!

#01. Annette Bening

Por pouco a veterana indicada quatro vezes ao prêmio (Minhas Mães e Meu PaiAdorável JuliaBeleza Americana Os Imorais) não foi nomeada por seu trabalho em Mulheres do Século 20. Sua ausência na seleção de melhores atrizes do ano passado foi sentida por muitos e como Annette é muito bem relacionada em Hollywood e há anos sua vitória bate na trave é bem possível que esse ano surja mais uma indicação e, quem sabe, até uma vitória.

No longa Film Stars Don’t Die in Liverpool, Bening interpreta a estrela do cinema noir Gloria Grahame, vencedora do Oscar em 1953 pelo filme Assim Estava Escrito, que viveu um romance com o jovem ator Peter Turner e escandalizou Hollywood. O longa é dirigido por Paul McGuigan, cujas credenciais são Xeque-Mate Heróis, longas que fogem completamente da abordagem desse drama, mas que pode surpreender. O parceiro de cena de Annette no longa é Jamie Bell. Ainda em 2018, Bening também pode surgir na categoria coadjuvante já que terá um papel coadjuvante na adaptação de A Gaivota de Tchekov, com Saoirse Ronan e Elisabeth Moss no elenco.

#02. Michelle Pfeiffer

Desde que vimos o trailer de Mãe! de Darren Aronofsky (veja o trailer aqui), estamos indóceis! O papel de Pfeiffer parece ter uma importância significativa nesse horror delirante do diretor de Cisne Negro e promete não ser uma ponta como a participação de Winona Ryder no longa que rendeu o Oscar a Natalie Portman. Mãe! é veículo para Jennifer Lawrence, sua protagonista incontestável, mas Pfeiffer ofereceu momentos sinistros no trailer e, a depender de como for a trajetória do longa na temporada de premiações, pode render uma indicação e, quem sabe, uma vitória a atriz na categoria coadjuvante (pensa em como a Academia, pontualmente, abraça personagens e filmes assim nessas categorias como o próprio Cisne Negro ou mesmo Elle do ano passado e Reino Animal, não em casos como os de Precisamos Falar sobre o Kevin, que excluiu Tilda Swinton da festa). Em Mãe!, Pfeiffer vive uma das hóspedes creepies que os personagens de Lawrence e Javier Bardem recebem em casa.

Caso as coisas não andem como desejado em Mãe!, Pfeiffer ainda estará em 2017 na mais recente versão de Assassinato no Expresso do Oriente, também em papel coadjuvante. Há ainda Where is Kyra?, a única possibilidade da atriz concorrer na categoria principal dos prêmios de atuação. Porém, como nessa altura dos acontecimentos o filme ainda encontra-se com distribuidor incerto, fica difícil saber como sobreviverá diante de uma concorrência tão acirrada.  Qualquer coisa também, Where is Kyra? pode ficar para o próximo ano.

Em sua carreira, Pfeiffer já recebeu indicações por Ligações PerigosasSusie e os Baker Boys As Barreiras do Amor. Assim como Bening, apesar de ser uma das atrizes mais celebradas da sua geração, nunca ganhou a estatueta do Oscar.

#03. Meryl Streep

Streep é uma das poucas atrizes que podem se gabar de ganhar indicações a prêmios mesmo que seus filmes não sejam lá essas coisas. Ela até já ganhou um Oscar por A Dama de Ferro! Além disso, Streep tem um talento incontestável e conta com uma fanbase enorme nos bastidores dos processos de votação dessas premiações. Claro que no meio disso tudo há merecimento, mas não podemos negar que quando o assunto é Streep há todo um contexto que a favorece.

The Papers, o próximo trabalho da veterana que possui 3 estatuetas no bolso, é dirigido por ninguém mais ninguém menos do que Steven Spielberg, outro queridinho da Academia não importa o trabalho que faça (alô, Cavalo de Guerra!) portanto, as chances são reais.

Em The Papers, Streep vive a primeira editora de jornais dos EUA, Kay Graham do Washington Post. Junto com seu colega de trabalho, o também editor Ben Bradlee (Tom Hanks), Kay enfrenta uma batalha contra todo um sistema para publicar documentos que comprovaram a papel do governo americano na Guerra do Vietnã.

#04. Frances McDormand

Vencedora do prêmio de melhor atriz por Fargo em 1997, Frances McDormand chega esse ano com o mais recente título do cineasta Martin McDonagh (o mesmo de Na Mira do Chefe Sete Psicopatas e um Shih Tzu), Three Billboards Outside Ebbing, Missouri. Como os longas anteriores do realizador, o título é bem incomum, parece uma comédia dramática de humor negro que traz a atriz como uma mulher em busca de vingança pelo assassinato brutal de sua filha. Para a missão, a personagem de McDormand contrata um grupo de pistoleiros a fim de matar o responsável pelo crime. O trailer já foi divulgado, assista aqui. O longa faz parte da seleção do Festival de Veneza desse ano.

Não acredito que o tom do filme seja um obstáculo para McDormand como costuma versar o senso comum quando o assunto é Oscar (“ah, o material é muito dark para Oscar”). Assim como o caso de Pfeiffer em Mãe!, a Academia já deu provas de que abraça histórias “difíceis” e tons “sombrios” sobretudo em categorias de interpretação.

#05. Judi Dench

Dench chegará na temporada de prêmios com um filme com o autêntico selo Harvey Weinstein, produtor que endossou alguns dos seus principais trabalhos indicados ao Oscar como Philomena Shakespeare Apaixonado, pelo qual ganhou a estatueta de melhor atriz coadjuvante em 1999. Dame Dench protagoniza Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha, no qual interpreta a rainha Vitória numa época específica da sua vida quando se tornou grande amiga de um empregado indiano chamado Abdul Karim. Já tem trailer disponível, assista aqui.

Perceba a combinação de elementos atrativos para a Academia: o filme é dirigido por Stephen Frears (mesmo de Philomena Sra Henderson Apresenta, ambos renderam indicações para a atriz, além de A Rainha, que deu a Helen Mirren o prêmio de melhor atriz) e Dench interpreta uma rainha!

Caso não seja indicada por Victoria e Abdul, Dench pode ter chances como coadjuvante de Assassinato no Expresso do Oriente, como sua colega Michelle Pfeiffer.

#06. Glenn Close

É um absurdo Glenn Close ser uma das maiores da sua geração e não ter sequer um prêmio em sua estante sendo que já foi indicada sete vezes ao Oscar. E tem gente que ainda acha que Leonardo DiCaprio ou Amy Adams são os maiores injustiçados da história da Academia… Olha o currículo dessa mulher!

Na próxima temporada, Close traz ao público o drama The Wife, no qual interpreta uma mulher casada há anos com um homem controlador, escritor premiado. Por força dessa relação, a personagem de Close nunca se dedicou à sua carreira de escritora. Quando o marido está prestes a receber o Prêmio Nobel de Literatura, ela decide abandoná-lo e cuidar da sua própria vida profissional.

Em 2011 quase achamos que Close finalmente colocaria as mãos na bendita estatueta do Oscar por Albert Nobbs, projeto pelo qual fora premiada no teatro e que foi gestado por anos pela própria atriz, mas que nos cinemas se mostrou levemente decepcionante, ainda que tenha lhe rendido uma nomeação. Vamos torcer para que dessa vez tudo corra bem com nossa eterna Alex Forrest.

#07. Kristin Scott Thomas

É incrível constatar que em anos de carreira, a Academia só tenha reconhecido uma atriz do calibre de Kristin Scott Thomas por sua interpretação em O Paciente Inglês, única indicação no currículo da inglesa. Na próxima temporada, Thomas chega aos cinemas com O Destino de uma Nação, drama político de Joe Wright (de Desejo e Reparação) sobre os anos do governo Winston Churchill, a ser vivido por Gary Oldman (veja o trailer aqui). No longa, Thomas interpreta a esposa do político, Clementine Churchill, e parece ter um papel fundamental na trama.

E só torcemos para que o gosto amargo pela não indicação da atriz por Há tanto tempo que te amo em 2010 não se repita. Caso seja indicada por O Destino de uma Nação, é provável que Thomas concorra na categoria atriz coadjuvante.

#08. Halle Berry

Ela foi a primeira (e única) negra a vencer um Oscar de melhor atriz por sua atuação no filme A Última Ceia de 2001, mas desde então Hollywood não tem sido muito grata a Halle Berry condenando a atriz a um número sem fim de papeis pouco expressivos no cinema. Aos 50, nem mesmo a tentativa de ir para a TV com a série Extant, que sobreviveu a apenas duas temporadas, fez jus ao que a eterna Tempestade de X-Men pode nos oferecer.

Na primeira incursão da diretora de Cinco Graças em solo americano, KingsHalle interpreta uma mulher moradora de uma região marginalizada de Los Angeles ajudada por um policial interpretado por Daniel Craig. O filme trata do clima na cidade após o violento assassinato de um taxista negro sem motivo por policiais locais (quem assistiu o documentário OJ Made in America e a minissérie O Povo contra OJ Simpson: American Crime Story está familiarizado com o caso). Correm boatos de quem está próximo da produção de que a atuação de Berry é uma das melhores de sua carreira.

Berry tem retornado às conversas com suas declarações sobre a falta de diversidade entre os indicados ao Oscar e até mesmo sobre o que sua vitória de fato representou para mudar o quadro. Uma indicação para a atriz agora poderia oferecer uma narrativa de comeback interessante na temporada.

#09. Jane Fonda

Jane Fonda dominou as manchetes com uma cena de Juventude em 2015, mas isso não foi o suficiente para chamar a atenção da Academia naquele ano. A vencedora de duas estatuetas do Oscar (Klute: O Passado Condena Amargo Regresso) chega na próxima temporada de prêmios com o romance produzido pela Netflix Our Souls at Night, atuando ao lado de Robert Redford.

O que tem sido dito sobre o longa é que nele há ecos de As Pontes de Madison. Já tratamos dele aqui no blog (veja aqui). O longa promete trazer uma parceria entre os dois atores veteranos que interpretam viúvos que se apaixonam.

Todo mundo tá cansado de saber como Fonda tem trânsito livre no corpo a corpo com os votantes do Oscar, mas para ser nomeada por esse trabalho precisa vencer uma resistência ainda a ser quebrada na Academia: o prêmio vai finalmente ceder aos apelos dos títulos lançados diretamente via streaming? O elogiado Beasts of No Nation, por exemplo, não conseguiu quebrar essa resistência, nem mesmo quando em 2015 diversos previsores da temporada apontavam Idris Elba como vencedor natural dos prêmios de melhor ator coadjuvante.

#10. Melissa Leo

Muita gente torce o nariz para Melissa Leo pelo seu comportamento na campanha do Oscar de 2011, quando venceu o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu desempenho em O Vencedor, de David O.Russell, mas não podemos negar que ela é uma atriz maravilhosa e destacar o fato de que, diferente de muitas de suas colegas, ela tem o feito de construir sua carreira basicamente na maturidade. Leo acaba de receber muitos elogios por seu desempenho em Novitiate no qual interpreta a freira diretora de um convento lidando com as transformações da Igreja Católica em plena década de 1960, quando alguns movimentos começaram a abordar a questão da sexualidade feminina (veja o trailer do filme aqui).

Há a dúvida se o nome de Leo será sugerido como protagonista ou coadjuvante desse longa já que a trama da sua personagem é atravessada pela de uma noviça interpretada por Margaret Qualley (da série The Leftovers). Os trailers indicam que Leo tem nas mãos uma personagem densa que parece dominar as atenções. Novitiate é a estreia da diretora Margaret Betts.

 

Mais alguns nomes fortes para 2018:

Salma Hayek, Beatriz at the Dinner;

Nicole Kidman por O Estranho que Nós AmamosThe Killing of a Sacred Deer How to Talk to Girls at Parties;

Debra Winger por The Lovers;

Julianne Moore por Suburbicon ou Sem Fôlego;

Holly Hunter por The Big Sick ou Strange Weather;

Lois Smith, por Marjorie Prime; 

Lesley Manville por Phantom Thread;

Emma Thompson, por The Children Act;

Catherine Keener por Corra!;

Kate Winslet por Wonder Wheel;

Octavia Spencer por The Shape of Water;

Mary J. Blidge por Mudbound;

Carrie Coon por The Papers;

Sarah Paulson por The Papers;

Sally Hawkins por Maudie ou The Shape of Water;

Penélope Cruz por Loving Pablo ou Assassinato no Expresso do Oriente.

Jovens que podem “estragar” a festa:

Emma Stone por Battle of the Sexes;

Rooney Mara por Mary Magdalene;

Jessica Chastain por Womans Walks AheadThe Death and Life of John F. Donovan ou Molly’s Game;

Jennifer Lawrence por Mãe!;

Carey Mulligan por Mudbound;

Florence Pugh por Lady Macbeth;

Michelle Williams por The Greatest ShowmanSem Fôlego ou  All the Money in the World;

Tatiana Maslany por Stronger;

Margot Robbie por Goodbye Christopher Robbin;

Betty Gabriel por Corra!;

Rebecca Fergusson por Boneco de Neve ou The Greatest Showman;

Claire Foy por Breathe;

Saoirse Ronan por On Chesil BreachLady Bird ou The Seagull.

 

Wanderley Teixeira414 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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